Arquivo do mês: março 2008

REUNIÃO DA OEA

Mantidos os compromissos anteriores

A reunião de chanceleres da OEA (Organização dos Estados Americanos) para ratificar o processo de paz entre a Colômbia e o Equador reabriu os ataques entre os dois países, não avançou nos termos políticos e não chegou a nenhum resultado prático, por falta de consenso. A questão foi empurrada para a Assembléia Geral da instância, em junho, em Medellín. A resolução final foi lida à 1h10 (2h10 de Brasília) da madrugada de ontem, “rechaçando” o bombardeio colombiano contra as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em território equatoriano; registrando o pedido de desculpas e o compromisso do país de não repeti-lo “em nenhuma circunstância”; e reiterando que todos os países se comprometem a combater “ações de grupos irregulares ou organizações criminais”.

MANCHETES de hoje_19.mar.08

GAZETA MERCANTIL – Fed reduz os juros enquanto no Brasil
a taxa pode subir

CORREIO BRAZILIENSE – BC investiga crediário

VALOR ECONÔMICO – Leilão para privatização da Cesp corre
risco de fracassar

JORNAL DO COMMERCIO (PE) – EUA cortam juros e mercado
financeiro tem dia de reação

DIÁRIO DE NATAL – CAERN não tem mais água para a
demanda de Natal

ZERO HORA – EUA atacam lança-foguetes pelo Brasil a Sadam

A TARDE – Lula desafia companheiros

TRIBUNA DA IMPRENSA – Lula deixa claro que não abrirá mão de MPs

ESTADO DE MINAS – Lula critica sindicalistas

O POVO – Pinheiro Landim renuncia

TRIBUNA DO NORTE – Emprego formal cai pelo terceiro ano seguido no RN

JORNAL DO BRASIL – Crise faz Brasil temer o capital especulativo

FOLHA DE SÃO PAULO – Juro real dos EUA fica negativo com 6º corte seguido

O ESTADO DE SÃO PAULO – Fed corta juros em 0,75 ponto
e bolsas reagem com forte alta

O GLOBO – Dengue se alastra e Rio já tem 45 casos por hora

POESIA

Arrufos

Não há no mundo quem amantes visse
Que se quisessem como nos queremos…
Um dia, uma questiúncula tivemos
Por um simples capricho, uma tolice.


— “Acabemos com isto!”, ela me disse,
E eu respondi-lhe assim — “Pois acabemos!”
E fiz o que se faz em tais extremos:
Tomei do meu chapéu com fanfarrice.

E, tendo um gesto de desdém profundo,
Saí cantarolando… (Está bem visto
Que a forma, aí, contrafazia o fundo).

Escreveu-me… Voltei. Nem Deus, nem Cristo,
Nem minha mãe, volvendo agora ao mundo,
Eram capazes de acabar com isto!

Arthur Azevedo

Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo nasceu em 7 de julho de 1855, em São Luís – MA e faleceu em 22 de outubro de 1908, na cidade do Rio de Janeiro. Em 1871 escreveu uma série de poemas satíricos sobre as pessoas de São Luís, perdendo o emprego de amanuense (copista de textos à mão).

Seguiu para o Rio (1873), onde foi tradutor de folhetins e revisor de “A Reforma”, tornando-se conhecido por seus versos humorísticos. Escrevendo para o teatro , alcançou enorme sucesso com as peças “Véspera de Reis” e “A Capital Federal“. Fundou a revista “Vida Moderna“, onde suas crônicas eram muito populares.

Artur de Azevedo, prosseguindo a obra de Martins Pena, consolidou a comédia de costumes brasileira, sendo no país o principal autor do Teatro de revista, em sua primeira fase. Sua atividade jornalística foi intensa, devendo-se a ele a publicação de uma série de revistas, especializadas, além da fundação de alguns jornais cariocas.

FRASE _5/18

“Todos os pensamentos inteligentes já foram pensados; é preciso apenas tentar repensá-los.”

Goethe (1749-1832), escritor alemão

CHARGE DO SINFRÔNIO

Fonte: chargeonline.com.br/Sinfrônio

MPs já foram mudadas várias vezes, sempre que o Congresso se sente invadido pela atuação do Executivo.

Para ouvir o comentário de Merval Pereira pela rádio CBN clique aqui

Lula: ‘É humanamente impossível governar sem MP’

Enquanto os operadores políticos do governo negociam no Congresso um acordo que civilize o uso de MPs, Lula, em viagem ao Mato Grosso do Sul, expõe em público algo que já dissera em privado:

“Qualquer deputado ou senador sabe que é humanamente impossível governar sem medida provisória porque o tempo e a agilidade que as coisas costumam acontecer muitas vezes é mais rápido do que o tempo das discussões democráticas que são necessárias no Congresso Nacional.”

Clique aqui para ler e assistir o presidente Lula em seu pronunciamento e tire suas próprias conclusões.

Fonte: Josias de Souza

CANTO DO MANGUE – NATAL/RN

canto do mangue - Natal/RN

ÚLTIMAS

PT não quer investigar a Presidência

O deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), relator da CPI mista (com deputados e senadores) dos Cartões Corporativos, defendeu nesta terça-feira que a comissão não quebre os sigilos dos gastos da Presidência da República efetuados com os cartões. Na opinião do relator, é possível investigar abusos nos gastos com cartões corporativos sem que a CPI tenha acesso aos dados sigilosos.
“Até o momento, eu realmente não vi nenhuma motivação para quebrar o sigilo. Mas a dinâmica da CPI vai nos colocar diante dessa necessidade ou não”, afirmou. Na semana que vem, a comissão vai ouvir os depoimentos do ministro Jorge Félix (Gabinete de Segurança Institucional) para explicar se a quebra dos sigilos de gastos da Presidência da República pode trazer riscos à segurança.

UolNews/MS

Artigo publicado n’ O JORNAL DE HOJE

Bolsa Família, uma usina de votos

MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa @uol.com.br

Uma análise histórica isenta como deve ser, mostra a metamorfose sofrida pelos fundadores do PT após a eleição de Lula da Silva para a Presidência da República. Os que não saíram depois da sintomática escolha de Henrique Meirelles para o Banco Central e discordando das sucessivas medidas neoliberais da reforma da Previdência para cá, dividem-se em três categorias.

A corrente majoritária é formada pelos acomodados com a situação. Lavaram as mãos no engavetamento do programa do partido e trataram de se locupletar no aparelho administrativo do governo, ou flanando nas ONGs da corrupção paralela. A outra é a fração intelectualizada que ficou abalada com os desvios ideológicos passou a empenhar-se politicamente na busca de argumentos para explicar e justificar as falhas e os erros do Pelegão.

Sem muitos integrantes, mas muitíssimo influente, é a terceira turma que engrossa a base parlamentar do partido. Embora brigando entre si, os vereadores, deputados estaduais e federais, senadores e a vasta assessoria formam sem dúvida a intelligêntsia da organização. É este grupo que representa o novo PT, isto é, que possui o diapasão para o coro dos defensores incondicionais do PT-governo.

Nenhum dos três bandos é capaz de uma autocrítica. Uns, por vantagens pessoais ou grupistas; outros, querendo ressuscitar a esperança perdida; e mais alguns pelo carreirismo desenfreado dos eleitoralistas profissionais.

Felizmente ainda sobram idealistas puros, que brotam como um lírio no lamaçal. Um deles é o frade dominicano Carlos Alberto Libânio Christo, um dos grandes batalhadores pela justiça social e ex-coordenador do Fome Zero, principal programa social do primeiro mandato do presidente Lula da Silva. Frei Beto, como é mais conhecido, destacou-se esta semana reprovando o assistencialismo do Bolsa-Família.

Em entrevista dada ao jornalista Vicente Toledo Júnior, da UolNews de São Paulo, Frei Beto – que foi assessor especial da Presidência da República – foi contundente ao mostrar os enganos cometidos, a intervenção negativa da burocracia e as negociadas feitas à margem do Programa. Indiscutivelmente um pensador de esquerda – da esquerda socialista – o Dominicano, teólogo e escritor, deixa uma pergunta no ar:

“Por que o governo federal não comemora cinco anos do Fome Zero e sim quatro do Bolsa Família? É uma pena que um programa muito mais amplo, e de perfil emancipatório, formatado pelo próprio governo Lula, e tido como prioritário, tenha sido substituído pelo Bolsa Família, que tem caráter mais assistencialista. É claro que o governo tem motivos para comemorar, afinal, depois da Previdência Social, o Bolsa Família é o maior programa de distribuição de renda existente no Brasil. E também a maior usina de votos favoráveis ao governo. Espero, entretanto, que o resgate de uma importante medida do Fome Zero – estabelecer prazo para as famílias se emanciparem do programa – venha a imprimir ao Bolsa Família um caráter mais educativo, de promoção cidadã. É preciso que os beneficiários produzam sua própria renda, sem depender do poder público nem correr o risco de retornar à miséria”.

Nada é preciso acrescentar a esta exposição lúcida. Nem Lula da Silva nem o seu governo querem emancipar o povão e sim promover o neo-coronelismo, que abandonou a reforma agrária, engavetou o projeto das cooperativas, restaurantes populares e o Banco Popular, que só existe hoje no papel (e na mídia).

Está dito: o Bolsa-Família é uma usina de votos e nada mais. Criou uma dependência menos social do que orgânica para os beneficiários sem caminho de volta. A produção rural necessita de braços, a indústria não encontra trabalhadores qualificados, os pequenos sítios e granjas já não conseguem empregados, enfim, o eleitor do Pelegão, consciente de ser uma mercadoria comprada, decide: “pernas pro ar, que não sou de ferro”.

Paralelamente chegam os oportunistas à cata de votos e vantagens. Os cabos eleitorais que substituíram a gloriosa militância do PT estão satisfeitos em manter-se permanentemente; vereadores e preitos, gestores municipais do Programa dão sinais claros de ações corruptas e corruptoras; e a sociedade civil organizada vê-se impotente assistindo tudo isso. O tóxico inoculado nas veias que determinará sua própria degenerescência.