Arquivo do mês: maio 2008

JULGAMENTO

Absolvido fazendeiro acusado pela morte de Dorothy Stang

O fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, que tinha sido condenado como mandante do assassinato da missionária americana Dorothy Stang, em 2005, foi absolvido, num segundo julgamento.Os jurados o consideraram inocente. Por cinco votos a dois, eles entenderam que ele não encomendou a morte da missionária americana Dorothy Stang.

ESCÂNDALO NO BNDES

Envolvimento de Paulinho agita o PDT

O Ministério Público Federal tem indícios do envolvimento de outras dez prefeituras paulistas, além da de Praia Grande, e de funcionários do BNDES no esquema de cobrança de propinas para liberação de empréstimos do banco. A denúncia contra o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, já foi enviada para o STF, porque ele, como deputado federal, tem direito a foro privilegiado. Segundo a rádio CBN,a bancada do PDT no Senado concluiu que o Deputado deve pedir licença e defender-se da acusação de que intermediava empréstimos do BNDES para prefeituras.

MANCHETES do dia_7.mai.08

JORNAL DO BRASIL – Tribunal libera o trânsito de caminhões

FOLHA DE SÃO PAULO – Absolvido fazendeiro do caso Dorothy

O GLOBO – Júri absolve condenado por morte de missionária

GAZETA MERCANTIL – Óleo pode ir a US$ 200, prevê
Goldman Sachs

ZERO HORA – Último dia para obter ou ajustar o título

DIÁRIO DE NATAL – Para Wilma, Rogério está sendo usado
por Micarla

TRIBUNA DA IMPPRENSA – Corregedoria da Câmara vai
investigar Paulinho

A TARDE – Lula: crítica é sacanagem

JORNAL DO COMMERCIO (PE) – Dilma depõe sob proteção da base

TRIBUNA DO NORTE – Governadora desautoriza candidatura
de Rogério

CORREIO BRAZILIENSE – Servidor: acabou a era dos
grandes aumentos

ESTADO DE MINAS – Dengue já custa R$ 29 mi em MG

VALOR ECONÔMICO – Filial do BNDES no exterior apoiará
política industrial

O ESTADO DE SÃO PAULO – Paulinho da Força vai ser investigado
pela Câmara

POESIA

Elogio da Dialética

A injustiça passeia pelas ruas com passos seguros.
Os dominadores se estabelecem por dez mil anos.
Só a força os garante.Tudo ficará como está.
Nenhuma voz se levanta além da voz dos dominadores.
No mercado da exploração se diz em voz alta:
Agora acaba de começar!
E entre os oprimidos muitos dizem:
Não se realizará jamais o que queremos!
O que ainda vive não diga: jamais!
O seguro não é seguro. Como está não ficará.
Quando os dominadores falarem falarão também os dominados.
Quem se atreve a dizer: jamais?
De quem depende a continuação desse domínio?
De quem depende a sua destruição? Igualmente de nós.
Os caídos que se levantem! Os que estão perdidos que lutem!
Quem reconhece a situação como pode calar-se?
Os vencidos de agora serão os vencedores de amanhã.
E o “hoje” nascerá do “jamais”.

Bertold Brecht

O Poeta

Eugen Berthold Friedrich Brecht é um dos autores alemães mais importantes do século XX, especialmente nas suas facetas de dramaturgo e de poeta. De formação marxista, Bertolt Brecht (seu nome artístico) dava grande importância à dimensão pedagógica das suas obras de teatro: contrário à passividade do espectador, sua intenção era formar e estimular o pensamento crítico do público. Brecht é uma época. Uma época tumultuosa de rebeldia e de protesto.

Refletem-se, em suas obras, os problemas fundamentais do mundo atual: a luta pela emancipação social da humanidade. Brecht tem plena consciência do que pretende fazer. Usa o materialismo dialético da maneira mais sábia para a revolução estética que se dispôs a promover na poesia e no teatro.

O teatro épico e didático caracteriza-se, em Brecht, pelo cunho narrativo e descritivo cujo tema é apresentar os acontecimentos sociais em seu processo dialético: Diverte e faz pensar. Não se limita a explicar o mundo, pois se dispõe a modificá-lo. É um teatro que atua, ao mesmo tempo, como ciência e como arte.

A alienação do homem, para Brecht, não se manifesta como produto da intuição artística. Brecht ocupa-se dela de maneira consciente e proposital. Mas não basta compreendê-la e focalizá-la. O essencial não é a alienação em si, mas o esforço histórico para a desalienação do homem.

O papel do autor dramático não se reduz a reproduzir, em sua obra, a sociedade de seu tempo. O principal objetivo, quer pelo conteúdo, quer pela forma, é exercer uma função transformadora, que atue revolucionariamente sobre o ambiente social.

Dilma, Dilma, Dilma, Dilma, Dilma, Dilma, Dilma…

Nesta terça-feira (6), Lula montou o seu pa©lanque em Manaus. Terra do algoz Arthur Virgílio (PSDB-AM), um dos generais da tropa que fulminou a CPMF no Senado. Como de hábito, o pseudo-ato administrativo converteu-se em evento de campanha.

Numa praça em que amealhara 87% dos votos válidos na eleição presidencial de 2006, o presidente tirou casquinha dos opositores. Mencionou o imposto do cheque. Queixou-se da subtração de R$ 40 bilhões do orçamento. Lembrou que R$ 25 bilhões iriam para a Saúde.

E deu de ombros: “Não tem problema. Vai fazer falta os R$ 40 bilhões. Mas nós vamos arrumar mais, vamos arrumar. Pode demorar um pouco mais, um pouco menos. Mas nós vamos arrumar dinheiro.”

A ministra Dilma Rousseff, como sói, dividia a vitrine de Manaus com o chefe. A certa altura, Lula a enalteceu: “Quando eu chamei essa mulher de mãe do PAC, teve gente que não gostou. Ela é a responsável pelo sucesso do PAC. É ela que controla, que fiscaliza e que cobra.”

Em seguida, o presidente vergastou a tese do terceiro mandato. “A alternância de poder é importante. Toda vez que um dirigente político se acha imprescindível e insubstituível começa tá começando a nascer um pequeno ditardorzinho dentro dele.”

Na seqüência, imprecou: “O que eles tem que saber, alto e bom som, e podem até ficar mais com raiva de mim, é que nós vamos fazer o próximo presidente da república neste país. Eles podem ficar certos de que nós vamos fazer…”.

E a turba: “Dilma, Dilma, Dilma, Dilma, Dilma…”

No finalzinho do discurso, Lula reconheceu: “Esses atos estão ficando complicados para a presença do presidente, porque esses atos a gente não pode transformar eles num ato de campanha.”

Ele prosseguiu: “É um ato oficial, é um ato institucional. Aqui é o lançamento e a assinatura de contratos do governo federal. Vocês viram que eu, por cuidado, não citei nomes. Vocês é que, de enxeridos, gritaram nomes aí. Eu não citei nomes.”

E a multidão, em uníssono: “Dilma, Dilma, Dilma, Dilma, Dil…”

Fonte: Josias de Souza

Sem comentários…

Comentário (II)

“O desmatamento na Amazônia apresenta números alarmantes – e, nesse campo, o poder público, em todos os níveis, não tem agido com a eficácia que os brasileiros têm o direito de cobrar dele”.

Eduardo Nunomura, jornalista

ÚLTIMAS

Paulinho vai ao STF por receber propinas

O Ministério Público Federal tem indícios do envolvimento de outras dez prefeituras paulistas, além da de Praia Grande, e de funcionários do BNDES no esquema de cobrança de propinas para liberação de empréstimos do banco. A denúncia contra o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva já foi enviada para o STF, porque como deputado federal ele tem direito a foro privilegiado.

Segundo a procuradora da República Adriana Scordamaglia, há evidências contra outros políticos e “pessoas importantes”, e escutas telefônicas que registram uma ligação para Paulinho tentando avisar que a Polícia Federal faria ação contra sindicalistas.

FRASE DA VEZ_3/6

“Toda vez que se brinca com a democracia, a gente quebra a cara”.

Lula da Silva, presidente da República

Delacroix

Eugéne Delacroix - A Mad Woman 1822

A Mad Woman (1822)

O Pintor

Eugène Delacroix – (1798 – 1863) pintor francês, filho de boa família, segue estudos artísticos e desfruta de bons mestres. Em 1825 viaja para Londres, onde a sua obra é muito bem recebida. Em 1832 viaja pela Espanha e pelo Norte de África, difundindo na Europa a moda da temática moura.

Homem bem considerado na sociedade francesa do seu tempo, recebe importantes encomendas, foi amigo íntimo de Chopin, ingressa no Instituto de França…a sua obra litográfica é notável (ilustrou Hamlet e Fausto). Após a restauração dos Bourbons surgem os concursos pictóricos anuais de Paris (os Salões).

No de 1824, Delacroix apresenta Les massacres de Scio. O vivo contraste desta obra, que apresenta um vigoroso desenvolvimento das características da pintura romântica, com a ditadura neoclássica, desencadeia uma apaixonada oposição do seu principal representante, Ingres. Mas lentamente impõe-se o novo gosto, e o mundo antigo passa para segundo plano, substituído pela Idade Média e o Próximo Oriente.

Delacroix representa o cume da pintura romântica. É um apaixonado da vitalidade, da exuberância e do esbanjamento de cores, como Rubens ou Rembrandt. De fato, na obra de Delacroix a cor é mais importante que o desenho.

Comentário (I)

O burro vai falar

Uns dizem que a história vem da China Antiga, outros a atribuem à Idade Média na Europa, mas óbvia continua sendo sua aplicação entre nós. Um camponês foi condenado à morte pelo rei, mas viu um burro pastando nos jardins de Sua Majestade e pediu o adiamento por dois anos da aplicação da sentença, anunciando dispor do dom de fazer os burros falar. Na dúvida, o rei concedeu a moratória, e a mulher do camponês o interpelou, perguntando se estava maluco. Resposta: “Dentro de dois anos, três coisas podem acontecer: o rei morrer, o burro morrer ou eu morrer…”.

A mesma coisa acontece com o PT. Está condenado à derrota na próxima sucessão presidencial, pela absoluta falta de candidatos em condições de vitória. Assim, os companheiros precisam de tempo, podendo três coisas acontecer, até 2010: o presidente Lula aceitar o terceiro mandato, um candidato surgir entre os partidos aliados da base governamental, ou o partido desaparecer.
O Alto Comando petista trabalha com as três hipóteses, mas, assim como o camponês sabia da impossibilidade de fazer o burro falar, o PT tem consciência de que nenhum candidato viável emergirá de seus quadros…

Carlos Chagas, jornalista