Arquivo do mês: março 2008

Tim Maia – Me dê motivo

Último e emocionante show de Tim Maia, que ontem completou 10 anos de seu falecimento.

Fonte: chargeonline.com.br/Glauco

FRASE _4/15

“Se Deus é pelos justos, quem é pelos injustos?”

Millôr Fernandes, o Millôr

OS PORÕES DO NORTE

A última novidade é que Bush deixará entalhado seu nome na história como o presidente da mais celebrada democracia do mundo a autorizar o uso da tortura
O presidente George W. Bush, de quem o mundo há de se livrar dentro de nove meses, é um homem de superlativos. Presidiu a economia americana indo para a recessão durante o mais longo período de prosperidade que o capitalismo já produziu.

Promoveu uma guerra no Iraque, calçada em mentiras hoje deslavadamente comprovadas, durante o mais longo período de paz que a humanidade já teve. A última novidade é que Bush deixará entalhado seu nome na história como o presidente da mais celebrada democracia do mundo a autorizar o uso da tortura.
No dia 8 de março, Bush vetou uma lei aprovada no Congresso que proibia a CIA de torturar seus capturados com simulação de afogamento. A prática é velha nos porões da ditadura brasileira e nas prisões da democracia brasileira: pode ser aplicada pelo método simples (mergulhando a cabeça do sujeito na água até o limite do afogamento) ou pelo método elaborado (com a cabeça envolta num pano, para que o sujeito tenha a sensação de que não pode respirar mesmo fora da água).

Mal aplicada, a técnica leva à morte. Bem aplicada, ao desespero. Aplicada no limite, ao desmaio. Pode-se usar o eufemismo que se quiser, mas o nome disso é tortura.
Três dias depois do veto de Bush, o Departamento de Estado americano lançou seu relatório anual sobre a situa-ção dos direitos humanos no mundo em 2007. Corretamente, acusa o Brasil pelas torturas e mortes provocadas pelas polícias nos estados, atrocidades em que o caso de Carlos Rodrigues Júnior é lapidar. O adolescente de 15 anos morreu depois de ser torturado com choques elétricos por policiais dentro de sua própria casa, em Bauru, no interior de São Paulo.

Corretamente, também denuncia o caso da menina que dividiu cela com homens numa prisão do interior do Pará.
Qualquer um é livre para elogiar um país que aprova lei para torturar, à luz de tantos outros que torturam sem lei. Mas quem acha que isso não é retrocesso pode conferir o rol de técnicas medievais usadas pelos inquisidores católicos para punir suas presas. Entre o veto do dia 8 e a divulgação do relatório no dia 11, Bush, agindo como um Pinochet do norte, derrubou mais um tijolo da autoridade moral dos Estados Unidos para discutir direitos humanos.

No relatório, o governo americano corretamente censura o Brasil por ter enviado aqueles dois boxeadores cubanos de volta para Havana, entregando vítimas para o algoz. O governo brasileiro não protegia um interesse brasileiro com a deportação, só bancava a cafetina de Fidel Castro. Claro que isso não é coisa que país sério faça.
Em 2002, o cidadão canadense Maher Arar, nascido na Síria, passava pelo aeroporto John F. Kennedy, em Nova York, para pegar um avião para voltar para sua casa no Canadá, quando foi detido sob suspeita de terrorismo. Ficou duas semanas preso sem acusação nem advogado. Sem poderem torturá-lo, as autoridades americanas terceirizaram o serviço.

Puseram o sujeito dentro de um avião e mandaram-no para a Síria, onde foi torturado e ficou preso por um ano. Maher Arar era inocente. É um caso diferente do dos boxeadores cubanos, mas nele também se largou a vítima na mão do algoz, e isso não é coisa que país sério faça.

Fonte: Veja/André Petry

Indicado ao Nobel da Paz, Augusto Boal faz 77 anos com homenagens internacionais

Augusto Boal, teatrólogo brasileiro indicado ao Nobel da Paz de 2008, completa 77 anos no domingo (16). A indicação ao prêmio foi feita em reconhecimento a seu trabalho com o Teatro do Oprimido, técnica criada por Boal no final dos anos 60 e que utiliza a estética teatral para discutir questões políticas e sociais.

O aniversário de Boal será comemorado em mais de 40 cidades pelo mundo, com eventos públicos dedicados à conscientização sobre o aquecimento global, numa iniciativa de grupos do Teatro do Oprimido internacionais. No Rio de Janeiro, cidade do teatrólogo, as homenagens acontecem no Parque do Flamengo, das 10h às 13h.

Veja programação de todas as cidades no site: http://headlinestheatre.com/2Degrees08/jokers_events.htm

Fonte: Uol Notícias

FRASE DA VEZ_3/15

“O lucro dos quatro maiores bancos privados no Brasil em 2007 foi superior ao valor gasto pelo governo no enorme programa social Bolsa-Família, atendendo 11 milhões de famílias”.

Gilberto Dupas, presidente do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais (IEEI)

INCONFORMISMO

Paralisações ameaçam os serviços públicos

Inconformadas com o não cumprimento das promessas feitas pelo PT-governo, muitas categorias do funcionalismo ameaçam realizar “operações-padrão”, uma espécie de greve branca. Cerca de 180 mil servidores da Previdência, da Saúde e do Trabalho reivindicam aumento de 137%, a ser pago até 2011. Os 290 mil funcionários do Plano Geral de Cargos do Poder Executivo, que engloba carreiras administrativas dos Ministérios e autarquias, pleiteiam reajustes de 96,53%. Se o presidente Lula da Silva não realizar os acordos assumidos com os servidores, assistirá – antes do 1º de maio, a paralisia dos serviços essenciais do setor público.

Comentário (I)

A largada

O presidente do Senado, Garibaldi Alves, a quem coube presidir a legítima noite de São Bartolomeu em que se transformou a sessão que aprovou a TV pública, atribui responsabilidade à oposição. “Radicalizou muito e fez da obstrução um tumulto generalizado.” Na visão de Garibaldi, estava ali retratada a reação oposicionista à antecipação do processo da sucessão presidencial, iniciada, segundo ele, no dia em que Lula lançou a ministra Dilma Rousseff como “mãe” do PAC.

Dora Kramer, jornalista

FRASE DA VEZ_2/15

“Se eu estivesse estimulando práticas à margem da lei, talvez não tivesse a representação, e se aplaudisse a concessão de benesses em ano eleitoral, contrariando a lei, talvez mandassem fazer um busto com a minha imagem na Praça dos Três Poderes”.

Marco Aurélio de Mello, presidente do TSE

ENTREVISTA

Frei Beto critica assistencialismo do PT-governo

O jornalista Vicente Toledo Júnior, da UolNews de São Paulo, entrevistou o Frei Beto, o frade dominicano Carlos Alberto Libânio Christo, um dos grande batalhadores pela justiça social e ex-coordenador do Fome Zero, principal programa social do primeiro mandato do presidente Lula da Silva. Foi durante dois anos, foi assessor especial da Presidência da República, tendo deixado PT-governo no final de 2004 incomodado com os rumos da política econômica e criticando a burocracia que emperrava o andamento dos programas sociais.

Teólogo e escritor ligado à esquerda, Frei Beto deixa uma pergunta no ar: “Por que o governo federal não comemora cinco anos do Fome Zero e sim quatro do Bolsa Família? É uma pena que um programa muito mais amplo, e de perfil emancipatório, formatado pelo próprio governo Lula, e tido como prioritário, tenha sido substituído pelo Bolsa Família, que tem caráter mais assistencialista. É claro que o governo tem motivos para comemorar, afinal, depois da Previdência Social, o Bolsa Família é o maior programa de distribuição de renda existente no Brasil. E também a maior usina de votos favoráveis ao governo. Espero, entretanto, que o resgate de uma importante medida do Fome Zero – estabelecer prazo para as famílias se emanciparem do programa – venha a imprimir ao Bolsa Família um caráter mais educativo, de promoção cidadã. É preciso que os beneficiários produzam sua própria renda, sem depender do poder público nem correr o risco de retornar à miséria”.

Respondendo a uma pergunta de Vicente Toledo Jr., Frei Beto faz a crítica que todos os que elegeram Lula da Silva conscientemente fazem. Comentando sobre o Programa, diz: “Quanto ao Bolsa Família, houve evidente melhora, sem dúvida, graças ao empenho do ministro Patrus Ananias. Porém, me pergunto pelos outros programas que faziam parte da cesta emancipatória do Fome Zero: onde estão os cursos profissionalizantes? A formação de cooperativas? Os restaurantes populares? Os bancos de alimentos? Os comitês gestores? Por que conceder facilidades de acesso ao crédito se já existia, no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal, iniciativas, como o Banco Popular (que fim levou?) nesse sentido?