Arquivo do mês: maio 2008
Abrimos aspas para o artigo de Clóvis Rossi de hoje na Folha de S. Paulo
Um
A sabedoria popular diz que todo político é ladrão. É uma injustiça? É. É preconceito? É. Mas convenhamos que o mundo político brasileiro não poupa esforços diuturnos para transformar esse preconceito em um conceito aceitável. Prova-o a repercussão da morte do senador Jefferson Péres. Dos leitores no seu “Painel” a colegas da política, as duas grandes características destacadas na vida do senador foram a firmeza de convicções e a honestidade.
Claro que ambas são qualidades, mas, em algum tempo remoto, foram também -e acima de tudo- obrigações. Obrigações primárias. Para políticos, então, mais ainda. Deles, como da mulher de César, exigia-se que, além de serem honestos, parecessem honestos. No Brasil contemporâneo (e não tão contemporâneo assim), até políticos honestos não parecem honestos porque a sabedoria popular não consegue acreditar que freirinhas em bordel lá estejam para catequizar as moças.
Tanto é assim que até um político 100% político, como é o deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ), reconhece: “Pessoas dessa qualidade se tornam cada vez mais raras na vida pública”.
De fato, no Congresso Nacional abundam os casos de congressistas que, em vez de biografia, têm folha corrida. O diabo é que todos eles, assim como todos os demais detentores de mandatos, são eleitos, o que levou o próprio Péres a dizer, da tribuna, durante o episódio do mensalão: “A crise ética não é só da classe política, não, parece que ela atinge grande parte da sociedade brasileira”, conforme ajuda-memória do site “Congresso em Foco”.
Por isso, afirmava também que abandonaria a política. Quem foi mesmo que disse “pobre do país que precisa de heróis”? Mais pobre ainda é o país que precisa de um político honesto. Um.
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José Antônio da Silva
Trabalhador rural, na infância conduzia bois junto com o pai. Por isso, a imagem destes animais sempre esteve muito presente em sua obra. Viveu de fazenda em fazenda, e há dúvidas sobre quando começou a pintar. Em um de seus livros, “Romance de minha vida”, ele conta que desenhava desde pequeno, em folhas de café e na areia.
Mas também fala que fez visitas ao céu e ao inferno, portanto há que se analisar cuidadosamente suas palavras. O certo é que em 1930 Antônio foi para São José do Rio Preto, onde fez sua primeira exposição em 1946 e foi “descoberto” pelos críticos Paulo Mendes de Almeida e Lourival Gomes. Estes se empenharam para trazer sua obra para São Paulo, o que aconteceu em 1948, ano de sua primeira exposição individual na Galeria Domus.
O sucesso foi grande e entre os compradores de sua obra estava Pietro Maria Bardi, que adquiriu 10 quadros para o Museu de Arte de São Paulo. Foi aceito para a primeira Bienal, em 1951, teve um quadro seu incorporado ao acervo do Museu de Arte Moderna de Nova York, fez exposições internacionais. Mas sua mais célebre exposição talvez tenha sido a que não participou: a quarta Bienal. Deixado de fora pelo júri, que incluía Lourival Machado, Silva ficou profundamente chateado e irritado.
Certa noite acordou e disse à sua esposa que iria matar os membros do júri. No entanto, ao invés de fazê-lo literalmente, foi para seu ateliê e pintou o enforcamento dos cinco membros (O Enforcamento do Júri, 1967, Museu de Arte Primitivista José Antônio da Silva). Em cima da forca, uma figura que lembra Jesus Cristo e que segura uma plaqueta: “A justiça divina não falha”.
Fios ligam o pescoço dos enforcados a uma figura ao lado, representando o inferno: “Aqui é o esquinto (sic) dos infernos”. Abaixo dos enforcados, a frase: “(…) o mesmo crítico que mi (sic) deu o título de maior primitivo brasileiro foi o primeiro a me jogar fora da Bienal(…)”.
Talvez esta obra resuma um pouco da personalidade e obra controvertidas de José Antônio da Silva que, em 1980 recebeu um museu em sua homenagem: o Museu Municipal de Arte Primitiva José Antônio da Silva, em São José do Rio Preto, São Paulo. Apesar de sua origem humilde, de seu pouco estudo e domínio da linguagem culta, Silva era conhecido por sua facilidade de expressão, de articulação de idéias e pensamentos, o que o levou a ser, além de pintor, autor de livros, como o “Romance de minha vida”, publicado em 1949, “Maria Clara” em 1970 e “Sou pintor, sou poeta” em 1981.
As cores vibrantes, um colorido quase circense, dão tom às suas obras. Primitivista, teve como tema constante em suas telas o ambiente rural, principalmente cenas onde aparecem bois e plantações, e também as manifestações culturais do povo, como os ritos religiosos. Como ele mesmo explicou em seus versos: “pinto a lavoura/ Também pinto as pastaria/ Pinto a empregada e a patroa/ Pinto a Joana e a Maria./ Pinto carroça e carreta/ Pinto carro e carretão/ Pinto o pedreiro na picareta/ Pinto o colono no enxadão” (em “Sou pintor, sou poeta”, de 1982).
Sua última exposição individual foi no museu de Arte Sacra em São Paulo: “A paixão e morte de Nosso Senhor segundo Silva”. José Antônio Silva morreu em 1996, na cidade de São Paulo.
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Farc confirmam a morte do guerrilheiro Tirofijo; Alfonso Cano assume a guerrilha
A guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) confirmou neste domingo a morte de seu líder histórico, Manuel Marulanda, anunciou a rádio Caracol.”O grande líder se foi”, informaram as Farc em comunicado, destacando também que Alfonso Cano, considerado o atual dirigente ideológico da guerrilha, vai assumir o comando no lugar de Marulanda, também conhecido como “Tirofijo”.
A morte do líder máximo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Pedro Antonio Marín, mais conhecido como “Manuel Marulanda Vélez” ou “Tirofijo”, representa o mais duro revés para a organização guerrilheira, que perde a seu emblemático líder e fundador, mas não o definitivo, segundo analistas políticos colombianos.
Marulanda, que dirigiu as Farc desde 1966 e pretendeu a tomada do poder pela via armada, morreu no dia 26 de março “por causas que ainda estão por ser confirmadas”, segundo disse hoje o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Militares da Colômbia, o almirante David René Moreno. O ministro da defesa, Juan Manuel Santos, tinha dito à revista “Semana” que o chefe guerrilheiro “estaria no inferno” e, respondendo a pergunta de se “Tirofijo” estava morto, o alto funcionário respondeu: “Sim, está morto”.
Estudiosos do conflito colombiano concordam que Marulanda, 78, era o encarregado de dirigir as Farc, apesar de já não manter em suas mãos todas as decisões.Pedro Antonio Marín deu vida a um movimento guerrilheiro composto por camponeses, mas degenerou em um grupo que seqüestrava e, pior ainda, tinha no narcotráfico uma fonte de financiamento.
O analista político Pedro Medellín considerou que a morte do líder máximo guerrilheiro das Farc “dá fim a uma era”, mas não é o fim do grupo armado, um dos mais antigos do mundo. Ele disse que Marulanda já não exercia a liderança de outras épocas e que inclusive a morte de outros líderes guerrilheiros, como o caso de “Ivan Ríos” e “Raúl Reyes”, devem ter mais repercussões no seio das Farc.
Fonte: Folha Online
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PT pagou conta privada de Lula com dinheiro público
O PT bancou, com recursos públicos do fundo partidário, taxas condominiais de uma cobertura usada por familiares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Bernardo do Campo, informa neste domingo reportagem de Leonardo Souza e Ranier Bragon, publicada pela Folha (a reportagem está disponível apenas para assinantes do jornal e do UOL).
Segundo a reportagem, o imóvel, de número 121, é no mesmo andar e fica de frente para a cobertura 122, comprada por Lula em 1996, no condomínio Hill House.
A Folha informa que, em análise da prestação de contas do PT de 2006, a equipe técnica do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) constatou que o PT gastou R$ 4.536,70 com taxas de condomínio do apartamento 121, “não justificado pelo partido a utilização e finalidade em área residencial”.
O partido teria arcado com despesas desse apartamento desde 2003.
À reportagem, por meio de sua assessoria, o Palácio do Planalto informou que “a ocupação do apartamento preenche uma necessidade de segurança da Presidência da República”.
“Essa necessidade foi satisfeita durante o período em que o PT foi locatário do imóvel para manter o arquivo do Instituto de Cidadania, doado pelo presidente da República ao partido. E, posteriormente, quando o PT encerrou o contrato de locação, essa necessidade foi satisfeita com a locação pela Presidência. Hoje o imóvel serve de base de apoio para a segurança, sobretudo na área de comunicações.”
A íntegra da reportagem está na Folha deste domingo.
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Comentário (II)
Dossiê
Para a ministra Dilma Rousseff, o importante na questão do dossiê não é o que está aparecido. É o que se deseja que fique desaparecido.
Cláudio Humberto, jornalista
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História – há 45 anos…
25/05/1963 – O melhor basquete do mundo
“Sob intensa emoção e vibração, o público que lotava o ginásio, calculado em mais de 20 mil pessoas, cantou o Hino Nacional, enquanto os jogadores, a maioria em lágrimas, se abraçavam na quadra”. Jornal do Brasil
A seleção brasileira masculina de basquetebol, após mais uma excelente atuação no ginásio do Maracanãzinho, quando derrotou a seleção dos Estados Unidos por 85 a 81, sagrou-se bicampeã mundial, título meritório e indiscutível pela performance e superioridade dos atletas brasileiros na campanha invicta.
Integraram a equipe vitoriosa: Amauri, Vlamir, Bira, Mosquito, Paulista, Rosa Branca, Jatir, Menon, Sucar, Vitor, Valdemar e Fritz. Além de Brasil e Estados Unidos, o Mundial de Basquete contou a presença de equipes da Argentina, Canadá, França, Itália, Iugoslávia, Japão, México, Peru, Porto Rico, União Soviética e Uruguai.
O brasileiro Amauri, foi o cestinha do campeonato, com 110 pontos, seguido pelo soviético Petrou, com 107. A equipe que mais marcou foi a dos Estados Unidos, com 498 pontos. Porto Rico, Itália, França, Iugoslávia, União Soviética e Estados Unidos. Um a um, foram derrotados pelo talento dos jovens, inspirados e incentivados pela entusiasmada torcida.
A conquista brasileira foi a confirmação do título, ainda cheio de dúvidas, de Santiago do Chile em 1959, em virtude da saída da União Soviética da disputa, após a recusa em enfrentar a China.
Nos anos 60, vivia-se um época de ouro no esporte brasileiro. O país respirava as primeiras conquistas mundiais. E o basquete firmava-se à altura dessa projeção, orquestrado pelo visionário técnico Kanela. Era tempo de amadorismo, onde o amor e o respeito à camisa pulsavam junto ao coração.
A genialidade do treinador Kanela
Nascido Togo Renan Soares, o inovador Kanela deu novos rumos ao basquete nacional a partir do final da década de 40. Exímio disciplinador e estrategista de pulso, foi fundamental à formação da geração vencedora que levaria o Brasil à superioridade mundial quinze anos mais tarde.
Temperamental assumido, ganhou fama também por protagonizar cenas antológicas à margem das quadras, como a que inspirou Nelson Rodrigues na crônica O tapa cívico, narrando uma bofetada desferida por Kanela em um árbitro ao duvidar de sua imparcialidade durante uma partida. Morreu em 1992.
Fonte: CPDOC/JB
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Comentário (I)
A necessidade de virar o jogo
Encontram-se, no passado, os melhores exemplos para balizar o futuro. O presidente Lula inscreve-se no rol dos governantes com maior popularidade em toda a crônica da República. Perde apenas para Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, mesmo assim, no olho mecânico. Deveria, no entanto, prestar atenção no que aconteceu aos dois antecessores.
Vargas reuniu tantos adversários em torno dele, certamente por suas qualidades e não por seus defeitos, enquanto JK descuidou-se do que acontecia ao seu redor, tão certo estava do retorno. Não retornou, um, e acabou deposto, o outro. Torna-se sempre necessário saber o que fazer com a popularidade. Deixá-la guardada no armário nunca deu certo.
Carlos Chagas, jornalista
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FRASE DA VEZ_2/25
“De todas as perguntas que respondo sobre células-tronco (CTs), a mais difícil é: ‘Em quanto tempo estaremos usando essas células para tratar doenças’?”
Lygia V. Pereira, cientista
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COTAS
Ipea vê desempenho dos cotistas
Estudo sobre aproveitamento de alunos negros em quatro universidades brasileiras informa: beneficiados pelo sistema de cotas exibem desempenho próximo, similar ou melhor em relação aos não-cotistas. Os dados, referentes a instituições de Salvador, Brasília, Campinas e Rio, são do Ipea. As boas notas derrubam o mito de que a defasagem prejudicaria os negros. Mas a polêmica continua. Críticos condenam a “discriminação racial ao contrário” do sistema de cotas.
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