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Impecável estratégia do Pelegão

MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br


São muitos os carreiristas que estão quebrando a cara na campanha eleitoral deste ano. O exemplo mais do que perfeito disto é o ex-comunista Agnelo Queiroz, que abandonou o PC do B e se bandeou para o lulismo-petismo. Ele sonhava em ser governador de Brasília e contava com o apoio de Lula da Silva, que não está valendo em lugar nenhum.

Os caroneiros eleitorais se decepcionam nos principais centros urbanos, exceto em São Paulo, capital, onde Marta Suplicy apresenta uma boa performance, embora tudo indique que perderá de lavagem o segundo turno. Em Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Fortaleza e Belém, os governistas estão por baixo.

No caso mineiro, é incrível, o governador Aécio Neves, com aprovação de 80% nas pesquisas e Lula da Silva com popularidade nunca dantes vista neste país, estão perdendo para a candidata do PC do B, cujo diretório mineiro é refratário à pelegagem.

No Norte e no Centro-Oeste, apesar do forte encabrestamento oficial, nenhum candidato governista vai bem das pernas; e dos nove governadores do Nordeste apenas dois vêem seus preferidos numa boa; os demais amargam perspectivas derrotistas. Estão em pior situação os que cederam às imposições petistas.

Reforçando as projeções negativas do governismo, onde o PC do B, o PSB e o PMDB são insubmissos ao comando lulista-petista, colocam-se em posição eleitoral privilegiada. Recife e Porto Alegre são modelos disto.

Com sua extraordinária perspicácia, assentada na experiência sindicalista, Lula da Silva traçou uma impecável estratégia restringindo a participação da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e do ministro de Relações Institucionais, José Múcio, à campanha em seus estados.

Prescreveu também para os ministros políticos (indicados por partidos aliados) evitar conflitos com outros aliados ao participarem das campanhas eleitorais onde a base está dividida.

Além disso, Lula usa com habilidade a mídia afirmando que não subirá nos palanques. A idéia é convencer a opinião pública de que ficará distante da campanha, traçando para si o perfil de magistrado. Embora fingida, é uma atitude que conquista assim a simpatia da base aliada.
Como se vê é uma tática muito bem executada porque se apoiar alguém e este alguém perder, a derrota será sua; se o alguém ganhar, a vitória é dele…

No plano estratégico geral, registre-se o esfriamento do nome de Dilma Roussef, apelidada de “mãe do PAC”, e demonstrando a atração do Presidente e seu desejo de fazê-la sucessora. Pode ser o fracasso anunciado do PAC, como querem alguns, mas poderá simplesmente auto-preservação, fugindo a compromissos.

Assim, a blindagem levantada em torno de Sua Excelência para resguardá-lo dos escândalos que envolveram companheiros, familiares e membros do partido e do governo, entra no planejamento para colocá-lo acima das disputas nos pleitos municipais.

Para um bom observador, a estratégia do Pelegão é clara como água de fonte montanhosa: abandonou os planos da pelegagem para um terceiro mandato e se prepara para disputar as eleições presidenciais de 2014. E se tudo sair como quer, será um candidato fortíssimo.

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