Arquivo do mês: agosto 2008

Poesia

A Harpa

Prende, arrebata, enleva, atrai, consola
A harpa tangida por convulsos dedos,
Vivem nela mistérios e segredos,
É berceuse, é balada, é barcarola.

Harmonia nervosa que desola,
Vento noturno dentre os arvoredos
A erguer fantasmas e secretos medos,
Nas suas cordas um soluço rola…

Tu’alma é como esta harpa peregrina
Que tem sabor de música divina
E só pelos eleitos é tangida.

Harpa dos céus que pelos céus murmura
E que enche os céus da música mais pura,
como de uma saudade indefinida.

Cruz e Sousa

O Poeta

João da Cruz e Sousa (1861-1898) nasceu em Desterro, atual Florianópolis. Filho de escravos alforriados pelo Marechal Guilherme Xavier de Sousa, seria acolhido pelo Marechal e sua esposa como o filho que não tinham.

Foi educado na melhor escola secundária da região, mas com a morte dos protetores foi obrigado a largar os estudos e trabalhar. Sofre uma série de perseguições raciais, culminando com a proibição de assumir o cargo de promotor público em Laguna, por ser negro.

Em 1890 vai para o Rio de Janeiro, onde entra em contato com a poesia simbolista francesa e seus admiradores cariocas. Colabora em alguns jornais e, mesmo já bastante conhecido após a publicação de Missal e Broquéis (1893), só consegue arrumar um emprego miserável na Estrada de Ferro Central.

Casa-se com Gavita, também negra, com quem tem quatro filhos, dois dos quais vêm a falecer. Sua mulher enlouquece e passa vários períodos em hospitais psiquiátricos. O poeta contrai tuberculose e vai para a cidade mineira de Sítio se tratar.

Morre aos 36 anos de idade, vítima da tuberculose, da pobreza e, principalmente, do racismo e da incompreensão.

ERRATA

Na notícia anterior, primeiro parágrafo, deve se ler: “A Câmara concluiu a votação da medida provisória que reajusta os salários de 1,4 milhão de servidores da administração” (…)

ÚLTIMA HORA

Sai o reajuste salarial dos servidores públicos

A Câmara concluiu a votação da medida provisória que reajusta os salários de 1,4 milhão de servidores da administração pública federal, entre civis, militares, aposentados e pensionistas. Os deputados haviam aprovado o texto-base da medida antes do recesso parlamentar, mas rejeitaram hoje os destaques pendentes que alteravam pontos do texto.

Servidores de 17 carreiras vão ser beneficiados com o reajuste se a MP for aprovada pelo plenário do Senado –para onde segue após a análise dos deputados. Os aumentos serão progressivos, com reajustes anuais até 2010 ou 2011, de acordo com cada setor beneficiado com a medida.

Serão beneficiados pela medida, estão docentes de universidades federais, servidores administrativos das universidades federais, servidores do Incra, do Hospital das Forças Armadas e de ministérios.

Militares

Em relação aos militares, o aumento salarial médio será de 47,19%. O reajuste será retroativo a janeiro de 2008 e será pago escalonadamente até julho de 2010. Já os 800 mil servidores civis beneficiados receberão reajustes que variam de 9% a 105%, de acordo com cada categoria.

Ficaram de fora

Apesar do extenso número de servidores contemplados com a medida, várias categorias acabaram não incluídas –como quatro mil servidores da Funasa (Fundação Nacional da Saúde) que reivindicam o direito de receberem indenizações pelo trabalho no combate à endemias.

Gabriela Guerreiro, Folha Online/ MS

OPINIÃO

Gilmar Mendes, desagravado, sem ter sido agravado

Por que a “denominação” dada de desagravo, se não houvera agravo? Houve leviandade do ministro Gilmar Mendes nos mais diversos e contraditórios pronunciamentos. E numa reunião pública (tão pública que foi televisada e fotografada), o presidente do Supremo se reuniu com o presidente da República, até compreensível e justificável, mas por que o ministro da Justiça e o ministro da Defesa? O próprio Gilmar Mendes deveria ter condicionado o encontro à presença do presidente do Congresso, Garibaldi Alves, só três pessoas, representando os Três Poderes.

Hélio Fernandes, jornalista

EXCERTO DE UM ESTUDO

AMAZÔNIA

No início do governo Collor, em 21 de março de 1990, em reunião ministerial com a presença dos líderes na Câmara dos Deputados e no Senado, o chefe do Gabinete Militar fez a defesa do Calha Norte, em face da reação de secretários de Governo, concluindo com as seguintes premissas e idéias-força:

“- Nossos limites territoriais são inquestionáveis;
– a exploração dos recursos naturais é economicamente viável e socialmente justa, desde que realizada corretamente sob o ponto-de-vista ecológico;
– as atividades ilícitas devem ser combatidas com rigor e persistência;
– a cultura amazônica deve ser obrigatoriamente respeitada e valorizada;
– a saúde e os costumes indígenas devem ser preservados;
– as ações governamentais devem ser integradas em todos os níveis – federal, estadual e municipal;
– para a manutenção de nossa soberania, esta região geopolítica precisa ser integrada ao contexto nacional, independentemente de pressões internacionais;
– é plausível a convivência harmônica entre o homem e a árvore, bem como entre os interesses geopolíticos e os ecológicos;
– dois extremos devem ser repudiados: a intocabilidade e a devastação.”

Porém, no governo Collor não se deu ao Calha Norte a mesma atenção recebida na gestão de seu antecessor. E daí para frente, por falta de vontade política, não se deu a tão relevante empreendimento o cuidado que merece quanto ao incremento de recursos indispensáveis à consecução de suas finalidades.

O general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, atual comandante Militar da Amazônia, levantou com ênfase a problemática de sua área de responsabilidade e deu um alerta à Nação despertando novas motivações, em todos os ambientes, para o enfrentamento de graves problemas locais.

Diógenes Dantas Filho, doutor em Planejamento e Estudos Militares

Comentário (III)

Justiça volta a enquadrar o MST

Graças a duas decisões judiciais, a estratégia do Movimento dos Sem-Terra (MST), de se negar a ter existência jurídica para evitar controles de órgãos oficiais e a responsabilização civil e penal por suas invasões e depredações, pode estar com os dias contados. A primeira decisão foi tomada há duas semanas pelo juiz federal Carlos Henrique Haddad, de Marabá (PA). A segunda acaba de ser anunciada pela juíza estadual Marcela Papa, da 1ª Vara de Martinópolis (SP).

Os dois magistrados condenaram o MST e entidades a ele vinculadas ao pagamento de multas por descumprimento de determinações judiciais. O juiz Carlos Haddad condenou três integrantes da entidade a pagarem R$ 5,2 milhões por terem liderado uma manifestação que bloqueou parte da Estrada de Ferro Carajás, pertencente à Vale do Rio Doce, em abril deste ano.

Opinião/Agência Estado

El Greco

Imagem de Toledo
Vista de Toledo

O Pintor

Domenikos TheotokópoulosEl Greco ( 1541, ilha de Creta, Grécia 1614, Toledo, Espanha), nasceu na antiga localidade de Cândia, atual Iráklio, capital da ilha grega de Creta, naquele momento pertencente à República de Veneza. Como cidadão veneziano, por volta de 1560 instalou-se nessa cidade italiana, onde trabalhou no ateliê de Ticiano. Em Veneza ele conheceu pintores como Tintoretto, Veronese e Bassano, assim como a obra dos pintores maneiristas do centro da Itália, entre eles Domenichino e Parmigianino.

Entre suas obras mais conhecidas desse período encontramos “A Cura do Cego”. Em 1570 o artista viajou para Roma onde tomou contato com pintores como Michelangelo, que marcaria profundamente sua carreira. Na Itália, ele ficou conhecido como Il Greco (o Grego). Vivendo no palácio do cardeal Alessandro Farnese, foi admitido na Academia de São Lucas em 1572. Tendo se manifestado contra o “Juízo Final”, de Michelangelo, pintado na Capela Sistina, contraiu a antipatia do meio artístico de Roma, o que o teria levado a partir para a Espanha.

A primeira encomenda que recebeu na Espanha foi um conjunto de pinturas para o altar-mor e dois altares laterais da igreja de São Domingos o Velho. O próprio desenho dos altares foi feito por El Greco, no estilo do arquiteto veneziano Palladio. O quadro realizado para o altar-mor foi a “Assunção da Virgem”, que também mostra a influência de Michelangelo. A relação de El Greco com o rei Filipe II e sua corte foi breve e mal-sucedida. Pintou a “Alegoria da Santa Liga” (“O Sonho de Filipe II”, de 1578-79) e o “Martírio de S. Maurício” (1580-82), obra rejeitada pelo próprio rei.

Aquela que é considerada sua obra-prima foi feita após este fracasso: “O Enterro do Conde de Orgaz” (1586-88, igreja de São Tomé, Toledo). O que caracteriza os últimos anos da vida de El Greco é o alongamento dos corpos das figuras, como na “Adoração dos Pastores”, feito entre 1612 e 1614, na “Visão de São João” ou na “Imaculada Conceição” pintada de 1607 a 1613.

Nas três paisagens que pintou, El Greco demonstrou sua tendência de dramatizar mais do que descrever, e no seu único quadro que tem a mitologia por assunto, o “Laokoon”, de 1610-14, mostrou dar pouca importância à tradição clássica. El Greco não deixou escola. Após sua morte, alguns artistas, incluindo seu filho, realizaram cópias dos seus trabalhos, mas de muito pouca qualidade. Sua arte era muito pessoal para sobreviver, mesmo porque o novo estilo que se estabelecia, o barroco, começava a impor-se com Caravaggio e Carracci. Hoje, muitas das obras do pintor encontram-se expostas no famoso Museu do Prado, em Madri.

Fonte: Uol Educação

CRÍTICA

A crítica que se deve fazer ao governo Lula é outra, por ter sido tão rápido e tão eficiente ao entregar os dois boxeadores cubanos de bandeja (ou melhor, de avião venezuelano) para o regime nada amistoso de Fidel Castro. Não por dar a Medina um status de asilado.

Eliane Cantanhede, jornalista (elianec@uol.com.br)

INFORMAÇÃO

O TSE já conta 10.423 candidatos inaptos a disputar neste ano-290 tentariam vaga de prefeito, 433 de vice e 9.700 de vereador.

Renata Lo Prete, jornalista (painel@uol.com.br)

OPINIÃO

A Constituição de 88 e duas décadas de regime democrático produziram novas gerações de juízes, promotores, delegados e agentes da PF empenhados e em condições de enfrentar a impunidade dos poderosos. Isso é novo e é muito bom.

A boa nova, porém, produz monstros quando se fica sabendo que a Justiça concedeu à PF acesso a todo o cadastro telefônico do país a pretexto de investigar a turma de Dantas. Isso também é novo e não é apenas muito ruim. É assustador.

Fernando de Barros e Silva, jornalista