Crise – Míriam Leitão

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Mercado reagiu bem a indicadores americanos

 

A ida de Obama às TVs para anunciar novos nomes de sua equipe econômica (vejam post abaixo), e os indicadores da economia americana divulgados hoje está animando as bolsas pelo mundo agora à tarde. Aqui no Brasil, o índice Ibovespa atingia cotação máxima do dia às 15h45m, com alta de 4,97%.

 

Embora os números divulgados sejam quase todos negativos, eles vieram de acordo com as projeções, e o mais aguardado deles teve desempenho melhor que o esperado: a renda dos americanos cresceu 0,3% em outubro, contra expectativa de crescimento menor, de 0,1%.

 

Quando se olha para o crescimento real da renda, ou seja, quando descontada a taxa de inflação, a variação é ainda maior, de 1%. Isso é resultado, principalmente, da queda dos preços de energia, motivadas pela redução do preço do petróleo. Outro indicador esperado era o que media os gastos dos americanos no mesmo mês, que tiveram redução de 1%, dentro da média projetada.

 

Os outros indicadores divulgados vieram piores que o esperado mas eles chamam menos atenção do mercado. São eles: o índice de atividade industrial da região de Chicago, a confiança do consumidor medida pela Universidade de Michigan, e pedidos de bens duráveis.

 

No conjunto da obra, portanto, o mercado se surpreendeu positivamente. Mas, de acordo com o economista Filipe Albert, da Tendência Consultoria, isso não significa que a economia americana esteja em recuperação. Ele ressalta que dados preliminares da consultoria indicam que o PIB do 4º trimestre sofrerá nova retração e irá configurar tecnicamente o cenário de recessão, a exemplo do que já aconteceu com Alemanha, Itália, Japão e Zona do Euro.

 

– Teremos uma queda significativa no PIB do 4º trimestre por conta da redução do consumo dos americanos. E o quadro deve permanecer assim nos primeiros meses de 2009 porque não teremos essa ajuda dos preços de energia. Com isso, os indicadores da demanda, renda, emprego e crédito vão fazer com que o consumo do país caía ainda mais – afirmou.

 

Por enquanto, a Tendência tem trabalhado com retração de 1% no PIB americano em 2009. Para o PIB brasileiro, a consultoria está refazendo os cálculos. Embora eles não estejam concluídos, Filipe acredita que a taxa de crescimento do PIB cairá do patamar de 3% para algo em torno de 2,6%.

 

Em tempo: também animam os investidores o corte de juros promovido pelo governo chinês e o pacote de €$ 200 bilhões anunciados pela União Européia.

 

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