Batom no dossiê
A menos que as oposições tenham conseguido, se me permitem a derivação metafórica, o chamado “batom no dossiê” ou, num cochilo do homem, o enconstem contra a parede, não se deve esperar muito do depoimento, hoje, de José Aparecido na CPI dos Cartões. O governo operou direitinho até agora, e o advogado do funcionário que vazou os documentos agiu com competência. Indiciado pela Polícia Federal, o vazador não é mais uma testemunha.
Não precisa responder se não quiser porque não é obrigado a se incriminar. Ele vai repetir aos parlamentares o que disse à Polícia: desconhece ordem da “Doutora Erenice” para fazer o papelório. E pronto. Também não temerá se passar por bobo: anexou os documentos sem querer. André Fernandes, seu amigo de mais de 20 anos e assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), contará história diferente. Teria até uma gravação em que Aparecido afirma que tudo foi coisa de Erenice — o que quer dizer que é também de Dilma Rousseff.
Dada a diferença de depoimentos, o normal seria fazer uma acareação. Mas o procedimento tem de ser votado na comissão. Se partir do Planalto a ordem para que ela seja rejeitada, será, então, rejeitada.Aparecido estará acompanhado de seu advogado. A história que ele tem para contar é absolutamente inverossímil. Qualquer um que já tenha anexado um documento a um e-mail dá pela versão uma nota de R$ 3.
A CPI do Mensalão demonstrou que os petistas não têm receio do ridículo. Quem não se lembra do deputado João Paulo (PT-SP) e da suposta conta de TV a cabo que sua mulher fora pagar no Banco Rural? Ninguém quer se convincente. Eles só querem se safar.
Fonte: Reinaldo Azevedo
Comentários Recentes