Arquivo do mês: junho 2008

NOTÍCIAS DE HOJE

PAULINHO VENDE O PDT- Acusado de envolvimento no desvio de recursos do BNDES, o deputado Paulo Pereira da Silva negocia apoio do PDT à candidatura de Marta Suplicy à Prefeitura de São Paulo. Em troca, pedetista espera ajuda de 80 parlamentares petistas na Câmara, para se livrar do processo de cassação.

LULA GLS – Lula e a mulher, Marisa, usaram bonés e bandeira gays na 1ª conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais; ele disse conhecer o preconceito em suas ‘entranhas’.

ALCANCE x EQUÍVOCOS – Depois de três meses de funcionamento, a CPI do Cartão Corporativo foi encerrada com um relatório que classifica como simples equívocos os exemplos de usos irregulares do cartão. A CPI minimizou casos como o da ex-ministra Matilde Ribeiro, que usou o cartão para pagar despesas no free shop.

GRILEIROS NA AMAZÔNIA – Pelo menos 8,5% das terras da Amazônia têm títulos de posse irregulares ou completamente falsos, mostra estudo da ONG Imazon e do Banco Mundial. A região tomada por posseiros chega a 42 milhões de hectares – a soma das áreas dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraíba e Sergipe.

SENADO A REBOQUE – A Comissão de Infra-Estrutura do Senado inicia quarta-feira uma série de audiências sobre a venda da VarigLog, com o depoimento de ex-diretores da Anac. O advogado Roberto Teixeira também será convidado.

MENTIRA CONTÍNUA – Sete vezes a ministra Dilma Rousseff negou as acusações de que pressionara para que não fossem criados obstáculos à venda da Varig; ex-diretores da Anac desmentiram essa versão.

CPI DOS CARTÕES – Controlada por parlamentares governistas, a CPI dos Cartões foi encerrada ontem com a aprovação, por 14 votos a 7, de relatório que não pede indiciamento de nenhum dos envolvidos com o mau uso de cartões corporativos do governo.

MÁFIA FUNERÁRIA – Ministério Público do DF, Associação dos Magistrados Brasileiros e OAB defendem investigação mais profunda sobre o mercado da morte que se instalou em Brasília. PF aguarda convocação dos distritais para entrar no caso.

SAÚDE ABANDONADA – Os líderes dos partidos de oposição no Congresso acreditam que o governo federal poderá deixar de investir na Saúde perto de R$ 45 bilhões do que seria obrigatório, mesmo com a aprovação da Contribuição Social para a Saúde, a CSS

REFORMA

Proposta para acabar com esmolas

Estudo do Ipea calcula que a extinção do Cofins e o aumento do Imposto de Renda para os mais ricos reduziriam a pobreza e a desigualdade. A idéia é transferir os tributos chamados indiretos, embutidos nos bens de consumo, para a cobrança direta, como o IR. O efeito seria maior do que implantar três programas Bolsa Família

JUSTIÇA

Juiz pede apuração do caso Varig/VariLog

O juiz José Paulo Magano, da 17ª Vara Cível de São Paulo, pediu à Procuradoria Geral da República que se apure possível interferência da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) na aprovação da venda da VarigLog à Volo, empresa formada pelo fundo americano Matlin Patterson e por sócios brasileiros. Magano disse ter levado em conta o conteúdo das declarações de Denise Abreu, ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil, que apontou pressão da Casa Civil para que a Anac aprovasse o negócio.

FOME NO MUNDO

FAO encerra reunião decepcionando todos

A Cúpula sobre Segurança Alimentar da FAO, braço das Nações Unidas para alimentação e agricultura, terminou sem ação alguma e quase sem palavras, contrariando o discurso do diretor-geral Jacques Diouf, que dissera ser hora de agir. No comunicado final do encontro, considerado decepcionante, o que ficou foi um pedido de “ação coordenada e urgente” contra o impacto da alta dos alimentos e a cobrança de mais investimento na agricultura. O texto não toma partido sobre os biocombustíveis.

IMPOSTOS

Pobres pagam mais taxas que os ricos

A inflação dos mais pobres está subindo além da média, diz a FGV. Pressionado pelos alimentos, o índice da baixa renda pulou de 0,97% em abril para 1,38% em maio. No ano, atinge 6,84%; em 12 meses, 8,24% – recordes do índice, criado em 2004. Para famílias com renda até 33 mínimos, a inflação alcançou 0,87% em maio e 5,59% em 12 meses. Para a FGV, a diferença crescerá, já que os alimentos, que pesam mais para os mais pobres, devem manter pressão sobre as taxas.

AMAZÔNIA

Ibama acordou e começou a multar

O Ibama no Amazonas aplicou duas multas no valor total de R$ 450 milhões contra a madeireira Gethal, do empresário sueco-britânico Johan Eliasch. Segundo o órgão, a empresa vendeu madeira nobre na floresta (cerca de 230 mil árvores) sem seguir a lei ambiental. Eliasch, que preside uma ONG ambiental, diz ser dono de 160 mil hectares de floresta na Amazônia. Segundo seus advogados, ele só tem conhecimento de uma multa de 2003, que está sendo discutida.

CASO VARIG

Dilma impediu contestação da Infraero

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, operou para impedir a Infraero contestasse a venda da VarigLog para o fundo americano Matlin Patterson e três sócios brasileiros. Pessoas que acompanharam o negócio revelam que, em 25 de junho de 2006, dois dias após a Anac ter aprovado o negócio, Dilma telefonou para o então presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, que lembrou a lei que limita em 20% a participação de capital estrangeiro em empresas aéreas e criticou a Anac por ter liberado a venda sem exigir comprovação da origem do dinheiro dos compradores. “Você não tem que se meter nisso, você exorbitou na sua função” disse Dilma ao brigadeiro.

FOLHA DE SÃO PAULO – Juiz quer apurar ação de Dilma
na venda da Varig

O GLOBO – Documentos comprovam que venda da Varig
atropelou Anac

TRIBUNA DA IMPRENSA – Oposição pede ação contra
quatro ministros

CORREIO BRAZILIENSE – Paulinho tenta acordo com PT

DIÁRIO DE NATAL – Plano da Petrobras para RN deixa
Wilma insatisfeita

JORNAL DO BRASIL – Juiz pede investigação sobre operação
da Varig e da VarigLog

VALOR ECONÔMICO – Dilma, alvo da oposição, e do ‘fogo amigo’

ESTADO DE SÃO PAULO – Dilma impediu contestação da Infraero
no caso VariLog

JORNAL DO COMMERCIO (PE) – Senado investiga caso VarigLog

GAZETA MERCANTIL – Saúde poderá perder investimentos com CSS

TRIBUNA DO NORTE – Refinaria ‘premium’ não será construída
no RN, diz Petrobras

A TARDE – Produção industrial é a maior desde 2006

ZERO HORA – CPI chega ao fim sem culpados

ESTADO DE MINAS – CPI acaba sem indiciar, nem mencionar dossiê

São Vicente vista da Ilha Porchat. Litoral Sul do Estado de São Paulo-SP

São Vicente vista da Ilha Porchat, litoral Sul do Estado de S. Paulo – Brasil.

Poesia

ESTE É O PRÓLOGO

Deixaria neste livro
toda a minha alma.
este livro que viu
as paisagens comigo
e viveu horas santas.

Que pena dos livros
que nos enchem as mãos
de rosas e de estrelas
e lentamente passam !

Que tristeza tão funda
é olhar os retábulos
de dores e de penas
que um coração levanta !

Ver passar os espectros
de vida que se apagam,
ver o homem desnudo
em Pégaso sem asas,

ver a vida e a morte,
a síntese do mundo,
que em espaços profundos
se olham e se abraçam.

Um livro de poesias
é o outono morto:
os versos são as folhas
negras em terras brancas,

e a voz que os lê
é o sopro do vento
que lhes incute nos peitos
– entranháveis distâncias.

O poeta é uma árvore
com frutos de tristeza
e com folhas murchas
de chorar o que ama.

O poeta é o médium
da Natureza
que explica sua grandeza
por meio de palavras.

O poeta compreende
todo o incompreensível
e as coisas que se odeiam,
ele, amigas as chamas.

Sabe que as veredas
são todas impossíveis,
e por isso de noite
vai por elas com calma.

Nos livros de versos,
entre rosas de sangue,
vão passando as tristes
e eternas caravanas

que fizeram ao poeta
quando chora nas tardes,
rodeado e cingido
por seus próprios fantasmas.

Poesia é amargura,
mel celeste que emana
de um favo invisível
que as almas fabricam.

Poesia é o impossível
feito possível. Harpa
que tem em vez de cordas
corações e chamas.

Poesia é a vida
que cruzamos com ânsia,
esperando o que leva
sem rumo a nossa barca.

Livros doces de versos
sãos os astros que passam
pelo silêncio mudo
para o reino do Nada,
escrevendo no céu
suas estrofes de prata.

Oh ! que penas tão fundas
e nunca remediadas,
as vozes dolorosas
que os poetas cantam !

Deixaria neste livro
toda a minha alma…

Frederico Garcia Lorca

O Poeta

Federico Garcia Lorca, nasceu em Fuentevaqueros (Granada) em 5 de junho de 1898 e morreu assassinado em Viznar (Granada), uma das primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola, em 19 de agosto de 1936. Foi dotado de uma personalidade extraordinariamente voltada para a arte. Além de ser um grande poeta, teve também alguns pendores musicais, tendo feito, ainda, alguns desenhos. É Garcia Lorca, com certeza, o poeta espanhol mais conhecido universalmente, só perdendo para Cervantes no número de edições e traduções de suas obras.

Garcia Lorca iniciou os seus estudos de direito, filosofia e letras, em 1914, na Universidade de Granada, transferindo-se em 1919 para Madrid, onde conheceu pessoas como o cineasta Luis Buñuel. Em Madrid nascem suas primeiras obras literárias, o “Libro de Poemas” e sua primeira obra teatral “Mariana Pineda”. É também nesse período que se aproxima do grande mestre do surrealismo, Salvador Dali.

Ao voltar à Espanha, Lorca cria o teatro universitário ambulante “La Barraca”, com o qual faz montagens de peças de autores espanhóis consagrados, como Lope de Veja e Cervantes. A seguir, viaja pela América do Sul, particularmente pela Argentina e Uruguai e faz um grande sucesso em Buenos Aires, em 1933.

A situação vigente na Europa, já nessa época, iria, contudo, fazer de Garcia Lorca uma espécie de símbolo das vítimas dos regimes autoritários de direita e da tirania fascista. Após a eclosão da Guerra Civil Espanhola, Lorca saiu de Madrid para Granada, onde, supostamente, estaria mais protegido. É que Lorca (como sempre são os intelectuais de vanguarda), era um inimigo natural de um regime autoritário.

Além disso, numa Espanha católica, as possíveis tendências homossexuais de Lorca também não eram bem vistas. Por essas razões, vítima de uma denúncia anônima, Lorca é preso e assassinado, tendo o seu corpo sido jogado num canto da Sierra Nevada.

O fato de Garcia Lorca ter sido assassinado pelo regime de Franco, fez com que, durante longo tempo, seu trabalho fosse pouco divulgado e até mesmo censurado na Espanha. Por outro lado, tornou-se uma figura simbólica da opressão, o que fez com que vários poetas e escritores viessem a se ocupar de sua figura. No Brasil escreveram sobre Lorca, entre outros, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes e Murilo Mendes.

É interessante observar, contudo, conforme ressalta um artigo de Gilberto Mendonça Teles , que tais manifestações só vieram ocorrer em 1947, após a queda do Estado Novo, de Getúlio Vargas.