Arquivo do mês: março 2008

CHARGE DO LANE

Fonte: chargeonline.com.br/Lane

Artigo saído n’ O METROPOLITANO. Nas bancas.

Mexendo a canjica das relações internacionais

MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br


Na minha saga de velho profissional de imprensa, evito sempre meter a colher em assuntos locais – que precisam ser analisados com independência e isenção – e também na política internacional, cuja informação (perdoem-me as agências de notícias) nos chega totalmente distorcida. Resta-me, portanto, escrever sobre a conjuntura nacional, assumindo a atitude oposicionista que é uma tarefa histórica dos jornalistas.

Como toda regra tem exceções, de vez em quando sinto a necessidade de intervir em questões supranacionais. Se tivesse tempo de estudar mais as implicações internas da economia norte-americana, procuraria descrever os riscos do capitalismo, e suas crises periódicas. Ainda me vem à lembrança a grande discussão sobre a recessão que promoveu o crack de 1929 e suas seqüelas a nível mundial.

Mesmo assim não aceito passivamente as palavras tranqüilizadoras de Lula da Silva e do seu ministro de luz baixa, Guido Mantega. Nenhum dos dois merece crédito e o FMI – monitor desses neo-neoliberais entra em contradição com o otimismo exagerado deles.

Tirando o corpo fora de um assunto de banqueiros, financistas e agiotas, meu impulso internacionalista leva-me a olhar para a América do Sul e as nuvens negras da guerra que cobriram o subcontinente. Primeiro, porque conheço relativamente bem a geopolítica regional e, segundo, por discordar do modo de proceder ambivalente e inseguro do PT-governo.

Creio inadmissível o silêncio em torno das ações criminosas das FARC. Está na Bíblia que a mulher de Loth olhou para trás e virou uma estátua de sal; é assim que faz o PT-governo, vendo as FARC como o movimento revolucionário sociológico, antifeudal e anti-oligárquico surgido 50 anos atrás. Não acompanhou sua evolução degenerescente, a prática de ataques terroristas, seqüestros e, pior que tudo, uma criminosa associação com o narcotráfico.

Nenhum teórico revolucionário aceitou o princípio jesuíta dos fins justificarem os meios. Somente os restos esmolambados da intelectualidade que fundou o PT-partido admitem isto e fecham os olhos para o acolhimento que os governos equatoriano e venezuelano dão aos bandoleiros colombianos que agem sob a bandeira das antigas FARC. Não é possível que sejam criados santuários fora da Colômbia para a narco-revolução.

Não se pode, também, jogar com dois pesos e duas medidas. Que a invasão do Equador é condenável, teoricamente é; entretanto a autodefesa e a ação preventiva em defesa da vida são consagradas em todos os códigos do mundo. Segundo: se o exército colombiano quando atravessou as fronteiras equatorianas merece repreensão, porque não reprovar a ordem de Hugo Chávez para as forças armadas venezuelanas ocuparem aos limites colombianos?

Em nome da soberania nacional o governo brasileiro tem a obrigação de se afirmar. Até pelo tamanho geográfico e populacional. Não falo nem de Lula da Silva, mas da tradicional política seguida pelo Itamaraty de que é necessário ver a ingerência desestabilizadora de Hugo Chávez na Amazônia. A corrida armamentista do coronel-presidente é preocupante, mas o pior é o intervencionismo político, usando uma espécie de mensalão pago em petrodólares.

Esconder esta realidade é querer tapar o sol com uma peneira. Por isso o Brasil não pode ficar no discurso pacifista, etc., etc. Não aceitar as provocações bolivianas – invadindo as instalações da Petrobras e arriando a bandeira nacional – e muito menos aceitando o estímulo dado por Chávez às FARC. Quem muito se abaixa… Permite que após eleições os paraguaios queiram nos tomar Itaipu…

Comentário (I)

Cartões corporativos

Os ministros Paulo Bernardo e Jorge Hage, ao declararem haver uma “escandalização do nada” diante da farra dos cartões corporativos, certamente teriam outra opinião e ficariam também indignados – como todo cidadão comum – caso sobrevivessem com a mísera aposentadoria que o INSS concede aos seus contribuintes. Os ministros envergonham os cidadãos de bem que não se curvam às maracutaias petistas e, como sempre, mais uma falcatrua será enterrada, para conforto e tranqüilidade de Lula, para continuar com as suas bazófias.

João Roberto Gullino (jrgullino@oi.com.br)

NOTICIÁRIO DE HOJE

INVESTIMENTOS DÃO N’ÁGUA – Como a liquidez fugiu dos mercados de crédito e de capitais para os setores de petróleo e ouro, outra classe de ativos que pode oferecer retorno a longo prazo para o investidor perspicaz é a água. Motivo: é um produto cuja escassez será cada vez maior devido à demanda crescente do mercado.

PREOCUPAÇÕES – O pré-candidato Fernando Gabeira (PV) reagiu com ironia ao ataque de Marcelo Crivella (PRB), segundo quem ele “defende homem com homem”. Para Gabeira, a relação que preocupa é “a do mosquito (da dengue) com o homem”.

REFORMA TRIBUTÁRIA – Prefeitos candidatos à reeleição estão preocupados com as perdas e os ganhos da reforma tributária. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), montou grupo de estudos, sob a responsabilidade do secretário de Finanças da capital, Walter Rodrigues: “Mudanças podem causar insegurança jurídica”.

USINEIROS NUMA BOA – Os três maiores grupos brasileiros de açúcar e álcool – Cosan, Crystalsev e Copersucar – se uniram para construir um alcoolduto que ligará o interior de São Paulo ao litoral paulista, por onde a commodity será embarcada para o mercado externo. Para tirar o projeto do papel, orçado em mais de R$ 1,5 bilhão, as usinas criaram a Uniduto Logística S.A.

CAMPANHA ELEITORAL – Nas viagens do presidente Lula pelo país para divulgar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), aliados tentam colar em sua popularidade de olho nas eleições municipais de outubro. Oposição acusa petista de utilizar o programa oficial do governo para fazer campanha em prol de candidatos da base.

PODE SAIR ACORDO – O embaixador Roberto Azevedo, principal negociador do Brasil na Rodada Doha, vê uma “nesga de luz” para os países tentarem fechar um acordo agrícola e industrial, no mês que vem na Organização Mundial do Comércio (OMC). A tendência é um acordo ser estruturado na área industrial, por exemplo, como um “cardápio, onde cada um escolhe seu prato”, com a abertura do mercado adaptada a sua estrutura tarifária.

CRISE FINANCEIRA

Governo é otimista, mas não tanto…

Com o objetivo de evitar que o forte crescimento do consumo interno leve a uma demanda superior à oferta de produtos, o que poderia provocar reajustes de preços, o governo trabalha em duas frentes: convencer grandes empresas a investirem na ampliação da capacidade de produção e reduzir a oferta de crédito, limitando o prazo dos financiamentos para no máximo 36 meses – hoje, há empréstimos de até 99 meses. Ao longo da próxima semana, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, se reunirá com bancos, siderúrgicas e indústrias para explicar o “freio de arrumação” proposto pelo governo.

DENGUE

Exército combaterá epidemia no Rio

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, anunciou ontem nos Estados Unidos que as Forças Armadas vão montar hospitais de campanha no Rio para atender pessoas com dengue. Ao comentar a gravidade da situação na cidade, Jobim sugeriu que houve falhas no esquema sanitário. “Houve uma leniência no combate ao mosquito da dengue e agora estamos pagando esse preço. Não adianta a gente ficar discutindo se é uma epidemia”, disse o ministro. Anteontem, um bebê de 7 meses morreu com suspeita de dengue. O diagnóstico só foi dado dez dias após Ana Clara Gonçalves começar a apresentar os primeiros sintomas. O número de óbitos sobe para 49 no estado, sendo 25 de crianças.

PARAÍSO FINANCEIRO

Brasil oferece mais lucros a banqueiros

Em contraste com a crise que vivem no exterior o lucro de bancos estrangeiros no Brasil cresce 160% em 2007. Eles elevaram ganho em 160% em 2007, contra alta de 22% dos nacionais. Segmento que mais cresceu nos lucros foi o de bancos de investimento, com foco em grandes operações; UBS lidera entre estrangeiros.

MANCHETES do dia_22.mar.08

JORNAL DO BRASIL – “A ordem era exterminar”

O ESTADO DE SÃO PAULO – Governo quer reduzir prazo de
crediário para conter consumo

O GLOBO – Militares montarão hospitais de campanha contra dengue

JORNAL DO COMMERCIO (PE) – Chuva castiga 32 cidades do Estado

GAZETA MERCANTIL – Bancos brasileiros avançam entre os
mais valorizados

VALOR ECONÔMICO – Término de concessões em 2015 agita o
setor elétrico

TRIBUNA DA IMPRENSA – Forças Armadas ajudarão no
combate à dengue

A TARDE – PT diz que rejeita vaga de vice de JH

FOLHA DE SÃO PAULO – Exército montará hospital no Rio
contra a dengue

CORREIO BRAZILIENSE – Mais investimentos e menos crédito
para frear inflação

TRIBUNA DO NORTE – Chuvas danificam estradas e deixam ilhada
cidade do RN

IMAGENS DA NATUREZA DO MUNDO AFORA…

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POESIA

Lágrimas

Eu não sei o que tenho. Essa tristeza
que um sorriso de amor nem mesmo aclara,
parece vir de alguma fonte amara,
ou de um rio de dor na correnteza.

Minha alma triste, na agonia presa,
não compreende essa ventura clara,
essa harmonia maviosa e rara
que ouve cantar além, pela devesa.

Eu não sei o que tenho… Esse martírio,
essa saudade roxa como um lírio,
pranto sem fim que dos meus olhos corre…

Ai! deve ser o trágico tormento,
o estertor prolongado, lento, lento,
do último adeus de um coração que morre.


Auta de Souza, poetisa norte-riograndense (Macaíba – 1876 – Natal – 1901)