Arquivo do mês: maio 2008
O trabalhismo ético perdeu um quadro
Miranda Sá, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br
Estão gravados na memória nacional os pronunciamentos de Jefferson Peres da tribuna do Senado Federal. O elogio fúnebre do líder do trabalhismo ético, Leonel Brizola, a despedida dedicada à Heloísa Helena e o antológico discurso de desilusão com a política, anunciando que não mais participaria como candidato em qualquer eleição.
Não dá para esquecer quando falou do eclipse moral do PT-partido, que desalentava os fundadores, e quando disse alto e bom som que não acompanharia a orientação do PDT para dar um voto contra a própria consciência.
É claro que se referiu ao PDT de hoje, que conspurca a memória de Leonel Brizola e enterra – sem missa de réquiem – o trabalhismo ético. O PDT dos pelegos, que vendeu por trinta dinheiros o exemplo e os preceitos de Brizola. O PDT mergulhado em escândalos de Carlos Luppi e Paulinho da Força.
Foram tantos jornalistas respeitáveis que dedicaram palavras de pungente respeito a Jefferson que não me lembro quem escreveu que ele “exercia no Senado o papel de contraponto. Oferecia à platéia a certeza de que a Casa não abergava apenas uma súcia de picaretas”.
Seja quem for o autor desse texto, assino embaixo. Peres foi realmente uma referência no Congresso em questões de ética, moralidade pública e, sobretudo, de patriotismo.
Talvez por isso nos obrigue a registrar neste adeus a sua decepção com os rumos da política brasileira, chegando a comentar de público que não encontrava mais prazer como parlamentar, lamentando o desaparecimento de espaços para o exercício de uma política honesta, voltada para o interesse nacional.
Por isso, analisando a morte de Jefferson Péres pelo ponto de vista do materialismo histórico, acho que o infarto o levou numa boa hora, evitando que se envolvesse em polêmicas como aquela em que criticou os intelectuais e artistas que aceitam a amoralidade de Lula da Silva; e poupando-se de ser salpicado da lama que cobre o trabalhismo dos pelegos…
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FRASE DA VEZ 3/23
“Levaram a gente para um quarto apertado, me isolaram e não falaram nada.”
Débora Alves, brasileira, mostrando que, sob o silêncio do governo Lula, a Espanha continua maltratando visitantes do Brasil.
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Homenagem a Jefferson Péres (1932-2008)
“Toda vez que um justo grita,
um carrasco vem calar.
Quem não presta fica vivo,
quem é bom, mandam matar.”
De O Justo, do Cancioneiro da Independência, de Cecília Meireles
De Juca Kfouri
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PIOR PARA O SENADO E PARA A POLÍTICA
No dia 30 de agosto de 2006, o senador Jefferson Péres fez um discurso de desalento no Senado e anunciou que não mais concorreria a cargo eletivo — seu mandato encerrar-se-ia em 2010. Infelizmente, foi abreviado.
Num dado momento, ele afirma: “Dizem que não pode falar mal do povo; eu falo”.
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Denise Abreu, a mulher-bomba
Ex-fumadora de charutos na Agência Nacional de Aviação Civil, Denise Abreu esteve em Brasília, esta semana, com documentos que, segundo ela, provam que a antiga diretoria colegiada da Anac praticou os atos administrativos lesivos que o Ministério Público Federal atribui apenas a ela.
A minuta da permissão para a venda da VarigLog a um chinês, por exemplo, que ofende a legislação brasileira, já chegou pronta à Anac.
Fonte: claudiohumberto.com.br
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Édouard Manet

O Cantor Espanhol
Édouard Manet (Paris 1832 – 1883 Paris) foi um pintor e artista gráfico francês e uma das figuras mais importantes da arte do século XIX.
Os gostos de Manet não vão para os tons fortes utilizados na nova estética impressionista. Prefere os jogos de luz e de sombra, restituindo ao nu a sua crueza e a sua verdade, muito diferente dos nus adocicados da época. O trabalhado das texturas é apenas sugerido, as formas, simplificadas. Os temas deixaram de ser impessoais ou alegóricos, passando a traduzir a vida da época, e, em certos quadros, seguiam a estética naturalista de Zola e Maupassant.
Em 1859, Manet envia o seu primeiro trabalho ao Salão de Paris (“O Bebedor de Absinto”), obra realista influênciada pelas obras do pintor Gustave Courbet e também pela obra Menippe de Diego Velásquez. A obra foi recusada pelo salão o júri não estava aberto ainda para novas idéias. A imagem do bebedor apareceria em outro quadro de Manet, “O velho músico” de 1862.
O quadro “O Cantor Espanhol” foi seu primeiro quadro exposto no Salão de Paris em 1861 junto a obra “Retrato de Sr. e Sra. Auguste Manet” (um retrato de seus pais). O “Cantor Espanhol” ganhou destaque na exposição pelas suas cores vivas e ganhou menção honrosa.
A última obra sob a influência espanhola foi “O Homem morto” de 1864, quando Manet o pintou ele era bem maior e se chamava “Incidente na Tourada” porém ele acabou recebendo críticas devido a crueldade da cena, Manet então dividiu o quadro e sua maior parte recebeu o nome de “O homem morto”.
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FRASE DA VEZ 2/23
“Quando assumi aqui a presidência, tinha nele um daqueles que sempre me apoiaram, que sempre me estimularam, que sempre só tiveram palavras de incentivo à luta pela credibilidade do poder legislativo.”
Presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN) em relação ao falecimento do senador Jéfferson Péres.
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Comentário de Fernando Gabeira
Um cenário para a Amazônia
Por causa da troca de ministros, esta semana foi dedicada ao meio ambiente. Fiz duas intervenções mais longas pela mídia. Uma delas a ser publicada no Liberal, de Belém, e outra na revista Exame da próxima semana.
Sem querer antecipar a forma dessas entrevistas, constato que estou falando a mesma coisa há algum tempo. A Amazônia é um tema de nossa política externa e seria interessante que o discutíssemos como questão nacional e não apenas de governo.
Os pontos básicos são a negociação no interior do governo e a discussão na própria Amazônia de um plano de desenvolvimento sustentável. Uma vez criado e se der garantias de transparência tem tudo para ser financiado internacionalmente.
Embora seja um grande problema, não devemos desistir diante dele. O Brasil já apaziguou conflitos entre Equador e Peru, já contribuiu para o surgimento de uma nova nação, o Timor Leste e garantiu, recentemente, a ordem no Haiti.
Também eram problemas complexos.
Vou acompanhar os primeiros passos da política ambiental para ver o que é possível fazer, para não ficar apenas nas críticas. A Amazônia é um desafio que deveria engajar todas as pessoas de boa vontade para buscar um consenso nacional. Seria o nosso grande argumento. Infelizmente, como os escândalos sucederam-se ao longo do governo, é preciso ser muito convincente sobre a aplicação do dinheiro.
Para isso há auditorias, enfim todo um sistema de salvaguardas. Um plano soberano do Brasil financiado pelo mundo é pelo menos uma proposta. E a faço há algum tempo. Mais cedo ou mais tarde será discutida.
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Opinião
“Canalhas de todos os matizes: eu não sou como vocês. Ética para mim não é pose, não é bandeira eleitoral, não é construção artificial de imagem para uso externo. Ética para mim é compromisso de vida. Agir eticamente para mim é tão natural quanto o ato de respirar.”
Senador Jéfferson Péres, falecido hoje (23/05).
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