Arquivo do mês: agosto 2008

Poesia

Renúncia

Chora de manso e no íntimo… Procura
Curtir sem queixa o mal que te crucia:
O mundo é sem piedade e até riria
Da tua inconsolável amargura.
Só a dor enobrece e é grande e é pura.
Aprende a amá-la que a amarás um dia.
Então ela será tua alegria,
E será, ela só, tua ventura…

A vida é vã como a sombra que passa…
Sofre sereno e de alma sobranceira,
Sem um grito sequer, tua desgraça.
Encerra em ti tua tristeza inteira.
E pede humildemente a Deus que a faça
Tua doce e constante companheira…

Manuel Bandeira

O Poeta

O recifense Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho mudou-se ainda jovem para o Rio de Janeiro. Em 1903, transferiu-se para São Paulo, onde iniciou o curso de engenharia na Escola Politécnica. No ano seguinte, abandonou os estudos por causa da tuberculose e retornou para o Rio, onde escreveu poesia e prosa, fez crítica literária e deu aulas na Faculdade Nacional de Filosofia. Por causa da doença, passou longos períodos em estações climáticas no Brasil e na Europa.

Entre 1916 e 1920, perdeu a mãe, a irmã e o pai. Em 1917, publicou “A Cinza das Horas”, de nítida influência parnasiana e simbolista. Dois anos depois, lançou “Carnaval”, fazendo uso do verso livre. Já se mostrava um dos precursores da linha modernista, e Mário de Andrade o chamaria de “São João Batista do modernismo brasileiro”. Apesar disso, em 1922, por não concordar com a intensidade dos ataques feitos aos parnasianos e simbolistas, não participou diretamente da Semana de Arte Moderna (nem sequer viajou para São Paulo). No entanto, seu poema “Os Sapos”, lido por Ronald de Carvalho na segunda noite do acontecimento, provocou muitas reações.

Nele, Bandeira se vale mais uma vez do verso livre, principal característica de sua obra:”Enfunando os papos,/ Saem da penumbra,/ Aos pulos, os sapos./ A luz os deslumbra./ Em ronco que aterra,/ Berra o sapo-boi:/ ‘Meu pai foi à guerra!’/ ‘Não foi!’ – ‘Foi!’ – ‘Não foi!'” Com “O Ritmo Dissoluto” (1924) e “Libertinagem” (1930), temos um poeta totalmente integrado no espírito modernista. “Libertinagem” apresenta alguns poemas fundamentais para entender a poesia de Bandeira: “Vou-me embora pra Pasárgada”, “Poética”, “Evocação do Recife” e outros.

Aparecem ali seus grandes temas: a família, a morte, a infância no Recife, os indivíduos que compõem as camadas mais baixas da sociedade.Apesar dos amigos e das reuniões na Academia Brasileira de Letras (para a qual foi eleito em 1940), Bandeira viveu solitariamente. Mesmo sendo um apaixonado pelas mulheres, nunca casou: dizia que “perdeu a vez”. Morreu aos 82 anos, de parada cardíaca – e não de tuberculose, a doença que o acompanhara durante parte tão grande de sua vida.

Joseph Turner

Turner - Keelman Heaving in Coals by Night
Keelman Heaving in Coals by Night


O Pintor

Joseph Mallord Willaim Turner (Inglaterra, 1775-1851) original e brilhante, Joseph Turner foi um dos maiores pintores britânicos. Famoso já aos 30 anos, era figura de destaque na Academia Real inglesa. Mas nunca deixou de ser um homem áspero e solitário, conhecido também por seu desleixo no vestir e por certa avareza.

Criado em Londres, viveu fascinado pelo Tâmisa: a água e os barcos, juntamente com os efeitos da luz, sempre foram sua inspiração maior. A área da cidade às margens do rio foi o local que escolheu para viver. Mas viajava muito — pela Grã-Bretanha e pelo resto da Europa —, em busca de novas paisagens para pintar. Quando morreu, aos 76 anos, deixou um imenso legado que totaliza mais de 20.000 obras, entre esboços, óleos e aquarelas.

Joseph Mallord William Turner nasceu Londres em 23 de abril de 1775. Seu pai era barbeiro, e sua mãe, filha de um açougueiro. A família morava sobre a barbearia, em Maiden Lane, Covent Garden, uma área da capital inglesa que, tal como ainda hoje, estava estreitamente ligada às artes.

Pouco se sabe a respeito de sua mãe, apenas que era propensa a ataques nervosos que a levariam à loucura: internada por insanidade no Hospital Bethlem, em 1790, viria a morrer quatro anos depois, num asilo particular. Turner jamais a mencionaria em sua vida adulta.

Josias de Souza comenta

Comece-se com um aviso. Vai-se tratar aqui de um assunto chato, enfadonho, aborrecido: o conteúdo –ou a falta dele—na campanha municipal.

As engrenagens da campanha foram postas em movimento. Porém, por ora, só veio à tona a politicagem.

Primeiro, a formação das composições partidárias. Normalmente, alianças com fins lucrativos.

Período em que cada candidato assume ares de compositor. Compõe com qualquer um. Passada a fase do quem leva o quê…

Leia mais em Ausência de conteúdo transforma eleição em loteria

charge do Henrique

Fonte: chargeonline.com.br/Henrique

OPINIÃO

Decisão moralizadora, mas contraditória do STF

Numa decisão de sentido moralizador, mas contraditória em sua essência, quarta-feira passada o Supremo Tribunal Federal, com base no voto do relator da matéria, ministro Ricardo Lewandowski, decidiu proibir a contratação de parentes dos próprios magistrados, governadores, prefeitos, deputados, senadores, vereadores e dirigentes de empresas estatais, na administração pública em geral. A decisão abrange os cargos comissionados e as funções de confiança. O STF expediu súmula vinculante a ser cumprida em todo o País. Só o presidente e os governadores ficam de fora da limitação, quando se tratar de nomeação de ministros e secretários de estado. Por quê?

Pedro do Coutto, jornalista

Comentário (I)

ESPOLIAÇÃO

Rigorosamente verdadeiro: a remessa de lucros das multinacionais para o exterior, só no primeiro semestre, chegou ao total de 20 bilhões de dólares. (Arredondando). Como esses lucros estão crescendo assustadoramente, a palavra é essa, a expectativa é que somando as remessas do segundo semestre o total chegue a 50 bilhões. Espantoso e absurdo.

Como não pagam nada, remetem tudo de graça, o prejuízo é crime de lesa-pátria. Nos EUA (e em outros países) cada dólar que é remetido como lucro deixa, como taxação, 35 por cento. Essas remessas de lucros justificaram muitos golpes e ditaduras no passado. Vários presidentes eleitos na América foram derrubados por insistirem em taxar essas remessas, um risco.

Carlos Chagas, jornalista

Miriam Leitão comenta

O estatismo do governo Lula faz jorrar idéias diárias desde a descoberta do petróleo no muito fundo do mar. A ideologia é tão distante no tempo quanto é profundo o novo petróleo brasileiro. O governo já falou em criar uma nova estatal, acabar com as licitações, suspender o pagamento de royalties aos estados, endividar-se por conta, e outras idéias não refinadas da lavra do ministro de Minas e Energia.

O ministro Edison Lobão teve um momento de lucidez desde que foi escolhido para o cargo: foi quando admitiu seu desconhecimento na área, que tentava vencer, segundo disse, informando-se pelos jornais. Desde então, ele foi catapultado a especialista do complexo mundo do petróleo.

Nunca a imprensa ministrou um curso tão eficiente e rápido. Doutorado instantâneo, ele virou porta-voz do grupo de cinco sábios que se reúne entre quatro paredes para decidir o que fazer com a riqueza do petróleo do Pré-Sal.

Clique em Pré-históricos para ler na íntegra.

Paula Toller – À noite sonhei contigo

Frase da vez_1/23

“…não tem nada a ver convocar Greenhalgh e Gilberto Carvalho.”

Deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ) retirando a operação Satiagraha da CPI do Grampo

Brasil vence os EUA e conquista ouro no vôlei feminino

Ouro para o Brasil

Fonte: Uol News