Arquivo do mês: junho 2008

CASO VARIG

Ex-diretora da Anac acusa Dilma Rousseff

O fundo Matlin Patterson, que participou da compra da Varig, negou, hoje, acusações formuladas na imprensa ao longo de todo o dia. Uma ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) acusou, hoje, a ministra Dilma Rousseff de interferir na venda da Varig para favorecer um grupo que estava interessado na compra. A denúncia foi publicada no jornal ‘O Estado de São Paulo’ e também envolve o advogado Robeerto Teixeira, que é amigo pessoal do presidente Lula da Silva.

IMPOSTO

Senado deverá derrotar a nova CPMF

O clima na base aliada diante da perspectiva de chegada ao Senado da proposta que cria a CSS é de desânimo. Líderes governistas culpam a bancada do PT na Câmara pela ressurreição da CPMF. Acham que o assunto dará palanque à oposição, que andava apagada.Embora desta vez sejam necessários menos votos do que em dezembro passado, pois não se trata de emenda constitucional, a conta dos líderes não é das mais otimistas. Dos 45 senadores que votaram a favor da prorrogação da CPMF, pelo menos seis já manifestaram restrições ao novo imposto: Renato Casagrande (PSB-ES), Osmar Dias (PDT-PR), Gerson Camata (PMDB-ES), Patrícia Saboya (PDT-CE), Francisco Dornelles (PP-RJ) e Flávio Arns (PT-PR).

Renata Lo Prete (painel@uol.com.br)

AMAZÔNIA

O surpreendente desmatamento

Não provocou a menor surpresa a notícia de que só em abril último se desmataram na Amazônia 1.123 km², praticamente a área do Rio de Janeiro. Também não surpreendeu ninguém a informação de que o desmatamento acumulado na região, nos nove meses a contar de agosto do ano passado, destruiu a cobertura vegetal de 5.850 km² – quase o quádruplo da cidade de São Paulo.

Isso representa um acréscimo de 15% em relação ao período de 12 meses terminado em julho de 2007 e reverte a tendência de queda dos três anos precedentes – ao mesmo tempo que mostra que essa oscilação de tendências não é conseqüência de qualquer ação do governo.

Em duas décadas, a motosserra abateu algo como 17% dos 4 milhões de km² da maior floresta tropical do globo. Ou, como prefere o engenheiro Gilberto Câmara, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), cujos dados provêm de dois sistemas de monitoramento por satélite, “é um campo de futebol arrasado a cada 10 segundos”.

Editorial da FSP

CONTRATAÇÕES

MP processa presidente da Funasa

O Ministério Público Federal no DF entrou com ação civil pública contra Danilo Bastos Forte, presidente da Funasa, por improbidade administrativa. A Procuradoria questiona a contratação de 295 funcionários terceirizados. Para a procuradora da República Ana Carolina Roman, há incompatibilidade entre a cessão de servidores e a contratação de terceirizados. A Funasa gastou em 2007 cerca de 80% do orçamento com pessoal.

EXCEÇÃO

Garibaldi combate medidas provisórias

Durante sessão de homenagem aos duzentos anos da instalação da imprensa no Brasil, o presidente do Senado, Garibaldi Alves, aproveitou para contundente pronunciamento contra as medidas provisórias. Pediu a ajuda dos jornalistas e não poupou o governo, lembrando que ano passado, das 145 sessões deliberativas realizadas pelo Senado, 89 apresentavam-se com a pauta trancada, por conta da obrigação dos senadores de apreciar os ucasses do trono.

Para Garibaldi, o regime democrático transformou-se num regime de exceção, onde o poder Executivo paralisa as atividades legislativas com intromissões que na maioria dos casos não apresentam urgência nem relevância. Garibaldi Alves denunciou que o governo recebeu e aplicou 126 bilhões de reais por conta das medidas provisórias. Acredita que esse dinheiro terá tido destino correto, mas garantir, quem garante?

Carlos Chagas, jornalista

MANCHETES de hoje_5.jun.08

FOLHA DE SÃO PAULO – Ex-diretores da Anac acusam
Dilma no caso Varig

O GLOBO – Dilma enfrenta agora acusação sobre Varig

TRIBUNA DA IMPRENSA – Ex-diretora da Anac diz ter
provas contra Dilma

CORREIO BRAZILIENSE –Governo vai atrasar reajuste
de servidor

DIÁRIO DE NATAL – Quadrilha presa em SC por jogo ilegal
tinha filiais em Natal

JORNAL DO BRASIL – Dilma volta à berlinda

VALOR ECONÔMICO – Índios valem tanto quanto operários,
diz Marina no Senado

ESTADO DE SÃO PAULO – Ex-diretores confirmam pressão
da Casa Civil

JORNAL DO COMMERCIO (PE) – Taxa de juros sobe meio ponto
e ciclo de alta deve continuar

GAZETA MERCANTIL – Oposição quer investigar caso VarigLog

TRIBUNA DO NORTE – Proteção ambiental no RN
é considerada insuficiente

A TARDE – BC aumenta juros para conter inflação

ZERO HORA – Juro sobe 0,5 em tentativa de conter
a inflação

ESTADO DE MINAS – Governo volta a blindar Dilma

URGENTE

Nova taxa de juros é a maior do mundo

O Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, decidiu por unanimidade elevar a Serlic (taxa básica de juros) em 0,5 ponto percentual, de 11,75% para 12,25% ao ano. O avanço da inflação pesou na decisão. O país continua com a maior taxa real de juros do mundo, entre as principais economias.

Essa foi a segunda elevação seguida dos juros (na última reunião do Copom, em abril, a taxa subiu de 11,25% para 11,75%).A nova taxa de 12,25% valerá pelos próximos 45 dias. O encontro seguinte do comitê ocorrerá nos dias 22 e 23 de julho.

(UolNews/MS)

Poesia

O QUARTO BRANCO

O óbvio é difícil
de provar. Muitos preferem
o oculto. Eu também preferia.
Eu escutava as árvores.

Elas guardavam um segredo
que estavam prestes
a me revelar —
e não o fizeram.

Veio o verão. Cada árvore
de minha rua tinha sua própria
Xerazade. Minhas noites
faziam parte de suas histórias
selvagens.

Entrávamos em casas escuras,
casas sempre mais escuras,
silenciosas e abandonadas.
Havia alguém de olhos fechados
nos pisos superiores. O medo e o fascínio
me mantinham bem desperto.

A verdade é nua e crua, disse a mulher
que sempre se vestiu de branco.
Ela não saiu muito de seu quarto.
O sol apontava uma ou duas coisas
que tinham sobrevivido intactas na longa noite.

As coisas mais simples,difíceis em sua obviedade.
Essas não faziam barulho.
Era um dia do tipo que as pessoas chamam “perfeito”.
Deuses disfarçados de grampos de cabelo,
espelho de mão,um pente com um dente faltando?
Não! Não era isso.

Apenas as coisas como são,
mudas, imóveis, sem piscar,
naquela luz brilhante —
e as árvores esperando a noite.

Charles Simic (Tradução: Carlos Machado)

O Poeta

Nascido em Belgrado, Iugoslávia, em 1938, o poeta, tradutor e ensaísta americano Charles Simic mudou-se para Paris aos 15 anos. Em 1954, com a mãe e um irmão, transferiu-se para os Estados Unidos a fim de se juntar ao pai, que já residia lá. Seus primeiros poemas foram publicados em 1959, mas sua estréia em livro deu-se em 1967, com o volume What The Grass Says (O que diz a relva).

Professor de inglês, poeta consagrado, Simic ganhou o prêmio Pulitzer de 1990 com o livro The World Doesn’t End (O mundo não se acaba). Como tradutor, publicou várias coletâneas de poemas vertidos para o inglês de idiomas como francês, sérvio, croata, macedônio e esloveno.
A infância vivida nos duros anos da Segunda Guerra Mundial representou uma experiência marcante para Simic e que certamente influencia até hoje seu trabalho poético.

“Em 6 de abril de 1941, uma bomba caiu sobre um edifício bem em frente a minha casa. Lembro que me tirou da cama. É minha primeira recordação”, conta ele numa entrevista publicada pela revista Agulha (em espanhol). Um traço que a crítica costuma apontar na poesia de Simic são as imagens surrealistas, com a recorrência de termos como árvores, deuses, demônios e escuridão.

No entanto, não há em seus versos as invenções delirantes dos surrealistas clássicos. Seus textos procuram extrair o que pode haver de absurdo ou fantástico nas coisas comuns. Um exemplo disso é dado pelo poema “The White Room” (O Quarto Branco). Nele, Simic busca o transcendente naquilo que é óbvio e está ao alcance da mão. Mas o poeta recusa a idéia de deuses metamorfoseados em objetos do dia-a-dia: grampos de cabelo, pentes, espelhos de mão.

Isso certamente não ajuda a entender o mundo. O poema “The White Room” pertence ao volume The Book of Gods and Devils, de 1990. Desse mesmo livro de deuses e demônios extraí o poema “In The Library” (Na biblioteca). Amante dos livros, o poeta vê neles deuses e anjos amontoados que parecem sussurrar coisas — somente para os íntimos. Numa entrevista concedida em 1972, Simic declara: “A poesia é órfã do silêncio. As palavras nunca correspondem exatamente à experiência que está por trás delas”.

É como se o silêncio fosse um mundo ou uma dimensão perdida que a poesia procura resgatar. Embora seja hoje uma das vozes mais originais e influentes na poesia americana, Simic não é conhecido no Brasil. Aqui, ninguém nunca se interessou em publicar uma antologia com poemas dele.

BOVESPA

Ações caem aguardando decisão do Copom

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou pela terceira sessão seguida em queda. O Ibovespa, principal índice de referência das ações brasileiras, recuou 1,91%, a 68.673,13 pontos, em reflexo ao recuo acentuado dos preços de commodities, que tem a Petrobras e a Vale como principais expoentes. Os investidores preferiram ficar de fora dos negócios em dia de expectativa da decisão sobre a taxa de juros básica da economia brasileira, a Selic.

MARACUTAIA

Em suspeita a venda Varig e da VarigLog

A ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Denise Abreu, afirmou ter provas sobre o favorecimento de um fundo americano pela Casa Civil na compra da Varig. Denise afirmou esperar agora “algumas mentiras, algumas inverdades”, que, segundo, “vão tentar desqualificar a minha fala para fazer com que a população não acredite”.Ainda segundo a ex-diretora da Anac, a ministra Dilma Rousseff e a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, a pressionaram a tomar decisões favoráveis à venda da Varig e da VarigLog.

Em resposta às declarações de Denise Abreu, Dilma afirmou que são “falsas”, mas mesmo assim, os democratas apresentarão requerimento convocando a ministra Dilma Rousseff para prestar informações ao Congresso sobre o negócio da Varig e VarigLog. Além da chefe da Casa Civil da Presidência, deverão ser convocados os demais envolvidos no caso: o advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Lula, e o empresário Marco Antônio Audi, sócio da VarigLog.