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Negros para Washington, lourinhos para a Suécia?

 

 

Nos idos de 1961, Carlos Lacerda acirrava seu confronto com o então presidente Jânio Quadros. A motivação era em parte ideológica, por conta da política externa independente e do restabelecimento de relações diplomáticas do Brasil com a União Soviética, que o governador da Guanabara repudiava.

 

Jânio, histriônico e marqueteiro excepcional, decidira ampliar o namoro com a África e nomeou um negro, seu oficial de gabinete, para embaixador em Gana.

 

Foi quando Lacerda, numa de suas tiradas geniais, comentou na televisão estar vaga nossa embaixada na Suécia, indagando a seguir: “Será que o presidente vai nomear um lourinho?”.

 

Essa história se conta porque a Comissão de Relações Exteriores da Câmara acaba de aprovar o envio de uma delegação de deputados, todos negros, para representar a casa na posse de Barack Obama, em Washington, em janeiro.

 

Com todo o respeito, trata-se de um exagero. Nem o novo presidente americano se apresentou na campanha como candidato dos negros, contra os brancos, nem a sua excepcional votação deixou de ser majoritariamente branca.

 

Perdeu a Câmara dos Deputados uma bela oportunidade de escolher a representação pelos méritos de seus delegados, não pela cor da pele. Se a moda pega, o grupo que comparecer à posse de um novo primeiro-ministro do Japão será composto apenas de deputados nisseis?

 

Carlos Chagas, jornalista

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