Arquivo do mês: junho 2008

Artigo saído n’ O JORNAL DE NATAL. Nas bancas

O triunfo do peleguismo

MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br


Por mais reacionário que seja mesmo um anticomunista fossilizado incapaz de compreender os novos tempos advindos com o fim da URSS, não pode deixar de reconhecer o mérito do movimento sindical e suas conquistas no correr da História. E admitir a importância da atuação neles dos anarquistas, socialistas e comunistas.

Estes idealistas cometeram, sem dúvida, erros de avaliação ou seguiram posições estranhas ao interesse dos trabalhadores, mas não se corromperam vendendo-se aos patrões, nem se deixaram cooptar – por vantagens ou intimidações – pelos governos burgueses.

À sua época, eram respeitados pelos próprios adversários. Lembro-me de um marceneiro, Roberto Morena, dirigente sindical da categoria, eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro numa época de duras perseguições aos comunistas e à esquerda em geral.

Morena foi brilhante no exercício do mandato parlamentar. Tanto, que a direita da Câmara dos Deputados apoiou uma homenagem a ele dedicada quando o Tribunal Superior Eleitoral, formado por sabujos da aristocracia feudal paulista e mineira, cassou o registro eleitoral de sua candidatura à reeleição.

Realizou-se um ato de veneração e respeito e, agradecendo, Morena arrancou lágrimas de muitos presentes quando discursou, lembrando: “Eu ajudei a fazer, com minhas mãos, as cadeiras do plenário desta Casa e nunca sonhei em sentar nelas detendo um mandato. Pensei em continuar como trabalhador e lutar pela emancipação de minha classe”.

Infelizmente o movimento sindical foi se degenerando pouco a pouco e viu-se sua liderança ocupada por arrivistas e oportunistas. Um dos representantes dessa espécie foi Joaquim dos Santos Andrade – o Joaquinzão – fundador do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e depois “dono” da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria – CNTI.

Os jovens metalúrgicos apontavam Joaquinzão como exemplo da corrupção que corroia o movimento sindical nos anos 70 e 80 do século passado. Ele foi precursor do “sindicalismo de resultados” mais tarde praticada pelo seu sucessor, Luiz Antônio de Medeiros que criou a Força Sindical e ocupa hoje alto cargo no Ministério do Trabalho, exibindo não sei quantas comendas e medalhas civis e militares. E é um homem abastado.

Joaquinzão, entretanto, morreu pobre. Fez muitas maracutaias organizando greves e negociando com os patrões seu amolecimento. Mas tem o mérito de ter sido o único presidente de sindicato de metalúrgicos em São Paulo a protestar pela morte do operário Manuel Fiel Filho, assassinado no DOI-Codi do então 2º Exército.

O atual presidente da República, Lula da Silva, começava a vida de pelego naquela época. Malandríssimo esqueceu um dedo sob a prensa e se aposentou jovem. Hoje ele recebe junto com aquela aposentadoria prematura, os vencimentos de Presidente e os cartões corporativos, uma pensão de quase R$ 6 mil por dois dias que esteve preso numa cela especial.

Alguém já escreveu que ele é que deveria pagar aos que lhe prenderam pelo marketing extraordinário que oportunizaram aos obreiristas da USP e garantir-lhe prestígio para manter uma efetiva liderança sindical e política.

Os companheiros de partido do Presidente têm mostrado a que vieram. Entre as sanguessugas, mensaleiros e aloprados, destaca-se um tarefeiro especial do PT, Delúbio Soares, indicado para o Codefat. O Codefat – Conselho do Fundo de Amparo ao Trabalhador – é uma máquina de fazer dinheiro para os pelegos, e já teve Paulinho da Força como presidente.

Este Paulinho das fraudes do BNDES que usou o sindicato caça-níqueis entre o patronato paulista e depois a central como trampolim político. Sua escola de pelegagem é a mesma dos que chegaram ao poder com Lula e sobre eles só tem um mérito: não ingressou no PT, que o faria trair um discurso de 25 anos.

Em pleno triunfo do peleguismo ingressou no PDT onde dá as cartas depois da morte de Brizola, quando o partido virou o “c” de Mãe Joana. Mas tem um senão: podem acusá-lo de tudo, menos de ter sido brizolista. Graças a Deus.

NOTICIÁRIO

PETROBRAS – A Petrobras mudou a estratégia e decidiu buscar novas descobertas de petróleo em blocos que têm prazos exploratórios expirando, em vez de quantificar o volume das jazidas que já encontrou na Bacia de Santos, revela, em entrevista exclusiva, o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli.

CORRUPÇÃO – A Polícia Federal e o Ministério Público Federal investigam deputados estaduais e federais do Rio de Janeiro suspeitos de participarem de um esquema de corrupção para alimentar um caixa dois de campanha eleitoral.

JUROS ALTOS – Às véspera da reunião do Copom que definirá o rumo da taxa básica de juros (Selic) o mercado financeiro divide as apostas entre alta de 0,5 e 0,75 ponto percentual.

AMAZÔNIA – Para o sertanista José Carlos Meirelles, coordenador da Frente de Proteção Etno-Ambiental do rio Envira, no Acre, índios isolados no Brasil correm o risco de “desaparecimento cultural”. Ele culpa a falta de recursos da Funai e o fato de as grandes decisões sobre Amazônia serem chanceladas “no Sul maravilha, sem o povo [da floresta]”.

BIOGRAFIA – Paulo Maluf conta a sua história: Livro de um dos políticos mais controvertidos do País descreve a sua participação no regime militar, revela bastidores da prisão por 40 dias e fala de sua intimidade.

EMBRIÕES – A histórica decisão do STF em favor das células-tronco embrionárias revoluciona a medicina brasileira e abre a possibilidade de cura a milhares de pacientes.

GRILEIRO – PF e Abin investigam Johan Eliasch, o grileiro sueco da Amazônia, e várias ONGs por fraudes em terras públicas ricas em ouro e diamantes, biopirataria e lavagem de dinheiro.

RISCO BRASIL

Apenas Moodys não confia e dá nota Ba1

O Brasil conseguiu ontem mais um selo de segurança para o investidor estrangeiro. Um mês após a Standard & Poors elevar a nota da dívida brasileira em moeda estrangeira de BB+ para BBB-, no menor nível do grau de investimento, a Fitch seguiu o mesmo caminho e elevou a classificação do País, que agora é considerado especulativo apenas pela Moodys, com nota Ba1.

PENITENCIÁRIAS

População carcerária dobra em um ano

As prisões brasileiras estão a ponto de explodir. Em um ano, a população carcerária do país praticamente dobrou: dos 217 mil presidiários em 2007 para os atuais 422 mil internos. O acréscimo significa que as penitenciárias recebem 200 presos a mais em relação aos que saem. A superlotação é o mais grave e antigo dos problemas, já que são só 245,4 mil vagas, um déficit de 41%.

JORNALISTAS

Polícia sabe quem torturou equipe do “Dia”

O Secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, revelou ontem que os milicianos responsáveis pelo seqüestro e tortura de uma equipe do jornal O Dia, na Favela do Batan, em Realengo, já foram identificados, incluindo policiais. O paiol de armas do grupo também foi descoberto. O ministro interino da Justiça, Luiz Paulo Barreto, ofereceu a ajuda do governo federal nas investigações.

CORRUPÇÃO

Rosinha recebeu dinheiro do crime organizado

A Procuradoria Regional da República acusa a ex-governadora do Rio Rosinha Matheus e o deputado estadual e ex-chefe de Polícia Civil Álvaro Lins (PMDB), entre outros políticos, de terem recebido doações ilegais de quadrilhas de caça-níqueis e do jogo do bicho. Rosinha é mulher do ex-governador Anthony Garotinho, denunciado no caso. As doações teriam ocorrido entre 2001 e 2002, ano em que Rosinha foi eleita. A afirmação consta da denúncia, que levou à decretação da prisão de dez pessoas na semana passada. Rosinha aparece como beneficiária de R$ 1,6 milhão, recebido na casa do “principal contador da máfia dos caça-níqueis e do jogo do bicho”.

APOSENTADOS

PT-governo investe contra os servidores públicos

O governo vai enviar ao Congresso, até o fim do ano, um projeto propondo que as regras de aposentadoria dos funcionários públicos sejam as mesmas que já vigoram para os trabalhadores da iniciativa privada. A idéia é que se adote para a aposentadoria dos servidores o limite de dez salários mínimos aplicado às aposentadorias do INSS. Esse teto equivale hoje a R$ 4.150. Se o projeto for aprovado, a mudança valerá apenas para quem ingressar no serviço público após a promulgação da lei. Quem já está na ativa poderá continuar a se aposentar com o último salário, geralmente acima do teto do INSS.

CARTÕES CORPORATIVOS

Fim melancólico da CPI mista

O fim melancólico da CPI dos Cartões Corporativos aponta uma tendência do Congresso: esfriar investigações desse tipo. A razão é que o governo, escaldado pelos efeitos da CPI dos Correios, reorganizou sua base de apoio para formar ampla maioria. Hoje a base conta com 14 partidos, o que permitiu a indicação de parlamentares ultra-fiéis ao Planalto para compor a CPI dos Cartões.

MANCHETES do dia_3.jun.08

FOLHA DE SÃO PAULO – Desmatamento cresce e Minc quer prender bois

O GLOBO – Amazônia perdeu em abril área equivalente à do Rio

TRIBUNA DA IMPRENSA – Governo gasta R$ 168 milhõesna compra
de dois aviões

CORREIO BRAZILIENSE – A barganha pela CSS na Câmara

DIÁRIO DE NATAL – Polícia detem Bando que aterroriza região oeste

JORNAL DO BRASIL – Amazônia perde 1.123 km2 de mata

VALOR ECONÔMICO – Líderes governistas criticam Temporão

ESTADO DE SÃO PAULO – Em 1 mês, Amazônia tem área
desmatada do tamanho do Rio

JORNAL DO COMMERCIO (PE) – Alta de alimentos faz cesta básica
disparar no Recife

GAZETA MERCANTIL – Governo já duvida da aprovação da CSS

TRIBUNA DO NORTE – Seminário cobra pressa em projetos de
infra-estrutura

A TARDE – Rei do crime tinha R$ 200 mil na cadeia

ZERO HORA – Marta deve deixar ministério amanhã

ESTADO DE MINAS – Governistas ameaçam votação da CSS

Poesia

Ao desconcerto do Mundo

Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.

Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.

Luís de Camões

O Poeta

“Viajante, letrado, humanista, trovador à maneira tradicional, fidalgo esfomeado, numa mão a pena e noutra a espada, salvando a nado num naufrágio, manuscrita, a grande obra da sua vida, Camões assumiu e meditou a experiência de toda uma civilização cujas contradições viveu na sua carne e procurou superar pela criação artística”.

Este comentário foi feito por dois grandes historiadores da literatura portuguesa, Antonio José Saraiva e Oscar Lopes, apontando a grandeza de um dos maiores poetas de todos os tempos, Luís de Camões.A vida de Camões está envolta em lendas. Não se tem certeza de todos os dados, sendo muitos deles baseados em suposições. Nascido por volta de 1524 de uma família da pequena nobreza, Luís Vaz de Camões recebeu uma educação esmerada, tendo provavelmente cursado Artes em Coimbra.

Apesar da fama e do prestígio como poeta, seus últimos anos foram de miséria. Morreu em 1580 e seu enterro foi pago por uma instituição de caridade, a Companhia dos Cortesãos.