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Espalhou a brasa

O brilho da ministra Dilma Roussef no depoimento à Comissão de Infraestrutura do Senado durou menos de 24 horas. A conclusão das investigações de que o dossiê sobre contas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso vazou de um computador da Casa Civil ofusca o resultado da véspera. Mas a oposição, também, não tem muito o que comemorar porque no meio da confusão está o senador tucano Álvaro Dias (PR) sendo obrigado a dar explicações sobre o caso.

Dilma Roussef vinha sendo destacada por sua capacidade administrativa, como a grande gerente do Plano de Aceleração do Crescimento. Agora se vê que ela comete, no mínimo, equívocos na escolha de sua equipe – ainda que o acusado de vazamento do dossiê, José Aparecido Nunes Pires, seja uma “herança” de José Dirceu na equipe da Casa Civil. Ou seria uma “briga de turma” ou o chamado “fogo amigo”? Pior ainda.

A conclusão da investigação derruba uma tese de Dilma em sua defesa. Ela repetia a pergunta: “a quem interessa o vazamento?”, para indicar que tudo aquilo era coisa da oposição. Ainda ontem no Senado ela voltou a dizer que era a vítima do tal dossiê. Portanto, vítima de alguém que ela própria comandava, de alguém indicado pelo companheiro de lutas no passado, José Dirceu – que, aliás, ao transmitir o cargo, destacou o passado comum dos dois.

Essa história está só começando. O enredo completo só será conhecido quando José Aparecido der suas explicações. A pergunta que vale milhões hoje é se Aparecido vai cair sozinho ou se vai contar mais do que sabe, como, por exemplo, quem mandou fazer o dossiê. É preciso esperar e ver até onde essa corda vai chegar.

E a CPI que caminhava para ser sepultada, agora, ganha novo fòlego. Apesar dos tropeços da oposição.

Fonte: Cristiana Lôbo

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