Arquivo do mês: março 2008

Oposição “a partir de agora”

Ninguém sabe e jamais saberá quem cunhou a expressão “a partir de agora” para fixar o momento em que a oposição passaria a se opor ao governo. Mas seus usuários mais freqüentes são Arthur Virgílio e Agripino Maia, líderes do PSDB e do DEM no Senado.

“A partir de agora, esta Casa viverá um clima de confronto”, anunciou Virgílio na semana passada logo depois da aprovação da Medida Provisória que criou a TV Pública.

Maia foi na mesma linha de Virgílio – apenas trocou o “a partir de agora pelo “daqui para frente”.

No dia seguinte, aferrado à mesma idéia e à mesma expressão, disparou o senador Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB:

– A partir de agora não vamos apreciar mais nenhuma matéria na Câmara e no Senado enquanto não se revolver a situação de o governo continuar legislando por meio de Medidas Provisórias.

Nunca na história deste país a oposição adiou tanto sua estréia.

Fonte: Noblat

MARCELO CRIVELLA E FERNANDO GABEIRA

Crivella e Gabeira temem um racha social no Rio

Os principais pré-candidatos à Prefeitura do Rio estão em pólos ideológicos opostos

COM CHANCES de sair na frente na disputa pela Prefeitura do Rio, o senador Marcelo Crivella (PRB), 50, e o deputado federal Fernando Gabeira (PV), 67, a princípio são a antítese política perfeita um do outro. Crivella tem base eleitoral nas áreas de menor renda e escolaridade, é lulista, milita contra o aborto e a descriminação das drogas e vê risco de uma “ditadura gay”. Gabeira se sai melhor nas áreas de maior riqueza e escolaridade, flerta com tucanos e milita pela legalização do aborto, a descriminação das drogas, e pela criminalização da homofobia. Mas os dois têm a uni-los a falta de experiência administrativa e o discurso de que não interessa a ninguém uma cidade partida.

Marcelo Crivella, que busca aliar-se a PTB e PT do B, pretende superar o trauma de duas derrotas (a prefeito do Rio em 2004 e a governador em 2006) seguindo o presidente Lula em inaugurações de obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) em comunidades pobres e no marketing político.
Anunciou que convidou o publicitário Duda Mendonça para a campanha. “Os derrotados aprendem com os suplícios que o povo lhes impõe. Nas campanhas anteriores, era um novato isolado e menos preparado.”

Crivella pretende centrar o discurso nas camadas de baixa renda e propor o uso de mão-de-obra de áreas pobres em serviços pagos pela prefeitura.
Gabeira faz libelo contra a cidade partida e as relações políticas dilaceradas. “A zona sul, elitista, escolarizada, com renda contra a zona norte, pobre, desinformada, evangélica é uma caracterização muito simplificadora. As forças que me apóiam têm penetração também nesses setores. Sou um candidato zona sul pronto para entrar nos morros.”

Aliado a PSDB e PPS, Gabeira têm o apoio dos governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG), mas diz que aceita negociar tanto com Lula quanto com o governador Sérgio Cabral (PMDB). “A política chegou a um nível de degradação que a própria democracia está ameaçada.”
Crivella, bispo licenciado da Igreja Universal, defende os processos que mais de 70 fiéis têm movido contra a Folha por reportagem que relatava a extensão do império econômico do grupo e diz que não houve orquestração. “Mas deveriam ser reunidas numa só ação”.

O quadro sucessório no Rio está indefinido. O prefeito Cesar Maia (DEM) apóia a deputada Solange Amaral e Cabral, o secretário estadual de Turismo e Esporte, Eduardo Paes (PMDB).

O PT fará prévias entre o deputado estadual Alessandro Molon (PT) e o ex-deputado Vladimir Palmeira. O PCdoB deve lançar Jandira Feghali, e o PSOL Chico Alencar.

Fonte: Folha de S. Paulo

CHARGE DO LUTE

Fonte: chargeonline.com.br/Lute

APÓS UMA SEMANA, COMISSÃO DOS CARTÕES JÁ PERDE FORÇA.

Oposição pressiona para abrir sigilo de gastos da Presidência; base resiste

A CPI dos Cartões mal começou e já corre o risco de ser esvaziada. Motivo: os partidos de oposição ameaçam abandonar os trabalhos, em represália à decisão da base aliada de rejeitar qualquer requerimento com a quebra de sigilo dos gastos com cartões corporativos da Presidência. O enredo aproxima a comissão da CPI das ONGs, que também patina na apuração.
“Não podemos legitimar a farsa. Se não for quebrado o sigilo desses gastos, a CPI não se justifica”, argumentou ontem o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).

“A CPI não terá porquê existir, à medida em que forem derrotados todos os requerimentos que pedem a transferência de sigilo com os gastos das contas secretas”, emendou o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

Depois da Semana Santa, o PSDB e o DEM pretendem reunir-se para decidir qual atitude vão tomar em relação às próximas semanas.

Assinante do Estadão leia mais em: Após uma semana, comissão dos cartões já perde força

FRASE _1/17

“Não devemos servir de exemplo a ninguém. Mas podemos servir de lição.”

Mário de Andrade (1893-1945)poeta, romancista, crítico de arte, folclorista, musicólogo e ensaísta brasileiro.

SÃO PAULO – OLHANDO A CATEDRAL DA SÉ

 

NOTICIÁRIO

PROCESSOS – A cada mês, 50 mil aposentados entram com processos contra o INSS. Diante dessa avalanche de ações, o Ministério da Previdência Social decidiu recorrer contra todas as sentenças judiciais com valores acima de 300 mil.

MEIO AMBIENTE – A cada 12 minutos, um animal silvestre é retirado das matas do país para ser revendido nas feiras do Rio ou exportado com notas fiscais frias. Esse tipo de tráfico é tema da segunda reportagem da série sobre crimes ambientais.

CHAPAS BRANCAS – Secretário Especial dos Direitos Humanos, o ministro Paulo Vannuchi critica as Forças Armadas por não terem aberto os arquivos da ditadura, diz que os discursos “chapa branca” da ONU ignoram violações no mundo e promete, para este ano, a revisão do Programa Nacional dos Direitos Humanos.

IRRIGAÇÃO – A cobrança pelo uso da água deve atingir em 2009 os produtores rurais que retiram o recurso da bacia do São Francisco. O valor proposto até agora é considerado alto para irrigantes, pois pode representar quase 1% do custo de produção e inviabilizar as culturas de subsistência como feijão e mandioca.

NARCOTRÁFICO – Após três meses de investigações, Polícia Federal prende cinco integrantes de uma quadrilha que utilizava Brasília como base para o envio de drogas ao exterior. Dois brasileiros, dois bolivianos e um italiano traziam cocaína da Colômbia ou da Bolívia e daqui abasteciam países europeus, como Portugal e Suíça.

EDUCAÇÃO – Com o número de analfabetos em queda, o Brasil tem agora outro desafio: entre os alunos da 6ª série, 95% não dominam plenamente a leitura e a escrita.

AMAZÔNIA – O destino de uma estrada de 885 quilômetros é o mais novo debate amazônico. A pavimentação da BR-319, rodovia que existe desde 1973, liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO) e não é transitável num trecho de 500 km durante a época das chuvas, já tem quase R$ 700 milhões de recursos previstos no PAC e um histórico de embates entre os ministérios dos Transportes e do Meio Ambiente.

FERROVIAS – Discretamente, o governo prepara a mudança de uma das principais obras ferroviárias do PAC. No centro da discussão está uma disputa sobre quanto teria que ser investido pela União, como contrapartida, para viabilizar o Ferroanel de São Paulo, um empreendimento orçado em cerca de R$ 1 bilhão, que por ora deverá ser engavetado.

CARTEIRA DO TRABALHO

Ministério implantará cartões eletrônicos

O Ministério do Trabalho planeja lançar em 1º de maio o cartão eletrônico que substituirá a carteira profissional de trabalho em papel -que completa 76 anos neste mês. A idéia é apresentar o cartão durante as festas comemorativas pelo Dia do Trabalho das principais centrais sindicais do país. O projeto, ainda em elaboração na área técnica do ministério, prevê a substituição gradual das carteiras em papel. O governo já sabe que não há como trocar de uma só vez os documentos de pelo menos 29 milhões de brasileiros com carteira assinada no país que constam na base de dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do ministério. Sem falar que cada trabalhador pode ter mais de uma carteira, o que eleva para mais de 60 milhões o número de carteiras de trabalho emitidas.

PELEGAGEM

Sindicalistas querem se manter no poder

Com a aprovação da lei que regularizou o funcionamento das centrais, os sindicalistas consagraram, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, um período de conquistas, de ocupação e ampliação de poder possivelmente sem precedentes na história. Preocupados com o fim do mandato de Lula, eles querem mais. “Nossa agenda agora é a de criar mecanismos institucionais que garantam a participação das centrais e dos trabalhadores em instâncias decisórias”, diz Arthur Henrique da Silva Santos, presidente da CUT.

CIGARROS

Saúde e Receita disputam controle

O projeto do Ministério da Saúde de aumentar o preço do cigarro para reduzir o consumo bateu numa barreira. A Receita Federal não quer abrir mão de seu papel de criador da política tributária. A Receita acredita que um aumento forte de preços, da ordem de 100%, por exemplo, elevaria ainda mais o mercado ilícito de cigarros. Há um abismo a separar os preços que a Receita e a área de saúde querem. Enquanto o Inca (Instituto Nacional de Câncer) quer o maço a R$ 4, R$ 5, a Receita defende um valor bem menor -R$ 1,74. No ano passado, o Brasil consumiu cerca de 150 milhões de cigarros. Cerca de 40% desse volume não pagou impostos: 39 milhões foram cigarros contrabandeados e 20 milhões foram produzidos por empresas brasileiras que não pagam impostos, segundo a Receita.