Artigo saído n’ O Jornal de Natal. Nas bancas

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Fim de festa: e agora, o que fazer?

 

MIRANDA SÁ, jornalista

E-mail: mirandasa@uol.com.br

 

 

        Vão se estendendo para o infinito as estradas paralelas do mundo capitalista, a política e a econômica, rodeando precipícios e contornando espigões para evitar as subidas íngremes. Fazem-me lembrar os peabirus – caminhos construídos pelos indígenas do litoral sudeste para alcançar o planalto e os sertões.

 

        A História registra estas veredas percorridas pelos mamelucos guiando bandeiras na busca de jazidas de metais preciosos e/ou para aprisionar indígenas.  Os bandeirantes de hoje – os filhotes da oligarquia financeira internacional –  ainda enfrentam distâncias para controlar a economia e a política para explorar o homem e suas riquezas.

 

        Registra-se que os financistas abrem os mercados e os políticos dão-lhes garantias legais; assim, o capital financeiro engorda à larga e os governos impõem uma rigorosa dieta aos povos.

 

        A situação se agrava enormemente em tempos das crises criadas pela ambição e pela ganância. Paradoxalmente, a crise espolia as nações, mas, ao mesmo tempo, despe o sistema econômico das máscaras e dos adornos, deixando-o nu, como se vê agora.

 

        E ao revelar o monstrengo anti-povo deixa-nos tristes ao descobrir aquilo que os analistas econômicos decentes vinham alertando e ninguém lhes deu ouvido. No Brasil faltou ao presidente Lula da Silva uma formação de estadista e sobrou-lhe negligência e zombaria.

 

        Ficamos prejudicados por não tivemos uma ação patriótica no momento excepcional proporcionado pelo mercado externo. O PT-governo e seus satélites foram incapazes de administrar na bonança, quando o Brasil deveria ter equilibrado suas contas, reduzido gastos supérfluos e amortizado a dívida interna à beira de um trilhão e meio!

 

        O lulismo-petismo no poder nada fez no campo macro-econômico; e nada procedeu para melhorar os serviços públicos, não agiu para aperfeiçoar a assistência médica, reformar o ensino público ou realizar investimentos estatais para a infra-estrutura.

 

        Assistimos, porém, a Receita Federal bater recordes e mais recordes na arrecadação de impostos, sem que o povão visse a cor deste dinheiro, que escoou – literalmente – pelo ladrão. Sobram apenas migalhas e esmolas do programa Bolsa Família e políticas afins.

 

        Fora de foco, elabora-se uma lista imensa da degradação das finanças nacionais com os cartões de crédito, da compra de parlamentares através do mensalão, da liberação das sanguessugas para agir em ministérios e estatais, e do aparelhamento na administração pública, criando ministérios, postos elevados e cargos comissionados.

 

        Nunca antes neste país viu-se tal gastança. Agora, com a crise, vai ser preciso um milagre para manter a política populista de Lula da Silva, o mesmo milagre que Hitler esperou quando seus exércitos caíram diante do Exército Vermelho na frente russa.

 

        É evidente que tal prodígio não ocorrerá. O Pelegão terá que esperar que Barack Obama tome posse na presidência dos Estados Unidos, que a economia norte-americana se recupere e que o prestígio internacional em Wall Street seja restaurado.

 

        Antes que isto ocorra, teremos inevitavelmente a queda na arreacadação e um fatal aumento de despezas. A carestia de vida e o desemprego em massa vão despertar o povão, para fazer companhia às classes médias urbanas que criticam e que resistem.

 

        Daí, como o genial guia do lulismo-petismo manterá os 80% de aprovação nas pesquisas?  Se mágicas houverem, de pouco valerão contra o aperto. Nem mesmo o marketing eleitoral fantástico que o PT-governo dispõe.

 

        Nesse fim de festa, é fácil projetar que as eleições de outubro mostraram que os postes de Lula só serviram para sustentar fios e que em 2010 nenhum poste será eleito pela fantasia do pré-sal ou com mais promessas abstratas que a pelegagem insiste em oferecer…

       

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