Poesia
A uma taça feita de um crânio humano
Não recues! De mim não foi-se o espírito…
Em mim verás – pobre caveira fria –
Único crânio que, ao invés dos vivos,
Só derrama alegria.
Vivi! amei! bebi qual tu: Na morte
Arrancaram da terra os ossos meus.
Não me insultes! empina-me!… que a larva
Tem beijos mais sombrios do que os teus.
Mais val guardar o sumo da parreira
Do que ao verme do chão ser pasto vil;
-Taça – levar dos Deuses a bebida,
Que o pasto do reptil.
Que este vaso, onde o espírito brilhava,
Vá nos outros o espírito acender.
Ai! Quando um crânio já não tem mais cérebro…
Podeis de vinho o encher!
Bebe, enquanto inda é tempo!
Uma outra taça,
Quando tu e os teus fordes nos fossos,
Pode do abraço te livrar da terra,
E ébria folgando profanar teus ossos.
E por que não? Se no correr da vida
Tanto mal, tanta dor ai repousa?
É bom fugindo à podridão do lado
Servir na morte enfim p’ra alguma coisa!…
lorde Byron (Tradução de Castro Alves)
O Poeta
George Gordon Noel, Lord Byron, (Inglaterra, 1788-Grécia, 1824) “Não, não te assustes; não fugiu o meu espírito;/ Vê em mim um crânio, o único que existe,/ Do qual, muito ao contrário de uma fronte viva,/ Tudo aquilo que flui jamais é triste.” Quem aceitar o convite de Lord Byron, autor destes “Versos Inscritos numa Taça Feita de um Crânio”, vai penetrar no universo profundo, escuro, satânico, ao mesmo tempo lírico e sarcástico, de um dos maiores poetas do romantismo.
Byron herdou seu título de nobreza de seu tio-avô William, em 1798. Em 1801 foi estudar em Harrow, uma das mais tradicionais escolas inglesas e, em 1805, entrou para a Universidade de Cambridge. Seu livro de estréia, “Ociosidade das Horas“, foi mal recebido pela crítica da revista escocesa “Edinburgh Review”. Byron respondeu por meio de um poema satírico intitulado “Bardos Ingleses e Críticos Escoceses”.
Aos 21 anos, ingressou na Câmara dos Lords, no Parlamento inglês. Pouco depois, partiu para uma longa viagem pela Europa e pelo Oriente. Em 1812, publicou sua primeira obra de sucesso, os cantos iniciais de “Peregrinação de Childe Harold”. A obra teve sucessivas edições em inglês e foi traduzida para várias outras línguas.
A figura aventureira de Byron – seja como amante, seja como guerreiro – serviu de inspiração à juventude romântica de vários países nessa época, inclusive no Brasil. Na recém-fundada Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo, o byronismo influenciou diversos alunos que se destacariam em nossas letras e procuravam reproduzir – nos estreitos limites que a província permitia – a boêmia amorosa e alcoólica byoniana.
Fonte: suapesquisa.com
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