Arquivo do mês: setembro 2007

FRASE DA VEZ_10/3

“O problema com os “cartões corporativos” é a facilidade com que podem ser usados; se o servidor achar que a compra é urgente, é só passar e pronto. A fatura é debitada no bolso do contribuinte, que não sabe onde o dinheiro foi empregado”.

Duarte Nogueira, deputado federal (SP)

Fonte: chargeonline.com.br

Decadência do movimento sindical

“Dados do IBGE mostram que o número médio de associados nos sindicatos urbanos caiu cerca de 40% entre 1988 e 2001, e continua a cair. Além do aumento de seu número, as mudanças no mercado de trabalho forçaram o encolhimento dos sindicatos. O crescente uso da automação, a busca frenética por redução de custos e ganhos de produtividade e o uso cada vez mais intenso de mão-de-obra terceirizada reduziram a base atuante dos sindicatos.

O desemprego, problema que assustou o Brasil até há alguns anos, junto com a pressão internacional pela desregulamentação do mercado de trabalho e pela flexibilização das relações entre empregado e empregador, e a facilidade de transferência da produção para outros países ou regiões em caso de dificuldades de qualquer natureza desestimularam a ação sindical. Ou seja, enfraqueceram os sindicatos.

Menores e mais fracos, os sindicatos precisam de mais imaginação para sobreviver num mundo diferente daquele em que eles foram constituídos. A maioria das diretorias sindicais, entretanto, sustentadas pela receita fácil assegurada pelo Imposto Sindical, não demonstra nenhuma preocupação com o problema. Dirigentes que, no passado recente, demonstraram capacidade de reagir e descobrir novas formas de ação sindical – como os dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo, criadores no novo sindicalismo brasileiro – trataram de se livrar do passado assim que chegaram ao poder”. (Agência Estado)

OPINIÃO: A reportagem do Estadão perseguiu um tema que já é estudado há mais de 15 anos pelos marxistas brasileiros, interessados em explicar a cooptação das frações comunistas pelos governos civis que sucederam o regime militar, época em que se comportaram como os sindicalistas espanhóis na ditadura franquista. Precaveram-se sob a capa do apoliticismo com os generais e se entregaram ao servilismo associando-se a pelegos. Assim é traçada a curva descendente do movimento sindical brasileiro: já não se fala mais no fim do famigerado imposto sindical, nem da unidade de ação por categoria; abandonou-se à própria sorte as entidades dos servidores públicos, enfim, acompanham a cabeça sem corpo das centrais, confederações e federações, vivendo de golpes, o avanço nos fundos de pensão e a criação de ongs para lesar o Erário. PT SAUDAÇÕES. Miranda Sá

FRASE DA VEZ_9/3

“O governo é que se ocupa em solapar o governo e a ordem é que está trabalhando pela desordem”.

(+) Rui Barbosa, o autêntico

Regra três e caixa dois

“O governo não cumpriu a regra para o aumento dos gastos com pessoal que ele mesmo se impôs ao lançar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em janeiro deste ano. Na ocasião, em solenidade no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou ao Congresso projeto de lei complementar que definia que as despesas com pessoal dos três Poderes da União não poderiam crescer mais do que 1,5% ao ano, acrescido da variação da inflação (medida pelo IPCA). Na proposta orçamentária para 2008, encaminhada ao Congresso na semana passada, as despesas com pessoal no próximo ano terão aumento nominal de 10,1% e aumento real de 5,9% (ou seja, descontada a inflação prevista de 4%). Este aumento real é mais do que o triplo do que é previsto na regra do projeto de lei do próprio governo, cuja tramitação está emperrada na Câmara”.

Ribamar Oliveira, jornalista (de Brasília)

OPINIÃO: O “Primeiro Emprego” foi para o beleléu. O programa Bolsa-Família totalmente desfigurado, se sustenta como as cestas básicas dos coronéis nordestinos para conquistar votos. A ética não há mais, exceto na retórica inconseqüente do Pelegão. O que se espera da propaganda enganosa do desenvolvimento? O PAC, essa prefiguração dos marqueteiros do Planalto (ainda Duda Mendonça?) vai se esvair quando as verbas da propaganda governamental se esgotarem. Podem crer. MIRANDA SÁ

FRASE DA VEZ_8/3

“Nossa maior clientela em matéria penal reside no Congresso Nacional, nos membros da Câmara e do Senado.”

Celso Mello, ministro do STF

A farra dos cartões corporativos

“O uso cada vez mais abusivo (para não dizer escandaloso) dos famigerados “cartões corporativos”, cartões de crédito que abrigam a forma mais esconsa e descontrolada de despender dinheiro público, em amplos setores da administração pública. Os dados são, realmente, impressionantes. Levantamento feito pela assessoria de orçamento do DEM no Congresso Nacional – assunto de matéria de nossa edição de quinta-feira – mostra que até o dia 28 de agosto deste ano os gastos do governo federal, realizados por meio dos “cartões corporativos”, já equivalem a R$ 53,1 milhões, o que representa cerca de 3,7 vezes o total gasto, pelo mesmo sistema, em 2004.

Veja-se a evolução: em 2004 o governo federal gastou, com “cartões corporativos”, R$ 14.151.233,77; em 2005 gastou R$ 21.706.269,63; em 2006 gastou R$ 33.027.679,89; e em 2007 (até 28 de agosto) gastou R$ 53.111.386,73. Mas há um outro dado que causa muita estranheza. Habitualmente, o uso de cartões de crédito serve para efetuar pagamentos de compras de produtos ou de prestação de serviços. No caso dos “cartões corporativos” tem servido, fundamentalmente, para saques de dinheiro. Em 2007, por exemplo, dos R$ 53,1 milhões gastos, cerca de R$ 40,9 milhões foram sacados em espécie. Qual a razão disso? Se o cartão de crédito existe, justamente, para evitar o transporte de somas de dinheiro em espécie – o que, entre outras coisas, tem a ver com razões de segurança -, que sentido terá sacar (com o cartão) e transportar quantidades grandes de dinheiro vivo?” (Agência Estado)

OPINIÃO: Embora os cartões corporativos sirvam (e muito) aos gastos domésticos e pessoais do Presidente e da Primeira-Dama, Lula da Silva vai dizer amanhã que não sabia que passaram a ser o instrumento mais sensacionalista da corrupção no segundo mandato. É dinheiro demais, minha gente, e em mãos inescrupulosas. É pena que não tenhamos mais uma oposição popular e aguerrida “neste país”! A atitude chocante do PT solidarizando-se com os réus da organização criminosa responsável pelo mensalão sensibiliza menos os ditos oposicionistas do que o uso ilícito dos cartões ou a repartição da extravagante e impopular CPMF… MIRANDA

Comentário (VI)

O panorama visto da ponte

“Não sentimos nas ruas e no panorama visto da ponte o efeito da expropriação que sofremos. A saúde pública é uma calamidade.
A educação, deficiente. A segurança pública é um abismo sempre perto de nossos passos. Que falar dos transportes de massa, do saneamento básico, da habitação? O crescimento das favelas nos grandes centros urbanos é a resposta mais firme e também mais direta. E enquanto os impostos sobem, os salários descem. Em matéria de contribuição tributária, ia esquecendo a CPMF, cujo produto deveria ser destinado à saúde”.

Pedro do Couto, articulista da Tribuna da Imprensa

PT réu

“Acabou a pantomima: o PT foi para o banco dos réus. E, de banco em banco, o dinheiro foi circulando por diferentes mãos, dos petistas aos partidos aliados, numa movimentação “financeira” que deixou os cidadãos brasileiros perplexos. Triste fim para um partido que se defrontou com práticas suas que dizia, antanho, condenar.

O recebimento pelo Supremo da denúncia do procurador-geral da República, com votação majoritária dos juízes presentes, beirando a unanimidade, mostra um vigor dessa instituição que a credencia na defesa dos valores republicanos. Sua atuação foi ainda exponenciada pelo fato de muitos dos ministros serem de indicação do atual presidente da República, que não deixa, também, de ser atingido por essa decisão.

À parte a demagogia de plantão, três ministros foram declarados culpados, dois de seu partido, e um deles, José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, segundo homem na hierarquia governamental. No dizer do próprio presidente, o “capitão do time” foi indiciado como comandante de uma quadrilha. Qual quadrilha? A do PT, que, vorazmente, procurou tomar conta do aparelho do Estado em proveito próprio”.

Denis Lerrer Rosenfield, articulista do Estadão

OPINIÃO: Não precisa de opiniões a colocação correta de Denis Lerrer. Somente os fanáticos seguidores de José Dirceu e seus tresloucados sonhos dos 20 anos de poder petista não vêem nem ouvem o povo aplaudindo a decisão unânime do Supremo, aceitando a denúncia equilibrada e patriótica do Procurador-Geral da República. Essa aprovação da cidadania não tem motivação política; representa o anseio nacional de ver os assaltantes do dinheiro público – seja qual forem os fins – punidos. O PT réu, evidentemente, não é aquele PT antigo que denunciava os 300 picaretas do Congresso Nacional; é o que foi condenado por ter se tornado igual a eles. MIRANDA SÁ

Comentário (V)

Impunidade de pai para filho

“Passando a mão na cabeça dos mensaleiros, Lula age como o pai que mima o filho que delinqüiu. Mas é vivo o bastante para dizer: “Tem um processo e somente esses companheiros -nem eu nem vocês- sabem o que aconteceu”. O pai compreensivo ignorava tudo e por isso pode ser benevolente: erraram, irão pagar, devemos apoiá-los -eis a farsa retórica pela qual Lula agrada ao PT e engrandece a si mesmo.O PT diz que o mensalão não existiu, mas continua acreditando no socialismo. Conforme chancelou o congresso, o partido agora se compromete a lutar pelo “socialismo democrático e sustentável”. Seria um contraponto ao “socialismo não-democrático e insustentável”? Que perda de tempo, quanta empulhação, quanta bobagem junta.A inclusão do jargão ecológico e liberal -“sustentável”- para especificar o socialismo petista é a piada involuntária do encontro.Lula está há muito tempo em outra. O jogo real do poder passa por outros canais e interlocutores. O PT hoje é um acessório, a quem ele fez sua homenagem e concessão”.

Fernando de Barros e Silva, jornalista