Crédito – Míriam Leitão comenta
Governo deve pressionar para ter dinheiro circulando
O governo deve pressionar o mercado para fazer o dinheiro circular. E os empresários devem acreditar que o país vai passar bem pela crise. Com mais confiança e dinheiro circulando, e com a concorrência entre os agentes financiadores, o cenário dos juros nos empréstimos para pessoas físicas e empresas pode melhorar. Essas são impressões do diretor-executivo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Andrew Frank Storfer. Segundo ele, as ações tomadas até agora pelo Banco Central e pelo governo foram úteis e pontuais.
– Era preciso injetar dólar, principalmente para o setor de exportação, e era preciso acalmar o mercado. Isto foi feito. Com a liberação do compulsório, o BC liberou sobre a parte remunerada, o que está certo, só que este dinheiro não voltou para o mercado – diz Storfer.
Para ele, o governo e o Banco Central não devem emprestar direto para as empresas, pois aí eliminaria um elo da cadeia, que pertence ao mercado. Mas o governo deve pressionar, até acabando com a liberação do compulsório.
– O governo deve agir dizendo algo como “eu libero o compulsório, desde que o mercado proveja os exportadores”. Tem como fazer isso. O dinheiro não deve voltar para títulos públicos. O governo tem como pressionar.
Se o dinheiro voltar para o mercado e se as empresas, bancos e financeiras tiverem confiança, a tendência de elevação de juros pode até passar.
– Se a confiança voltar e se crescer o volume de dinheiro, a situação melhora. Até porque, com a competição entre os agentes financiadores, vai melhorar o cenário. Mas tem de existir atuação mais firme para isso. Os consumidores ainda estão confiantes, o governo está tomando medidas, agoras as empresas precisam confiar que a coisa vai andar. Até porque, se houver retração na atividade econômica, isso acaba prejudicando o governo também.
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