Míriam Leitão

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Dois reflexos

 

Reflexos da crise externa aparecem diariamente no mundo empresarial. A Votorantin eliminou suas operações de risco cambial, mas como comprou o controle da Aracruz, está tendo um prejuízo duplo. A Arcelor Mittal está no começo de uma guerra comercial com a Vale. O consumo já está sentindo os efeitos da crise. Segundo uma pesquisa da Nielsen, o consumo começa a parar de crescer.

 

A Votorantim, como se sabe, perdeu R$ 2,2 bi no mercado de câmbio, e a Aracruz perdeu R$ 2 bi. O pior não é isso: é que há uma espécie de fusão dos vermelhos. A Votorantim Celulose e Papel compraram o controle da Aracruz Celulose. A opção de compra foi feita quando a família Lorentzen quis deixar o negócio.

 

Isso faz com que a Votorantim esteja perdendo duplamente. E a conta do estrago pode ser maior, dependendo do preço que a VCP aceitou pagar pelas ações da Aracruz, que despencaram nos últimos dias. A Votorantim está cancelando investimentos. Um deles é a participação na licitação para o terminal de Itaguaí.

 

A Arcelor Mittal, maior cliente da Vale, está começando a se indispor com sua fornecedora pelo preço, com quem havia assinado um contrato de fornecimento de 30 anos. A empresa quer um desconto na venda do minério de ferro, que no mercado se calcula em 60%, percentual pouco menor do que o do reajuste que a Arcellor aceitou pagar este ano pelo minério.

 

Só que eram outros tempos. Com a crise mundial, a empresa está querendo desconto. A direção da Vale nega que haja reabertura de negociação, mas está começando uma guerra comercial. No mercado, se conta que um navio com minério da Vale partiu do Brasil para ser entregue à empresa indiano-européia, mas não se sabe se poderá desembarcar quando chegar ao destino.

 

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