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Parem as máquinas

O grande escândalo da campanha eleitoral até agora é a censura imposta pelo tráfico de drogas no Rio à cobertura da imprensa. Eis o furo de reportagem: não existe liberdade de expressão nas favelas. Estão todos perplexos e indignados, até o governador do estado.

Provavelmente ninguém sabia disso, tal a estupefação geral. Entidades de classe gritam basta, militantes de direitos humanos soltam manifestos, o poder público abomina a situação. A civilização grita contra a barbárie. Só não se sabe para quem ela grita.

Se não é para Deus, deve ser talvez para os traficantes. O basta mais patético da história. Algo do tipo “Pessoal: trafica, mata, mas não esculacha.” Um apelo corajoso. Só seria bom lembrar às autoridades indignadas que Tim Lopes, o jornalista, foi trucidado na Vila Cruzeiro seis anos atrás. Que uma candidata a governadora do Rio, por acaso uma ex-juíza, declarou dois anos atrás que não subiria morros para fazer campanha.

Que uma repórter de “O Dia” foi torturada este ano numa favela em Realengo. Que… Enfim, que a perplexidade dos civilizados, incluindo o governador do estado e o presidente da República, está com a data de validade vencida.

Está criada a indústria nacional da indignação. Não demora, sai um manifesto da OAB ou da Anistia Internacional. Provavelmente, exigindo a democratização dos meios de comunicação nas bocas de fumo.

Fonte: Guilherme Fiúza

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