Arquivo do mês: junho 2008

Frase_3/5

“Todas as coisas têm o seu mistério, e a poesia é o mistério de todas as coisas.”

Federico Garcia Lorca, poeta e dramaturgo espanhol

Abrindo aspas para Fernando Gabeira

O que comemorar?

Uma vez, Drummond escreveu este verso: “o teu aniversário, no escuro, não se comemora.” Os movimentos sociais de causas não resolvidas recorrem constantemente à fórmula: nada a comemorar.

No entanto, a questão ambiental, no planeta, não é uma sucessão de fracassos. O Protocolo de Quioto foi um esforço considerável da humanidade para buscar um denominador comum. Como todos os países existentes, de certa forma, estavam envolvidos, o consenso foi precário.

Apesar da desistência dos Estados Unidos e dos resultados modestos que alcançou na sua primeira etapa, o pós-Quioto, em 2012, continua sendo um marco de esperança.

Em primeiro lugar, porque foi a experiência de acordo universal mais próxima do êxito. Em segundo lugar, porque alguns dos seus fundamentos foram cumpridos. Refiro-me ao crescimento econômico com redução de emissões de gases de efeito estufa. Tanto a Inglaterra como a Alemanha e a Suécia estão alcançando esses objetivos.

Visto como parte decisiva no planeta, o Brasil tem pela frente grandes desafios. O primeiro é reduzir emissões, concentradas hoje, cerca de 70 por cento, nas queimadas e no desmatamento. O segundo é aceitar objetivos de redução universalmente controláveis. Metas, quero dizer. O Brasil não aceita esta palavra, mas objetivos verificáveis já bastam para tranquilizar o mundo. Faltaria apenas ter uma posição construtiva no sentido de levar China e a Índia às mesmas responsabilidades.

No momento, a politização do problema amazônico joga contra o avanço. Diante da incapacidade de conter as queimadas e o desmatamento, fustigado por críticas externas, o governo deve se fechar numa posição nacionalista que sempre orientou os adversários do meio ambiente. Ela se resume em acusar o que os outros países fizeram no passado e afirmar o direito do Brasil, indiretamente, também perder suas florestas para o progresso. A tática de acusar para se defender tem alguma viabilidade, como as nuvens que cobrem a Amazônia têm viabilidade para impedir que se mensure toda a extensão do estrago.

Mas nem as nuvens nem os argumentos que estigmatizam, para unir, um adversário exterior, conseguirão evitar que o Brasil se encontre com seu destino: o de indicar um caminho de preservação para a Amazônia, baseado no desenvolvimento sustentável.

Ao achar o seu caminho, o Brasil, ao invés de repetir ad nauseam que a Amazônia é nossa, deveria reconhecer que a Amazônia pertence também aos nossos vizinhos, e articular com eles um projeto comum para o bioma.

Temos um extraordinário instrumento para compartilhar informações: o Sivam, que nos custou 1,4 bilhões de dólares.

Todos os países que detêm um pedaço da Amazônia deveriam ser chamados para a mesa. Cada um com sua soberania, cada um com seu plano próprio.

Não é preciso perder a soberania para obter ajuda internacional e atrair os capitais necessários para um salto científico e sustentável na região. Basta ter projetos e aceitar a transparência como condição para que se realizem.

Respeito as pessoas que dizem que a Amazônia não deve ser influenciada pelo mundo. No entanto, é o mercado internacional de grãos, madeira e carne que determina os ritmos da destruição. Por mais que se afirme o controle dos governos nacionais, na verdade, é o mercado, com suas implacáveis leis, que está nos dirigindo. Virar o jogo é exatamente tentar reduzir o cego avanço do mercado e equilibrá-lo como uma articulada ação governamental.

Fonte: Blog do Noblat

OPINIÃO

Lula e Minc

Na posse do ministro Carlos Minck no Meio Ambiente, o País viu o extrovertido Minc pôr as duas mãos no rosto de Lula, os dois agarradinhos, rosto no rosto. “Numa cerimônia pública, o ministro beijou a testa do presidente. Nunca antes neste País. Sua mão segurava o pescoço do presidente, com o carinho e a condescendência que os grandes devem aos pequenos” (“Veja”).

Sebastião Nery, jornalista

Alphonse Mucha

Alphonse Mucha - The Emerald
The Emerald (1900)

Alfonse Maria Mucha (1860-1939) foi um ilustrador e designer gráfico checo e um dos principais expoentes do movimento Art Nouveau.

Entre seus trabalhos mais conhecidos estão os cartazes para os espetáculos de Sarah Bernhardt realizados na França de 1894 a 1900 e uma série chamada Épicos Eslavos entre 1912 e 1930.

Dia Mundial do Meio Ambiente

Ela é ex-seringueira, nascida em Bagaço, a 70 km de Rio Branco, capital do Acre. Eleita em 1994 a senadora mais jovem do país, com 38 anos, Marina Silva ficou cinco anos, quatro meses e 13 dias no governo Lula à frente do ministério do Meio Ambiente. Em entrevista ao Blog, especial pelo Dia Mundial do Meio Ambiente, ela ensina: “política ambiental não se faz com uma melancia na cabeça. Se faz com muito compromisso no coração, boas idéias na cabeça e uma boa capacidade ouvir”.

Nesta entrevista, Marina Silva comemora as conquisas do Brasil na área ambiental e aposta que se “soubermos aproveitar nossa biodiversidade”, podemos sair na frente. Também ressalta que “a crise ambiental no mundo deixou de ser um problema de ambientalistas para ocupar a cabeça de todos”. Ela acredita que o Brasil passa hoje pelo o que chama de reflexão civilizatória: “ou de fato produzimos mais com menos impacto na natureza, ou se a gente vai querer continuar a reproduzir nossa existência material causando mais malefícios à natureza. E aí vamos inviabilizar nossa própria existência”, alerta a ex-ministra.

Filiada ao PT e militante política desde os anos 80, quando ao lado do amigo e ambientalista Chico Mendes, já lutava pela preservação da Amazônia, Marina Silva rejeita qualquer hipótese de internacionalização da Floresta, diz que retroceder na política indigenista do Brasil seria “nos empobrecer” e alfineta o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR): “existem aqueles que se movem pelo coração e pela razão. E pelo menos aqueles que não se movem pelo coração deveriam se mover pela razão”.

Comemoramos hoje o Dia Internacional do Meio Ambiente. O que a senhora comemora hoje e que há 15, 20 anos parecia um sonho impossível?

A grande comemoração que se pode ter usando o referencial da morte do Chico Mendes [em 1988] é a dimensão e a densidade com quê se trata hoje a questão da Amazônia. Há 20 anos, Chico Mendes era uma voz quase que isolada dizendo que a floresta era muito melhor em pé do que derrubada. De que era possível um processo de desenvolvimento que não era aquele de destruir a floresta para plantar capim e criar gado. (…) Se fosse me imaginar naquela época e hoje, é um avanço abissal.

Quais os desafios do Brasil para os próximos anos?

O Brasil tem 45% de matriz energética limpa. E ele deve continuar com uma economia descarbonizada, mas precisará de uma proposta de matriz energética que incorpore a diversidade. E não busque apenas alternativas que aparentemente possam parecer panacéias à primeira vista. (…) Nos últimos três anos tivemos 59% de redução do desmatamento. Isso significou quase um bilhão de toneladas de CO2. Isso representa 14% de tudo o que deveria ter sido reduzido pelos países desenvolvidos até 2012, desde o período de compromisso do protocolo de Kyoto.

Leia a entrevista na íntegra aqui. Marina Silva: política ambiental se faz com o coração

Fonte: Blog do Noblat

Agora, Dilma, agüenta

É cedo para saber se a nova denúncia será provada. O que é certo é que os problemas da ministra estão só começando

Interlocutores muito próximos da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, contam que o humor dela estava pior que o normal ontem. Dava medo de entrar na sala. Resultado da entrevista de Denise Abreu, ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Ela acusou a ministra de tê-la pressionado a interferir na operação de venda da Varig para favorecer um grupo que tinha como advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Material de alta combustão para um escândalo político. É compreensível que a ministra tenha perdido a calma. Afinal, ela acaba de sair do tiroteio provocado pela denúncia de que a Casa Civil teria usado informações secretas para montar um dossiê contra o governo Fernando Henrique. Agora, se vê na iminência de cair de novo no fogo cruzado. Mas é bom Dilma ir se acostumando.

Ela virou a bola da vez. O principal alvo da oposição e de setores do PT.

Fonte: Gustavo Krieger

Frase_2/5

“Nada no mundo é mais perigoso que a ignorância sincera e a estupidez conscienciosa.”

Martin Luther King, líder do movimento dos direitos civis dos negros

Comissão convida Denise Abreu e mais 11 para falar sobre caso Varig

A Comissão de Infra-Estrutura do Senado aprovou nesta quinta-feira um convite à Denise Abreu, ex-diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), para ouvir suas denúncias sobre irregularidades na venda da VarigLog e da Varig ao fundo norte-americano Matlin Patterson e aos três sócios brasileiros. Os senadores também aprovaram convites a mais 11 pessoas, com envolvimento direto ou indireto na operação.

Além de Denise Abreu, vão ser convidados o ex-presidente da Anac Milton Zuanazzi e os outros dois ex-diretores da Agência: Leur Lomanto e Jorge Veloso. Também foram chamados os sócios brasileiros do fundo americano: Marco Antonio Audi, Luiz Eduardo Gallo e Marcos Haftel.
Os senadores ainda aprovaram convites para o juiz da Primeira Vara Empresarial do Rio, Luiz Roberto Ayoub, que conduziu o processo de falência da Varig, e o advogado Roberto Teixeira –amigo do presidente Lula e cujo escritório era representante dos compradores à época.

A base aliada do governo se antecipou à oposição e apresentou o requerimento dos convites para evitar que DEM e o PSDB convocassem a ex-diretora da Anac e a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).

Pelo cronograma da Comissão do Senado, Denise Abreu e os ex-diretores da Anac devem ser ouvidos na próxima quarta-feira. Na outra semana, deve ser a vez de Roberto Teixeira e as outras autoridades.

“O governo tem participado dos esclarecimentos e não teme nenhuma explicação. Não há blindagem. Temos maioria para rejeitar todos os requerimentos da oposição”, disse o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

Fonte: Folha Online

Hoje quem faz aniversário também é a Wanderléa. Aqui ela canta “Boa Noite” em programa de TV exibido em 1967.

Para reaver CPMF, Planalto abre cofre de emendas

Em público, Lula e seus ministros dizem que nada têm a ver com a recriação da CPMF. É coisa do Congresso, afirmam.

Em privado, o Planalto tenta amolecer resistências mostrando aos congressistas o caminho do cofre.

Negocia-se a liberação de emendas levadas ao orçamento de 2008 por deputados e senadores.

Corre-se contra o tempo. A lei eleitoral proíbe que a União libere verbas quatro meses antes de uma eleição.

Como haverá eleições municipais em outubro, o empenho das verbas que os parlamentares destinaram, em 2008, aos seus Estados e municípios precisa ser feito até o final de junho.

Como sinal de boa vontade, o Planalto levou o pé ao acelerador. Em maio, empenharam-se R$ 236,6 milhões em emendas de deputados e senadores. Para ser exato: R$ 236.646.409,80.

Desse total, R$ 98 milhões foram empenhados na última semana de maio. Cifra que supera em mais de três vezes o montante do “Bolsa Emenda” de abril: R$ 70,2 milhões. Na ponta do lápis: R$ 70.249.015,06.

A nota de empenho amarra o dinheiro a uma determinada despesa. Representa o compromisso formal do pagamento futuro. E a expectativa dos votos presentes, nos plenários da Câmara e do Senado.

Além de negociar no varejo, o governo dialoga no atacado. Foi ao balcão o ministro José Múcio, coordenador político de Lula.

Em conversas com dirigentes da Comissão de Orçamento do Congresso e com líderes partidários, Múcio comprometeu-se obter a revisão vetos que Lula impusera a duas rubricas inseridas no PPA.

Coisa de R$ 6 bilhões. Emendas coletivas (endossadas por bancadas estaduais multipartidárias) e individuais (assinadas isoladamente por deputados e senadores).

PPA é a sigla que identifica o Plano Plurianual. A versão modificada pelos vetos do presidente refere-se ao período de 2008 a 2011.

Espremido, o Planalto remeteu ao Congresso, no mês passado, dois projetos que ressuscitam, em rubricas análogas às que haviam sido vetadas, as emendas mandadas ao lixo.

Porém, ao correr a lupa pelo texto dos projetos, integrantes da Comissão de Orçamento se deram conta de que cerca de 180 emendas (R$ 4 bilhões) haviam sido desfiguradas no processo de ressurreição.

Dera-se coisa assim: verbas que os parlamentares haviam destinado à abertura de estradas novas terminaram reacomodadas em projetos de manutenção de rodovias já existentes.

Ou assim: emendas que endereçavam dinheiro para os currais eleitorais dos seus autores ressurgiram sem o carimbo regional. O governo as aplicaria onde bem entendesse.

Os líderes governistas foram, de novo, a Múcio. Lero vai, lero vem o ministro comprometeu-se a aparar as últimas arestas por meio de um decreto.

Múcio chegou mesmo a fixar uma data. Disse que o tal decreto sairia até 25 de junho. Em tempo para que as verbas pudessem ser empenhadas ainda em junho.

Oficialmente, o Planalto diz que a negociação das emendas nada tem a ver com o debate em torno da nova CSS, a nova sigla da velha CPMF.

Afirma-se que as tratativas seguem a critérios técnicos. Diz-se, de resto, que a emissão dos empenhos não se guia por uma lógica partidária. Então, tá!

Fonte: Josias de Souza