Arquivo do mês: junho 2008
INFLAÇÃO
Índices assustam observadores econômicos
A inflação oficial medida pelo IPCA, foi de 0,79% em maio, ante 0,55 em abril. A taxa, puxada pelos alimentos, é a maior em três anos e a mais alta para o mês de maio desde 1996. Em 12 meses, o índice atinge 5,58% ou 1,08 ponto percentual acima do centro da meta do ano (4,5%). Especialistas já cogitam taxa anual superior ao teto da meta (6,5%). O governo admite que a inflação em 12 meses supere 6% até o fim do ano.
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EDUCAÇÃO
Mesmo com notas baixas metas são atingidas
O Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Brasileira) relativo a 2007 mostra evolução no desempenho dos estudantes que atingiu as metas propostas. Numa escala de 0 a 10, o ensino fundamental teve 4,2 da 1a. a 4a. série, ante 3,8 em 2005. Da 5ª à 8ª, o índice pulou de 3,5 para 3,8; no ensino médio, de 3,4 para 3,5. Em relação às metas, o ensino médio evoluiu menos que o fundamental, mas ambos já atingiram a meta de 2009.
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VARIG/VARIGLOG (II)
Tudo começou com Guido Mantega
O ministro Guido Mantega, então presidente do BNDES, deu início à venda da VarigLog, em processo que contrariou o Código Brasileiro de Aeronáutica pivô da atual crise com o fundo Matlin Patterson, representado por Lap Chan. O ministro negou ter atribuição sobre o código. O advogado de Chan, Nery Júnior, foi orientador de mestrado do juiz do caso VarigLog, José Magano.
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NOVA CPMF
PT-governo ganha, mas ganha apertado
Menos de seis meses após a extinção da CPMF, a Câmara aprovou em votação apertada, por apenas dois votos além dos 257 necessários, a Câmara dos Deputados aprovou a recriação da CPMF, agora como nome novo, Contribuição Social para a Saúde (CSS). A alíquota de 0,1% vai incidir sobre movimentações financeiras a partir de janeiro do ano que vem, caso o Senado confirme a criação do novo imposto. Às vésperas da votação, o governo abriu os cofres para agradar aos deputados, aumentando a liberação de emendas. A Fiesp protestou contra o novo imposto: “É um atentado contra a sociedade”, disse Paulo Skaf.
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CARESTIA
Alimentos tem a maior alta desde 1994
Preço de alimentos sobe 1,95% em maio, na maior alta desde o início do Plano Real, lançado em julho de 1994. Somente nos cinco primeiros meses deste ano, o custo da comida aumentou 6,4%, contra 2,81% registrados em 2007 inteiro. E representa mais da metade da inflação do mês passado, que chegou a 0,79%, a mais elevada da série desde abril de 2005.
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VARIG/VARIGLOG
Compadre de Lula e Planalto intervieram no negócio
Pressões da Casa Civil e a interferência “imoral e até ilegal” do advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pavimentaram a compra da Varig pela Gol, segundo Denise Abreu, ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil. Ela afirmou ontem, em depoimento à Comissão de Infra-Estrutura do Senado, que foi pressionada a tomar decisões favoráveis à venda da empresa, como havia revelado com exclusividade ao Estado. Denise admitiu ter tido embates com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, mas negou pressão direta dela. Também houve, alegou Denise, uma estranha simetria entre o desejo do Planalto de viabilizar o negócio e a mudança de pareceres, de contrários a favoráveis à negociação.
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MANCHETES de hoje_11.jun.08
O GLOBO – Nova CPMF passa por 2 votos; inflação
é a maior em 12 anos
GAZETA MERCANTIL – Alta de preço nas bolsas alimenta
a inflação
TRIBUNA DA IMPRENSA – Denise diz que ingerência na
Anac foi imoral
A TARDE – Nova CPMF aprovada na Câmara
DIÁRIO DE NATAL – Câmara aprova criação de
novo imposto do cheque
JORNAL DO BRASIL – Aprovado clone da CPMF
FOLHA DE SÃO PAULO – Por 2 votos, Câmara aprova
nova CPMF
CORREIO BRAZILIENSE – A inflação só aumenta…
ESTADO DE MINAS – Duro de engolir
JORNAL DO COMMERCIO (PE) – Sai a nova CPMF
VALOR ECONÔMICO – Nova lei contábil eleva a taxação
de empresas
O ESTADO DE SÃO PAULO – Pressão de Teixeira na Anac
foi ‘imoral’, diz ex-diretora
TRIBUNA DO NORTE – Deputados recriam a CPMF com nome
de ‘Contribuição Social’
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Poesia
CANÇÃO DE MIM MESMO
Eu celebro a mim mesmo,
E o que eu assumo você vai assumir,
Pois cada átomo que pertence a mim pertence a você.
Vadio e convido minha alma,
Me deito e vadio à vontade ….
observando uma lâmina de grama do verão.
Casas e quartos se enchem de perfumes ….
as estantes estão entulhadas de perfumes,
Respiro o aroma eu mesmo, e gosto e o reconheço,
Sua destilação poderia me intoxicar também, mas não deixo.
A atmosfera não é nenhum perfume ….
não tem gosto de destilação …. é inodoro,
É pra minha boca apenas e pra sempre ….
estou apaixonado por ela,
Vou até a margem junto à mata sem disfarces e pelado,
Louco pra que ela faça contato comigo.
A fumaça de minha própria respiração,
Ecos, ondulações, zunzuns e sussurros ….
raiz de amaranto, fio de seda, forquilha e videira,
Minha respiração minha inspiração ….
a batida do meu coração ….
passagem de sangue e ar por meus pulmões,
O aroma das folhas verdes e das folhas secas,
da praia e das rochas marinhas de cores escuras,
e do feno na tulha,
O som das palavras bafejadas por minha voz ….
palavras disparadas nos redemoinhos do vento,
Uns beijos de leve …. alguns agarros ….
o afago dos braços,
Jogo de luz e sombra nas árvores enquanto oscilam seus galhos sutis,
Delícia de estar só ou no agito das ruas,
ou pelos campos e encostas de colina,
Sensação de bem-estar …. apito do meio-dia….
a canção de mim mesmo se erguendo da cama e cruzando com o sol.
Walt Whitman
O Poeta
Em 1857, na França, Charles Baudelaire deu a público a primeira edição de seu revolucionário Flores do Mal, livro que lhe valeria o título de primeiro poeta moderno. Dois anos antes, no lado de cá do Atlântico, o jornalista americano Walt Whitman (1819-1892), lançara Folhas de Relva (Leaves of Grass), outro livro de poemas igualmente ousado e inovador.
Entre os franceses, o livro de Baudelaire causou alentado escândalo. As Flores do Mal brotavam na contramão do bom-gosto vigente, trazendo para a poesia temas proibidos, como o sexo, a morte e a decadência humana. Uma coletânea em que o primeiro poema chamava o leitor de hipócrita. Com as Folhas de Relva não foi muito diferente. Mas, em certos aspectos, o impacto pareceu ainda maior. Em seu livro Baudelaire ainda manteve de pé as regras clássicas da métrica e da rima.
Whitman dinamitou tudo isso e adotou um verso completamente selvagem, livre de todas as amarras tradicionais. Também seus temas são novos: o trabalho, a vida nas cidades, camaradagem, amor e sexo. Uma poética completamente nova, por dentro e por fora. Do ponto de vista das idéias, Folhas de Relva foi o único livro de poesia de Whitman.
Ao longo da vida, ele reescreveu os poemas da primeira edição, acrescentou numerosos outros, mas o volume manteve sempre o título original. São tantas as mudanças de uma edição para outra que é prudente sempre indicar a versão com que se está trabalhando. A própria estrutura do livro é diferente de tudo que se conhecia até então. Originalmente, eram doze poemas, sem título. Caudalosos, cada um deles continha vários poemas. Somente a “Canção de Mim Mesmo” (Song of Myself), como ficou conhecido o poema inicial, tem cerca de 1340 versos e pode ser dividida em mais de 50 partes independentes, embora não haja divisões explícitas.
Os trechos acima (todos da “Canção de Mim Mesmo”) foram extraídos da edição publicada em 2005 pela Editora Iluminuras, com tradução de Rodrigo Garcia Lopes. Esse volume, bilíngüe, se mantém fiel à primeira edição.
Antes já havia outras traduções, a exemplo de Folhas das Folhas de Relva, antologia vertida pelo poeta Geir Campos.
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Juca Kfouri comenta:
Um filme inesquecível
Aconteceu ontem, em São Paulo, a pré-estréia do documentário, de 85 minutos, “1958, o ano em que o mundo descobriu o Brasil”.
Simplesmente comovente.
O filme começa com os últimos 10 segundos da decisão diante da Suécia, culminando com o quinto gol brasileiro, de Pelé.
Muito bem editado, com uma bossa de recriar detalhes de lances decisivos com a câmara bem fechada, os depoimentos, em regra, são ricos, bem humorados ou até queixosos, como os dos jogadores franceses que acusam Vavá de ter quebrado o capitão Jonquet de maneira desleal, razão da goleada final por 5 a 2, pois a França ficou reduzida a 10 jogadores.
Mas há depoimentos impagáveis, como o de um russo que conta que o marcador de Mané Garrincha, Kusnetsov, ao chegar nocauteado no vestiário após a vitória brasileira, jogou a chuteira longe e desabafou; “Eu não quero mais jogar futebol. Os brasileiros é que sabem jogar futebol”.
Para o atacante francês Piantoni, “o futebol brasileiro é como a música brasileira. Alegre, feliz e todo mundo se diverte”.
Pois o filme de José Carlos Asbeg, que entra no circuito comercial no dia 13 deste mês no Rio e em São Paulo, é diversão pura, comoção do melhor nível e documento histórico de valor inestimável.
Um filme que talvez comece a convencer o país de que a Copa de 1958 está para o amor próprio do Brasil assim como a Copa de 1954 está para o reerguimento da Alemanha.
A diferença está em que os alemães não se envergonham disso, ao contrário, cultuam aquele momento, o primeiro de felicidade depois da catástofre do nazismo.
E nós, que não levamos nada a sério, ainda achamos que Nelson Rodrigues estava brincando quando disse, depois da derrota em 1950, que tínhamos complexo de vira-latas, coisa que a Copa de 1958 sepultou.
Ou não.
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