Poesia

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CONTANTO QUE DURMAS

 

 

A rosa vermelha

colhida à tarde;

o fogo e a canela,

esse fogo, o cravo.

 

O pão de forno

de anis com mel;

a redoma de ouro

com peixe dentro;

 

Ai! terás tudo,

coração meu,

contanto que durmas

de uma vez.

 

A rosa, digo,

o cravo, também;

a fruta, digo

e digo o mel;

 

o peixe de luzes,

tudo quanto sonhas

contanto que durmas

até de manhã.

 

 

Gabriela Mistral

 

(Tradução de Henriqueta Lisboa)

 

 

A Poetisa

 

 

 

Poetisa chilena (7/4/1889-10/1/1957). Foi a primeira escritora latino-americana a receber o Prêmio Nobel de Literatura, em 1945. Sua poesia única e repleta de imagens singulares não mostra influências do modernismo nem das vanguardas.

 

Descendente de espanhóis, bascos e índios, Lucila Godoy Alcayaga nasceu em Vicuña, uma vila do norte do Chile. Com apenas 15 anos começou a dar aulas. Seu noivo cometeu suicídio em 1907, fato que marcou a obra e vida de Gabriela Mistral Ela nunca se casou e se dedicou somente ao trabalho. Venceu um concurso literário chileno em 1914 com Sonetos de la Muerte, assinados com o pseudônimo Gabriela Mistral, formado a partir do nome de dois poetas que admirava o italiano Gabriele D”Annunzio e o francês Frédéric Mistral.

 

Seu primeiro livro de poesias, Desolación (1922), inclui o poema Dolor, no qual fala da perda do amado. O sentimento de maternidade frustrada aparece nos trabalhos seguintes, Ternura (1924) e Tala (1938). Colaborou na reforma educacional do México e do Chile. Representou seu país como consulesa em Nápoles, Madri, Lisboa e Rio de Janeiro. Em 1954 publica Lagar. Lecionou literatura espanhola na Universidade de Columbia. Morreu em Hempstead, no estado de Nova York.

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