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Assessor diz que vazador culpou secretária-executiva da Casa Civil por montagem de dossiê

O assessor parlamentar André Fernandes atribuiu nesta terça-feira à secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, a responsabilidade pela montagem do dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Fernandes disse que ouviu de José Aparecido Nunes Pires, ex-secretário de controle interno da Casa Civil, o relato de que a ordem para a montagem do dossiê partiu de Erenice.

O relato teria ocorrido, segundo Fernandes, em um almoço com Aparecido no Clube Naval de Brasília dias depois de receber o dossiê do ex-secretário. “Ele [Aparecido] só falava para mim que foi a Erenice que preparou um dossiê. Ele usou um banco de dados seletivo. Aí me contou que no dia 8 de fevereiro foi chamado para fazer isso. Aí começaram a fazer sentido todas as notinhas anteriores ao eu ter recebido o e-mail, publicadas em jornais, sobre a existência do dossiê”, disse.

O assessor tucano disse que somente revelou trechos do dossiê ao senador Álvaro Dias, sem ter combinado com o parlamentar o vazamento das informações à imprensa ou mesmo o encaminhamento das informações ao ex-presidente FHC. “Passei somente para ele, para ninguém mais. Cumpri o meu dever funcional”, disse.

Fernandes negou no depoimento à CPI dos Cartões que mantenha uma relação de “amizade” com Aparecido. O assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse que apenas trocava mensagens “sem freqüência” regular com Aparecido, mas ressaltou que desde 2004 sua relação estava “estremecida” com o ex-secretário.

Fernandes disse à CPI que em 2004, quando era assessor do ex-senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), recebeu de Aparecido um e-mail “intimidador”. Na época, segundo Fernandes, Antero era integrante da CPI do Banestado –por isso Aparecido mandou uma mensagem ao colega para chamá-lo a “mudar de lado” na CPI.

“O Aparecido mandou um e-mail dizendo que era o lado forte, o governo. No texto, dizia que o ‘Antero está perdido’. Me disse para ficar do lado mais forte, que o senador Antero não ia dar em nada. O senador Antero pode confirmar o que aconteceu”, afirmou.

O assessor disse que conheceu Aparecido durante o governo de transição de FHC para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002. “Ficamos conhecido por causa do governo paralelo. Não era uma relação tão estreita assim. Ele tentou me usar como peão duas vezes, tentou me intimidar duas vezes. Está provado quem é a pessoa”, criticou.

Fernandes disse que “com certeza” não é mais amigo de Aparecido. A amizade foi rompida, segundo o assessor, depois que o ex-secretário lhe encaminhou o dossiê. O assessor disse que retomou a amizade com o ex-secretário, após o incidente de 2004, porque tem um “coração de manteiga”.

O assessor admitiu, porém, que indicou amigos para trabalharem com Aparecido na Casa Civil, “Eu indiquei [pessoas para trabalharem com Aparecido]. Quem trabalhou com ele na presidência é uma prima minha de terceiro grau. Ele manteve ela até agora. Obviamente que sabia [que era sua parente]”, afirmou.

Fonte: Folha Online

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