Um dia muito pior do que parece

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Queda de 5,53%

Quem olhar para o fechamento do Ibovespa não vai conseguir imaginar o que foi esta segunda-feira. O pregão fechou em baixa de 5,43%, mas num dia em que houve dois circuit breakers acionados (interrupção dos negócios por quedas muito fortes), o primeiro deles menos de meia hora após a abertura. O indicador parou quando caiu 10%, e depois quando chegou a 15% de baixa.

 

Depois de hoje, o que dá para dizer é que a crise saiu do sistema financeiro e chegou também às empresas brasileiras. Depois do tombo da Sadia e Aracruz na semana passada, que apostaram na valorização do real frente ao dólar, criou-se a desconfiança de que outras empresas podem também estar com esse tipo de posição tomada.

 

Além disso, as exportadoras também não estão conseguindo antecipar contratos em dólar, como vinham fazendo nos últimos anos. Isso significa que não entrará dólares dessa forma no mercado. Essa falta de caixa também afetas as construtoras, que precisam de bastante crédito para operar. A Agra praticamente derreteu hoje, com recuo de 80%. Rossi caiu 20% e Gafisa, 2%.

 

Com exceção da Cirela, que subiu 2,35%, todas os ativos fecharam em queda na Bovespa. A Vale, por exemplo, fechou em baixa de 7%, mas chegou a registrar desvalorização de 23,48%. A Usiminas recuou 11%, mas chegou a cair 20%.

 

Até no setor elétrico, que é considerado menos arriscado pelos analistas, o clima também foi de desmontagem de posições. Cesp recuou 13,80%; Eletropaulo, 10%; Eletrobras, 4,66%; Cemig, 4%. O mesmo aconteceu com o setor de consumo: Submarino com queda de 18%; Lojas Americanas, 11%; Amberv, 3%.

 

No setor financeiro, apesar das desconfianças estarem nos bancos menores, os grandes também sofreram: Banco do Brasil teve queda de 7,20%; Bradesco, 6,60%; Itaú, 4,74%; Unibanco, 2,63%. E chegou a haver queda de até 13%.

 

Uma das explicações para a recuperação dos mercado no final da tarde (depois de cair 15%, fechamento em torno de 5% pode ser bem visto) foi creditada a uma reunião entre o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, e o presidente do Fed, Ben Bernanke. O que o mercado quer agora é que o Fed corte a taxa de juros em reunião extraordinária, entre 0,50 e 0,75 ponto percentual.

 

Mas nenhum dos economistas ouvidos pelo blog quis fazer previsão para o que pode acontecer amanhã. Ou seja, o mercado continuará no escuro com a crise se espalhando cada vez mais.

 

Fonte: Míriam Leitão

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