Arquivo do mês: julho 2008

EXTRATO

Nunca é demais falar de Dercy Gonçalves

Depois de mais de um século de vida e de 85 anos nos palcos e nas telas, Dercy Gonçalves viajou para a eternidade. Foi uma atriz extraordinária que pertence ao universo da representação livre e descontraída, durante uma época desafiadora de conceitos e barreiras. Brilhava no teatro de revista. Até que seu grande talento, agressivo e dinâmico, foi descoberto pelo diretor Anselmo Duarte, há uns cinqüenta anos, no filme “Este milhão é eu”.

Nesse ponto foi que seu desempenho vibrante e versátil passou a ser visto através de uma lente melhor. Para o teatro, para o cinema brasileiro, para a televisão, foi uma presença mais importante do que possa se considerar à primeira vista. Ela, no fundo, viveu abraçada ao palco e à arte. Disse que fazia parte do universo natural, espontâneo, intuitivo, de representar o papel de si mesma, assim escrevendo sua própria história.

Revelou sua visão ao falar de Fernanda Montenegro, Cleide Iáconis, Marília Pêra, Grande Otelo. Definições precisas de grande percepção. Os entrevistadores perguntaram: “E Grande Otelo na comédia?” Ela respondeu: “Grande Otelo nunca foi comediante. Ele foi um ator dramático na comédia”. Não esqueço esta bela e clara frase no adeus a Dercy Gonçalves.

Pedro do Coutto, jornalista

POLÊMICA

Críticas ao projeto que criminaliza a Internet

As empresas provedoras de acesso à internet decidiram comprar briga com os parlamentares que defendem o Projeto de Lei 89/2003, que pretende definir os novos tipos de crimes praticados por meio da internet. No centro da polêmica estão os senadores Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e Aloizio Mercadante (PT-SP), que reformularam o projeto que está na Câmara, após ter passado pelo Senado.

FRASE DA VEZ_2/25

“A PF está dividida. Essa fratura manchou uma operação que tinha tudo para ser perfeita e jogou o desgaste do afastamento do delegado Protógenes Queiroz no colo do governo, sobrando até para o presidente Lula”.

Valdo Cruz, jornalista

DOIS MUNDOS

Um extraterrestre em Brasília

A gente fica pensando se vivemos, governo e sociedade, em dois mundos diferentes. Em dimensões que não se toca, a não ser quando algum ET consegue transpô-las. Aliás, corre em Brasília a história de que quando um deles apareceu em recente reunião do ministério, ao deparar-se com Mangabeira, teria exclamado: “Papai!…”

Carlos Chagas, jornalista

SATIAGRAHA

Chefe na PF queria saber quem seria preso

Em ofícios a Justiça e Ministério Público, o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, que deixou a chefia da Operação Satiagraha, apontou “obstrução à investigação” e citou Paulo de Tarso Teixeira, seu chefe. Segundo Queiroz Teixeira e Leandro Coimbra, superintendente da PF em SP, exigiram na véspera da ação a lista dos que seriam presos, o que não seria um procedimento de rotina. A PF não quis comentar.

Procuradoria acusa ex-presidente do Ibama de improbidade administrativa

O Ministério Público Federal no Distrito Federal entrou com uma ação civil pública na Justiça Federal contra o ex-presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) Marcus Barros por improbidade administrativa.

Barros é acusado de ter contrariado o decreto presidencial que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente e uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), ao emitir a licença ambiental de instalação para as obras de transposição do rio São Francisco em março de 2007.

No documento, o procurador da República Francisco Guilherme Bastos alega que Barros tinha consciência da irregularidade que consistia a emissão da licença de instalação sem a análise dos projetos executivos e a realização de novas audiências públicas.

Segundo a Procuradoria, Barros havia informado que os projetos executivos já tinham sido analisados, o que posteriormente teria se mostrado inverídico.

O Ministério Público pede a condenação de Barros a pagamento de multa, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios fiscais ou creditícios por cinco anos.

A reportagem entrou em contato com a assessoria do Ibama, mas ainda não obteve uma resposta sobre a ação contra o ex-presidente.

Fonte: Folha Online

Lucia Hippolito comenta

Taxiando na pista

A grande novidade da pesquisa Datafolha divulgada ontem é que… não há novidades.
A campanha ainda está fria, ainda não “mordeu” o eleitor. Isto se comprova facilmente pelo número de indecisos, nulos, brancos, “não sei” etc.

A verdade é que as campanhas eleitorais brasileiras são muito longas, o que as torna também muito caras. Por isso, é boa notícia o fato de que a campanha ainda está na fase de aquecimento.
Tudo começa a mudar quando se inicia o horário eleitoral gratuito de propaganda no rádio e na TV.

Não que o eleitor interrompa tudo o que está fazendo para se imobilizar diante do rádio e da TV. Como sabemos, os programas eleitorais nunca foram, propriamente, campeões de audiência. Nem em eleições presidenciais.

Mas o início da propaganda no rádio e na TV marca o verdadeiro início da campanha eleitoral.
A despesa maior de uma campanha está justamente aí, nos programas de rádio e TV. Até pouco tempo, marqueteiros caríssimos promoviam verdadeiros shows de criatividade ($$) e de igual falsidade. Os exemplos da campanha eleitoral de Fernando Collor ainda estão vivos na nossa memória.

Mas a propaganda no rádio e na TV mostrou-se também um importante veículo para o trânsito do caixa 2 em campanhas eleitorais. E aí, a atuação do marqueteiro Duda Mendonça na campanha do presidente Lula em 2002 permanece como caso exemplar de uso do caixa 2, pagamento em contas abertas em paraísos fiscais.

E todo o rosário de ilegalidades. Espera-se em 2008 uma campanha menos dispendiosa e, se possível, menos falsa.

O eleitor parece meio enjoado desses esquemas.

Arnaldo Jabor comenta

Reunião de Doha não dá em nada

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Charge do Junião

Fonte: chargeonline.com.br/Junião

FATOS DA HISTÓRIA – há 42 anos…

25/07/1966 – Bomba explode no aeroporto de Recife

Uma bomba explodiu na Estação de Passageiros do Aeroporto Internacional de Guarapes, em Recife, onde cerca de 300 pessoas esperavam o Marechal Costa e Silva. Quase simultaneamente com a explosão no Aeroporto, duas outras bombas de forte poder de expansão explodiram, uma no Serviço de Filmes da Agência para o Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (USAID) e a outra na sede da União Estadual dos Estudantes, mas sem provocar maiores danos materiais e pessoais.

JB

A bomba que explodiu no Aeroporto estava dentro de uma maleta deixada junto ao balcão de bagagens em desembarque. Essa maleta havia sido notada pelo guarda-civil Sebastião Tomás de Aquino, e, ao retirá-la do local, a bomba explodiu.

Morreram além do guarda-civil, o Almirante Nélson Fernandes, Diretor da Companhia Hidrelétrica do São Francisco e o jornalista Édson Régis, ex-secretário de Estado em Pernambuco. O ex-secretário de Segurança de Pernambuco, Coronel Sílvio Ferreira perdeu os dedos da mão esquerda e mais 15 pessoas ficaram gravemente feridas.

A chegada do Marechal Costa e Silva ao Aeroporto estava prevista para a hora da explosão, mas uma pane no avião em que viajava obriou-o a dirigir-se de João Pessoa para Recife em automóvel.

Um movimento revolucionário

Com a eclosão do terrorismo, o movimento estudantil começou a se radicalizar em enfrentar o governo. Politizados e ideologicamente conduzidos, os estudantes foram levados a sucessivas greves e manifestações de rua até ao desencadear o enfrentamento generalizado.

Nos meios políticos considerou-se que as explosões ajudaram a linha dura em seus argumentos em favor de um regime mais forte. Foi determinada a prisão de todos os suspeitos pelo General Antônio Carlos Murici: “pois depois é que se verá quem é grego e quem é troiano”.

Fonte: CPDOC/JB