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O trabalhismo ético perdeu um quadro

Miranda Sá, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br

Estão gravados na memória nacional os pronunciamentos de Jefferson Peres da tribuna do Senado Federal. O elogio fúnebre do líder do trabalhismo ético, Leonel Brizola, a despedida dedicada à Heloísa Helena e o antológico discurso de desilusão com a política, anunciando que não mais participaria como candidato em qualquer eleição.

Não dá para esquecer quando falou do eclipse moral do PT-partido, que desalentava os fundadores, e quando disse alto e bom som que não acompanharia a orientação do PDT para dar um voto contra a própria consciência.

É claro que se referiu ao PDT de hoje, que conspurca a memória de Leonel Brizola e enterra – sem missa de réquiem – o trabalhismo ético. O PDT dos pelegos, que vendeu por trinta dinheiros o exemplo e os preceitos de Brizola. O PDT mergulhado em escândalos de Carlos Luppi e Paulinho da Força.

Foram tantos jornalistas respeitáveis que dedicaram palavras de pungente respeito a Jefferson que não me lembro quem escreveu que ele “exercia no Senado o papel de contraponto. Oferecia à platéia a certeza de que a Casa não abergava apenas uma súcia de picaretas”.
Seja quem for o autor desse texto, assino embaixo. Peres foi realmente uma referência no Congresso em questões de ética, moralidade pública e, sobretudo, de patriotismo.

Talvez por isso nos obrigue a registrar neste adeus a sua decepção com os rumos da política brasileira, chegando a comentar de público que não encontrava mais prazer como parlamentar, lamentando o desaparecimento de espaços para o exercício de uma política honesta, voltada para o interesse nacional.

Por isso, analisando a morte de Jefferson Péres pelo ponto de vista do materialismo histórico, acho que o infarto o levou numa boa hora, evitando que se envolvesse em polêmicas como aquela em que criticou os intelectuais e artistas que aceitam a amoralidade de Lula da Silva; e poupando-se de ser salpicado da lama que cobre o trabalhismo dos pelegos…

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