Lucia Hippolito comenta
Taxiando na pista
A grande novidade da pesquisa Datafolha divulgada ontem é que… não há novidades.
A campanha ainda está fria, ainda não “mordeu” o eleitor. Isto se comprova facilmente pelo número de indecisos, nulos, brancos, “não sei” etc.
A verdade é que as campanhas eleitorais brasileiras são muito longas, o que as torna também muito caras. Por isso, é boa notícia o fato de que a campanha ainda está na fase de aquecimento.
Tudo começa a mudar quando se inicia o horário eleitoral gratuito de propaganda no rádio e na TV.
Não que o eleitor interrompa tudo o que está fazendo para se imobilizar diante do rádio e da TV. Como sabemos, os programas eleitorais nunca foram, propriamente, campeões de audiência. Nem em eleições presidenciais.
Mas o início da propaganda no rádio e na TV marca o verdadeiro início da campanha eleitoral.
A despesa maior de uma campanha está justamente aí, nos programas de rádio e TV. Até pouco tempo, marqueteiros caríssimos promoviam verdadeiros shows de criatividade ($$) e de igual falsidade. Os exemplos da campanha eleitoral de Fernando Collor ainda estão vivos na nossa memória.
Mas a propaganda no rádio e na TV mostrou-se também um importante veículo para o trânsito do caixa 2 em campanhas eleitorais. E aí, a atuação do marqueteiro Duda Mendonça na campanha do presidente Lula em 2002 permanece como caso exemplar de uso do caixa 2, pagamento em contas abertas em paraísos fiscais.
E todo o rosário de ilegalidades. Espera-se em 2008 uma campanha menos dispendiosa e, se possível, menos falsa.
O eleitor parece meio enjoado desses esquemas.
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