Arquivo do mês: maio 2008

Comentário (I)

Fraudes no BNDES

Inacreditável a afirmação acintosa de Luciano Coutinho, presidente do BNDES: “No nosso banco não existem irregularidades”. Deveriam responder com uma CPI para ver quem deve ao BNDES. E o que é que Luciano Coutinho diz da decisão do TCU (Tribunal de Contas da União): “O BNDES fica proibido de fazer qualquer empréstimo à NET”. Logicamente não foi por bom comportamento da NET.

Hélio Fernandes, jornalista

DOSSIÊ FHC

Aparecido aparecerá em lugar de Dilma

A uma semana do fim da CPI Mista dos Cartões Corporativos, a oposição apresentou ontem relatório parcial sem criminalizar ou recomendar o indiciamento ao Ministério Público Federal (MPF) de nenhum dos envolvidos com a montagem de dossiê dos gastos de FHC. Os sub relatórios dos deputados Carlos Sampaio (PSDB-SP) e Índio da Costa (DEM-RJ) não citaram a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, jogando as responsabilidades de quebra de sigilo para José Aparecido Nunes Pires, ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil, que disse ter vazado o dossiê por engano.

FRAUDE/BNDES

Presidente do Conselho de Ética é réu no STF

Eleito ontem presidente do Conselho de Ética da Câmara, o deputado Sérgio Moraes (PTB-RS) vai analisar em 15 dias o pedido de abertura de processo contra o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, por quebra de decoro parlamentar. Moraes responde a três ações no STF (Supremo Tribunal Federal), movidas pelo Ministério Público, por fatos ocorridos entre 1997 e 2004, quando foi prefeito de Santa Cruz do Sul (RS) e teve o mandato cassado por um dia pelo Tribunal de Justiça gaúcho.

AMAZÔNIA

União disciplinará propriedade estrangeira

O governo federal vai fechar o cerco à “invasão estrangeira” na Amazônia. Até a próxima semana, o Incra terá em mãos uma solução jurídica para dificultar a compra de terras por empresas brasileiras controladas por capital estrangeiro. Um parecer da Advocacia Geral da União vai fixar limites para essa aquisição, o que hoje não existe.O alvo principal é a Amazônia, onde estão 55% das propriedades de estrangeiros: 3,1 milhões de hectares dos 5,5 milhões de hectares cadastrados no Incra.

Operação Furacão

“Habeas-corpus é armação”

Ao votar contra a concessão de um habeas-corpus para anular a Operação Furacão – na qual o ministro Paulo Medina, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), três desembargadores, um juiz trabalhista e um procurador regional da República foram acusados de negociarem sentenças -, a desembargadora federal Maria Helena Cisne, do TRF da 2ª Região (Rio e Espírito Santo), acusou os 18 advogados que assinaram o pedido – entre eles o ex-procurador-geral da República Aristides Junqueira – de deslealdade. “Que me perdoem os impetrantes, este habeas-corpus é uma armação”, escreveu a desembargadora.

MANCHETES de hoje_29.mai.08

TRIBUNA DA IMPRENSA – Dossiê: relatório da oposição
poupa Dilma

O ESTADO DE SÃO PAULO – Dividida, base aliada adia
votação da nova CPMF

JORNAL DO BRASIL – Pesquisa com embrião tem maioria
no Supremo

GAZETA MERCANTIL – Paulinho será notificado na terça

DIÁRIO DE NATAL – Márcia defende que grupo de Rogério
saia do governo

ZERO HORA – Câmara adia votasção da nova CPMF

TRIBUNA DO NORTE – Aprovado decreto que cria 104 vagas
de vereador no RN

O GLOBO – Julgador de Paulinho responde a processos

CORREIO BRAZILIENSE – Sobram R$ 6,8 bi, e governo quer mais

FOLHA DE SÃO PAULO – Com empate, STF adia para hoje decisão
sobre células-tronco

A TARDE – Suspenso o pagamento de 3197 servidores

VALOR ECONÔMICO – Minc prepara normas mais rigorosas
para termelétricas

ESTADO DE MINAS – Governo recua e adia votação da nova CPMF

JORNAL DO COMMERCIO (PE) – Relatório da oposição poupa
Dilma na CPI

Poesia

Sonhos

Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem diga que nem todas, só as de verão.
Mas no fundo isso não tem muita importância.
O que interessa mesmo não são as noites em si, são os sonhos.

Sonhos que o homem sonha sempre.
Em todos os lugares, em todas as épocas do ano,
dormindo ou acordado.

Shakespeare


O Poeta

Um dos maiores dramaturgos de todos os tempos, William Shakespeare foi o terceiro filho do casal John e Mary. Teve uma vida sem maiores problemas financeiros até os 12 anos, quando o seu pai, que fabricava tintas, bolsas e luvas de couro, faliu. A partir daí, William Shakespeare começou a trabalhar para ajudar no sustento da família. Mesmo assim, não deixou de ler autores clássicos, novelas, contos e crônicas, que foram fundamentais na sua formação de poeta e dramaturgo.

Em 1592, com menos de 30 anos, Shakespeare já tinha o seu talento reconhecido no teatro, tendo redigido pelo menos duas peças: “A Comédia dos Erros” e “A Megera Domada”. O seu prestígio aumentou ainda mais em 1594, quando começou a trabalhar para a companhia de teatro “The Lord Chamberlain’s Men”.

Freqüentemente, alguns poucos estudiosos atribuem a Francis Bacon (1561/1626) e a Christopher Marlowe (1564/1593) parte de sua obra. No entanto, os pesquisadores que desconfiam da produção do dramaturgo não conseguiram provar as suas teorias e a densa obra de Skakespeare sobrevive pela excelente qualidade poética. Suas peças aliam uma visão poética e refinada a um forte caráter popular.

Nelas, os crimes, os incestos, as violações e as traições são ingredientes para o divertimento do público. Shakespeare escreveu também poemas e mais de 150 sonetos que expressam frustração, agitação, masoquismo e homossexualismo.

Ouça aqui o comentário de Arnaldo Jabor.

Não aceitar o uso de células-embrionárias é o mesmo que acreditar que Darwin era uma besta.

Clique aqui para ouvir.

OPINIÃO: Trazemos um lúcido comentário de Elio Gaspari como contribuição aos estudiosos da história do sindicalismo brasileiro. Servirá também para fortalecer a decepção dos trabalhadores conscientes pela degenerescência do sindicalismo, grandemente aumentado em extensão, gênero, intensidade e número com a ascensão de Lula da Silva à presidência da República. Miranda Sá

O sindicalismo trocou de delegacia

Era uma vez um pelegaço chamado Joaquinzão (Joaquim dos Santos Andrade, 1926-1997). Ele presidiu o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo durante 22 anos, até 1987. Comprava e vendia greves, mas em janeiro de 1976 foi o único presidente de sindicato de metalúrgicos a protestar pela morte do operário Manuel Fiel Filho, assassinado no DOI-Codi do então 2º Exército.

O sindicalismo do ABC, surgido nos anos 70, considerava-o ícone da corrupção sindical do entardecer da ditadura. Joaquinzão morreu pobre, numa modesta casa de repouso. Todos os seus sucessores, bem como os seus principais adversários, tornaram-se pessoas patrimonialmente prósperas e politicamente poderosas. (Quem quiser pode conferir: ele deixou um carro, uma pequena casa num bairro popular e um sítio.)

Lula, seu jovem rival no século passado, preside hoje um contubérnio de sindicalistas com fundos estatais, corredores do Planalto e saletas do Ministério do Trabalho.Joaquinzão vem ao caso porque ele pode ser considerado o avô do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, aliado parlamentar do Planalto. Joaquinzão entregou o Sindicato dos Metalúrgicos a Luiz Antônio de Medeiros e em dez anos seu sucessor produziu o “sindicalismo de resultados”.

Dele resultaram a Força Sindical, 11 condecorações civis e militares, dois mandatos de deputado federal e, atualmente, a Secretaria de Relações do Trabalho, na pasta do doutor Carlos Lupi. Assim como em 1986 houve um dia em que Medeiros e Joaquinzão tiveram uma conversa, é provável que em 1990 tenha havido outra, ao fim da qual Medeiros entregou o domínio a Paulo Pereira da Silva, que ficou com o sindicato e a Força Sindical.

Poucos devem ter sido os casos de países onde o movimento sindical passou da delegacia de ordem política à de defraudações no espaço de uma só geração. A julgar pela definição que Lula colou em Lech Walesa (“pelegão”), pode ser que tenha ocorrido algo parecido, em ponto menor, na Polônia. Paulinho da Força capturou a presidência do conselho do Fundo de Amparo ao Trabalhador, fez parcerias milionárias no BNDES, noves fora preciosas alianças eleitorais. Houve um tempo em que o PT colocou no mesmo Codefat um jovem promissor, chamava-se Delúbio Soares.

Fala-se muito no “poder das centrais sindicais”. Tudo indica que, como a Caveira de Cristal do Museu Britânico, essa força é uma fraude a serviço de uma lenda. Até hoje, as centrais só conseguiram parar repartições públicas. O “poder das centrais”, graças a Lula, será exercido na tunga dos salários dos trabalhadores e dos fundos dos contribuintes. Isso é que se pode chamar de sindicalismo de resultados. Avançam na patuléia e deixam os patrões em paz. Mordem a folha de salários dos trabalhadores, atravessam a rua e param os serviços médicos onde as mulheres dos operários buscam consultas para seus filhos.

Desde que a contabilidade de Paulo Pereira da Silva começou a ser estudada pela Polícia Federal percebe-se que há algo de novo na praça. Durante o collorato, a Força Sindical beliscava o patronato paulista.Paulinho estatizou os beliscões. Podem acusá-lo de tudo, menos de ter incomodado patrão.

Elio Gaspari, jornalista

Análise de Carlos Chagas

Arrocho desumano

Contundente crítica ao governo Lula fez o senador Paulo Paim, do PT, denunciando que os aposentados sofrem arrocho desumano com o tal “fator previdenciário”, que de ano para ano degrada seus ganhos. Quem se aposentou com cinco salários mínimos já está recebendo dois, e breve serão nivelados por baixo todos os aposentados.

Por que os vencimentos de quem parou de trabalhar não são reajustados de acordo com o salário mínimo, mas muito menos. Por conta disso, o Senado aprovou projeto dando aos aposentados aumento de 16,5%, o mesmo do salário mínimo, aumentando os ridículos 5% concedidos faz pouco pelo governo.

O projeto foi para a Câmara, onde dorme há algum tempo, por decisão do Palácio do Planalto e de seus líderes. Seria o caso de o PT insurgir-se contra essa abominável imposição da equipe econômica, levando o presidente Lula a rever sua postura. E não adianta argumentar que a Previdência Social dá prejuízo, porque não dá.

Carlos Chagas, jornalista