Arquivo do mês: março 2008

OPINIÃO

Orçamento desmoralizado

A pouca seriedade no trato das questões orçamentárias, no Brasil, é bem conhecida. Não houve surpresa, portanto, quando a aprovação da proposta da lei orçamentária mais uma vez atrasou. Como o governo pode gastar com o custeio essencial e com o serviço da dívida 1/12 das verbas previstas para o ano, a administração federal não fica totalmente paralisada e a vida continua, num arremedo de normalidade. Mas o Tesouro não pode financiar novas obras nem realizar certas transferências. Tudo isso é quase rotineiro no Brasil.

A pouca seriedade em todos esses procedimentos é uma das marcas da administração pública brasileira. Como o orçamento não é impositivo, mas autorizativo, o governo pode manejar as verbas arbitrariamente, ignorando, por exemplo, os projetos vinculados a emendas parlamentares ou subordinando a sua execução a conveniências político-partidárias.

(Editorial/Estadão)

Comentário (II)

Petrobrás

A queda de mais de 15% das ações da Petrobrás no ano, com o petróleo nas máximas históricas, prova a incompetência do companheiro Sergio Gabrielli, claramente incapaz de exercer um cargo dessa importância. Enquanto a empresa é tratada como um feudo do petismo, inflada com contratações absurdas de pessoas que têm como única qualidade serem amigos do PT, e com uma política de preços totalmente fora da realidade do mercado, são prejudicados os demais acionistas e os contribuintes brasileiros, já que para beneficiar alguns “companheiros” incompetentes o resultado da empresa é deixado em segundo plano. Se fosse uma empresa privada, o senhor Gabrielli estaria agora procurando emprego, depois do pífio resultado apresentado em 2007 e das previsões de um desempenho ainda pior em 2008, mas, como é amigo do “homem”, continua com a “boquinha”.

Luiz Barros (luiz67@msn.com)

CARTÕES CORPORATIVOS

4ª feira CPI dirá a que veio

O “dia D” para medir o apetite da oposição pela CPI dos Cartões será a próxima quarta-feira. Na votação dos primeiros requerimentos ficará claro se haverá algum empenho de tucanos e “demos” para ter acesso às informações sigilosas da Presidência, as únicas que podem produzir algum calor.

Renata Lo Prette, jornalista (painel@uol.com.br)

FRASE DA VEZ_2/21

“O que seria dos zé-dirceus se não fosse ‘a direita’?”

Nelson Motta, intelectual multifacético

ÚLTIMAS

2.000 casos de dengue por dia no Rio

A Secretaria Municipal de Saúde do Rio notificou em apenas um dia, entre anteontem e ontem (dia 20), 2.053 casos confirmados de dengue na cidade. Neste ano, já foram registrados 23.555 casos da doença. Também foi confirmada pela secretaria nesta sexta-feira a morte de uma menina de 14 anos, moradora da Praça Seca, na Zona Oeste, a região mais atingida da cidade. Está marcada para a próxima segunda-feira (24), a primeira reunião do gabinete de crise para o combate à dengue no Rio, criado pelo Ministério da Saúde. O gabinete será formado pelos secretários de Atenção à Saúde, José Noronha, e de Vigilância Sanitária, Gerson Penna, que vão atuar com o governo fluminense.

Agência Brasil

OPINIÃO

Autos-de-fé

Para o Lula, “o tempo em que as coisas precisam acontecer é mais rápido do que o tempo das discussões democráticas no Legislativo”. Trata-se não apenas da defesa das medidas provisórias, sem as quais, para ele, seria “humanamente impossível governar o país”. No caso, o presidente formulou declaração de fé na ditadura. Daí para chegar aos famigerados “autos de fé” dos tempos da Inquisição, guardadas às proporções, a distância parece curta. Se numa sociedade organizada não há espaço para discussões democráticas, entroniza-se o autoritarismo no credo administrativo.

Carlos Chagas, jornalista

COMENTÁRIO (I)

Dengue e dignidade

Esses petistas e os parasitas agregados a esse governo não têm mesmo um mínimo de dignidade. Na campanha presidencial de 2002, responsabilizaram o ex-ministro da Saúde e então candidato José Serra pelo avanço da dengue. Agora que são governo não assumem a responsabilidade pela epidemia que assola o Rio de Janeiro, em particular, e também outros Estados. Jogam a culpa no prefeito César Maia, como se a epidemia não lhes dissesse respeito. Eis a cara desse governo!

RODRIGO BORGES DE CAMPOS NETTO (rodrigonetto@rudah.com.br)

V E N E Z U E L A

Cai a popularidade de Hugo Chávez

Depois de nove vitórias eleitorais e mais de cinco anos mantendo popularidade acima dos 50%, o presidente Hugo Chávez está perdendo o apoio que mantinha nos setores mais pobres da população venezuelana. Pesquisas divulgadas nos últimos dias mostram queda na avaliação do governo e a reprovação, segundo analistas, tem duas vertentes: a derrota da reforma constitucional no plebiscito e o envolvimento pessoal na crise que envolveu a Colômbia e o Equador.

Numa das amostragens, do Instituto Datos, a aprovação do governo caiu de 43% no final de 2007 para 34%, e no outro levantamento, feito no último trimestre pela empresa Alfredo Keller, a queda foi ainda maior: de 50% a 37%. Uma média aponta que a avaliação pessoal de Chávez caiu de 66% no começo de 2006 para 47% neste ano.

Segundo analistas, o voto reflete a carestia de vida e da falta de produtos básicos como leite e a carne, protesta contra a violência por falta de segurança e condena a corrupção nos círculos governamentais. É interessante anotar que a insatisfação aumentou cerca de 30% nos bairros de influência chavista em Caracas.

BBC/Brasil_MS

A minha velha Semana Santa

Por: Henrique Neto

No meu tempo de menino em Espírito Santo, a Semana Santa era comemorada com alguns rituais que hoje em dia não sei se ainda existem, diferentemente daqui do Sudeste, onde o costume é celebrar apenas o domingo de Páscoa.

O texto a seguir foi escrito em 2002, mas como tenho especial carinho por ele, divido aqui com vocês essas lembranças já me desculpando com as pessoas que o conhecem de outros sites onde eu já o tenha publicado.

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Na Semana Santa, nas casas onde as famílias eram mais tementes a Deus, todos os quadros eram virados contra a parede ou cobertos por um pano. Este ato (se não me trai a memória) simbolizava a compaixão pela dor de Jesus Cristo. Na Sexta-feira da Paixão, comer carne nem pensar. Ouvir música ou ligar ar TV era inflamar a Deus. E se de novo não me engano, algumas pessoas também não achavam muito certa a prática do banho.

Ainda na Sexta-feira Santa a tradição (e a pobreza dos mais necessitados que se aproveitavam da data) mandava que as crianças saíssem de porta em porta pedindo esmolas. O dono da casa que não atendesse a esses pedidos – que eram muitos -, estava cometendo um pecado. Dos grandes. Ir pedir ‘abença’ (como ainda hoje se diz) aos padrinhos nesse dia era um excelente negócio, pois eles eram obrigados a dar a esmola aos seus afilhados. Lá em casa, onde não fugimos em nada à regra, minha avó teve o cuidado de só chamar o povo lorde para nos apadrinhar. Um dos meus irmãos foi pedir ‘abença’ a este dito padrinho rico e o distinto senhor lhe deu um côco seco de esmola. Indignado com este ato de pão-durismo, meu irmão rebolou no meio da rua o fino presente que acabara de receber.

De noite, no único e pequeno cinema que tinha na cidade, o de Zé Honório, eram exibidas várias sessões do filme ‘A Paixão de Cristo’ para dar conta da cidade toda o assistir. A cópia da fita era tão velha que durante a projeção arrebentava várias vezes, obrigando o pobre do Maninho – projetista do cinema – a cortar um pedaço da película e tornar a remendar com durex. Não precisa ser muito esperto para saber que, ano após ano essa cópia ia ficando mais curta. Pior era quando a fita começava a pegar fogo e se via as labaredas projetadas na tela. Uma parte chata era quando tínhamos que aguardar a fita vir da cidade vizinha, onde o filme ‘passava’ primeiro em outro cinema de Zé Honório. Qualquer semelhança com ‘Cinema Paradiso’ não é mera coincidência.

E para terminar a Sexta-feira da Paixão em grande estilo, após a meia noite era feita a tradicional malhação do judas com os bonecos feitos por Chiquinho Preto. Era uma farra para a meninada. Depois se comia galinha caipira que, necessariamente, tinha de ser roubada do quintal dos vizinhos ou nos sítios das redondezas, acompanhada de uma boa cachaça, que ninguém era de ferro.

Tempos bons aqueles.

CHARGE DO PATER

Fonte: chargeonline.com.br/Pater