Arquivo do mês: janeiro 2009

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Poesia

As Jóias

 

A amada estava nua e, por ser eu o amante,

Das jóias só guardara as que o bulício inquieta,

Cujo rico esplendor lhe dava esse ar triunfante

Que em seus dias de gloria a escrava moura afeta.

Quando ela dança e entoa um timbre acre e sonoro,

Este universo mineral que à luz fulgura

Ao êxtase me leva, e é com furor que adoro

As coisas em que o som ao fogo se mistura.

Ela estava deitada e se deixava amar,

E do alto do divã, imersa em paz, sorria

A meu amor profundo e doce como o mar,

Que ao corpo, como à escarpa, em ondas lhe subia.

O olhar cravado em mim, como um tigre abatido,

Com ar vago e distante ela ensaiava poses,

E o lúbrico fervor à candidez unido

Punha-lhe um novo encanto às cruéis metamorfoses.

E sua perna e o braço, a coxa e os rins, untados

Como de óleo, a imitar de um cisne a fluida linha,

Passavam diante de meus olhos sossegados;

E o ventre e os seios, como cachos de uma vinha,

Se aproximavam, mais sutis que Anjos do Mal,

Para agitar minha alma enfim posta em repouso,

Ou arrancá-la então à rocha de cristal

Onde, calma e sozinha, ela encontrara pouso.

Como se à luz de um novo esboço, unida eu via

De antíope a cintura a um busto adolescente

De tal modo os quadris moldavam-lhe a bacia.

E a maquilagem lhe era esplêndida e luzente!

– E estando a lamparina agora agonizante,

Como na alcova houvesse a luz só da lareira,

Toda vez que emitia um suspiro faiscante,

Inundava de sangue essa pele trigueira.

 

Charles Baudelaire

 

 O Poeta

 

 

Órfão de pai aos seis anos, Charles-Pierre Baudelaire (1821, Paris, França-1867, Paris) viria a odiar o segundo marido da mãe, o general Jacques Aupick (mais tarde, esse sentimento inspiraria sua atitude rebelde em face das convenções sociais e dos temas frívolos na poesia).

 

Após anos de desavenças com o padrasto, Baudelaire interrompeu os estudos em Lyon para fazer uma viagem à Índia. Na volta, participou da Revolução de 1848.

 

Após esse período conturbado, passou a freqüentar a elite aristocrática. Envolveu-se com a atriz Marie Daubrun, a cortesã Apollonie Sabatier e a também atriz Jeanne Duval, uma mulata por quem se apaixonou e a quem dedicou o ciclo de poemas “Vênus Negra”.

 

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Concerto para piano e orquestra em formas brasleiras – 1º Mov – Hekel Tavares

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Ao piano Arnaldo Cohen com a orquestra Petrobrás Sinfônica sob a Regência do Maestro Roberto Tibiriça, gravação ao vivo no Theatro Municipal do Rio de Janeiro em 2002.

Compositor, regente e arranjador, Hekel Tavares nasceu no dia 16 de setembro de 1896, em Satuba, interior de Alagoas. Ainda criança, estudou piano, harmônica e cavaquinho. Mas sua maior paixão era a música popular, principalmente a que vinha dos cantadores de desafios e dos reisados.

 

Já no Rio de Janeiro, após sua chegada em 1920, começou a estudar Orquestração a partir de 1921, com o maestro J. Otaviano.

Profissionalmente, sua estréia como compositor aconteceu em 1926, fazendo música para o teatro de revista, na peça carnavalesca ”Stá na Hora”, de Goulart de Andrade, no Teatro Glória. No ano seguinte lança Suçuarana (em parceria com Luís Peixoto) sua primeira composição de sucesso.

 

E foi também em uma parceria com o compositor Luiz Peixoto seu maior êxito popular com a música Casa de Caboclo gravada por Gastão Formenti na Parlophon em 1928.

 

No mesmo ano de 1928, Patrício Teixeira gravou Eu Ri da Lagartixa, também lançada na Parlophon.

 

No início da década de 30 Hekel Tavares compôs com muitos parceiros entre os quais Joraci Camargo com quem fez Favela e Leilão, Ascenso Ferreira (Chove!… chuva!…), com Álvaro Moreira (Bahia), Murilo Araújo (Banzo), com Luís Peixoto (Na Minha Terra Tem e Felicidade).

 

Em 1933, Jorge Fernandes registrou O Que Eu Queria Dizer ao Teu Ouvido (música de Hekel Tavares e Mendonça Júnior) e Guacyra (de Hekel Tavarese Joraci Camargo) na Odeon. Jorge Fernandes também gravaria Caboclo Bom (parceria com Raul Pederneiras), em 1942, na Columbia.

 

Hekel Tavares lançou sua primeira composição erudita, André de Leão e o Demônio de Cabelo Encarnado, tendo como base um poema de Cassiano Ricardo em 1935.

 

Autor de mais de 100 músicas – canção, toada sertaneja, maracatus, fox-trot, coco – obras sinfônicas, peças clássicas como Concerto Para Piano e Orquetra em Formas Brasileiras, de 1941 – obras para piano e violino -, coro misto, solistas e coros infantis em sua maioria com motivos folclóricos e regionais como em Engenho Novo, Bia-tá-tá, Anhangüera e Oração do guerreiro.

 

Hekel Tavares faleceu em 8 de agosto de 1969, no Rio de Janeiro.

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"É preciso estar sempre embriagado. Para não sentirem o fardo incrível do tempo, que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso. Com quê? Com vinho, poesia, ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se.”   Charles Baudelaire, Poeta ...

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