Arquivo do mês: setembro 2007

Comentário (VI)

Em nome de nossos irmãos pobres

“Intrigante a defesa feita pelos ministros, no Congresso, para a prorrogação da CPMF. As justificativas nos fazem crer que não seria apenas o caso de prorrogar, mas de torná-la definitiva e, ainda, aumentá-la, pois tudo de bom e importante que está sendo feito pelo governo Lula viria da CPMF (subsídios para a previdência do trabalhador rural, todos os procedimentos de média e alta complexidade feitos pela saúde e, obviamente, todo o programa Bolsa-Família). Não disseram, mas se conclui que a CPMF é uma espécie de valerioduto que irriga o “mensalão popular” que se tornou o Bolsa-Família, oferecido pelo governo Lula aos nossos irmãos pobres do Brasil. Realmente, a extinção da CPMF seria desastrosa para o governo “desse país”.

Dora Maria Cornaini (doram@bol.com.br)

Vamos rir? (2)

Mangabeira diverte a platéia, no Planalto

“Ante o aparente alheamento do presidente Lula, a expressão de perplexidade do ministro Nelson Jobim (Defesa) e sorrisos de deboche de muitos dos presentes, o ministro Mangabeira Unger (Sealopra) fez um discurso histriônico (foto abaixo), nesta quinta-feira, no Palácio do Planalto, com sotaque de americano recém-chegado e idéias confusas, durante a solenidade de assinatura do decreto de criação do Grupo de Formulação da Estratégia Nacional de Defesa, cujo um estudo deve estar concluído em 7 se setembro de 2008. O governo batizou o factóide de “Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Forças Armadas”. Unger foi nomeado ministro por indicação do vice José Alencar, meses depois de publicar um artigo em que pregava o impeachment de Lula, cujo governo considerava “o mais corrupto da História”.

Cláudio Humberto, jornalista e blogueiro

FRASE DA VEZ_4/6

“Inacreditável: Palocci voltou mesmo. Demitido pelo presidente, recebeu um pedido do próprio Lula para ser o relator da CPMF. Aceitou, claro, e já aparece sussurrando com Mantega”.

Hélio Fernandes, jornalista

Comentário (V)

IncomPeTência

“Sou um dos milhões de brasileiros revoltados com a incompetência do governo Lula. Com esse governo do PT o nosso país parou. Não temos transporte aéreo seguro por causa das sucatas dos equipamentos de segurança nos aeroportos. Não temos transporte rodoviário, dadas as péssimas condições das estradas. Os portos estão capengando na sua capacidade: navios de grande calado não podem atracar pois os portos estão assoreados e sem infra-estrutura. A energia está à beira do colapso. A agricultura, falida, com os agricultores endividados até o pescoço e sem condições de produzir. Nossas indústrias, sem condições de competir com a China, que joga milhões de produtos de má qualidade em nosso país aos olhos do Lula, que não tem coragem de proteger nosso parque industrial.

O governo do Lula se preocupou em maquiar os aeroportos só pra inglês ver e poder usurpar o dinheiro público; com a segurança nada fizeram, tivemos dois graves acidentes aéreos por culpa desse governo, que tenta de toda forma tirar sua responsabilidade de forma covarde e responsabilizar o piloto do avião da TAM, que não pode se defender – o piloto tinha mais de 20 anos de profissão e jamais cometeria um erro tão primário como o governo quer que seja. Dias antes do acidente, o superintendente regional do Infraero disse na TV que a pista não oferecia perigo e as ranhuras da pista… O acidente de Congonha é culpa do governo, sim. Chegou a hora de irmos para a rua exigir a saída do Lula e do PT. Não agüento mais”.

Paulo Francisco Siqueira Santos (paulosiqueirasantos@hotmail.com)

Informação (5)

Ficha de um demissionário da Anac

“Quem é Leur ‘Eficiência’ Lomanto? Trata-se de um deputado profissional. Freqüentou a Câmara de 1975 a 2002. Depois de 27 anos de mandatos ininterruptos, foi posto na chuva pelo eleitorado da Bahia, seu Estado. Molhou-se pouco. Em 2003, protegeu-se sob a marquise da Infraero presidida à época pelo incontroverso deputado Carlos Wilson (PT-PE)”.

Josias de Souza, jornalista e blogueiro

Vamos rir?

General Jobim

“A gente não sabe se ri ou se chora diante das imagens do ministro Nelson Jobim vestido de soldado, passeando pelas favelas do Haiti. Até de coturnos ele foi provido, sustentando seus 120 quilos envolvidos em uniforme camuflado. Não percebeu o ministro da Defesa o ridículo a que se expõs?

Em décadas passadas, não só Hitler e Stalin apareciam paramentados de generais. Só que os tempos passaram. Tomara que a moda não pegue e Lula, como comandante em chefe das Forças Armadas, não apareça fardado de marechal para presidir o desfile do 7 de setembro…”

Carlos Chagas, jornalista

Ao Debate (2):

Vontade política

“O governo Lula conta tostões para enviar R$ 2 bilhões a fim de estancar a sangrias da saúde pública no Nordeste. Mas não contou conversa em gastar R$ 4,4 bilhões no Pan do Rio. Uma questão de prioridade”.

Cláudio Humberto, jornalista e blogueiro

Marilena Chauí voltou a falar

“Após certo silêncio, que eu acreditava prudente, Marilena Chauí voltou a falar. Não fez o gesto de Marco Aurélio Garcia, mas tentou usar de um discurso aparentemente sofisticado para, em resumo, ir pelo mesmo caminho. Fica difícil acreditar que a professora tenha dito o que disse. Todavia é o que está no blog de Paulo Henrique Amorim, chamado Conversa Afiada. Vejam um trecho significativo.

Paulo Henrique Amorim pergunta: “Em Leituras da Crise, a senhora discute a tentativa do impeachment do presidente na chamada ‘crise do mensalão’. A senhora vê sinais de uma nova tentativa de impeachment?” Resposta da professora: “Sim. Como eu disse acima, a mídia e setores da oposição política ainda estão inconformados com a reeleição de Lula e farão durante o segundo mandato o que fizeram durante o primeiro, isto é, a tentativa contínua de um golpe de Estado.”

Como que é uma professora da nossa querida USP pode confundir impeachment e golpe de Estado? E qual a razão de ela querer repreender a oposição por ter quase tentado o impeachment no primeiro mandato de Lula, quando do episódio do “mensalão”? Por acaso a oposição e a imprensa deveriam ficar caladas e aceitar o que ocorreu? Ora, todos nós sabemos que a oposição até fez pouco! E quem está vendo militares rebelados, desafiando Lula e querendo que ele caia? E qual a razão por que alguns órgãos da mídia, que sabem que parte da responsabilidade pelo acidente do avião da TAM é do governo, ao usarem isso para criticar o governo, estariam comprometidos com golpe de Estado, e não com legítimo desempenho do jornalismo aguerrido?

Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo (Site: www.ghiraldelli.pro.br)

OPINIÃO: Ghiraldelli escreve com uma tremenda lucidez. Seus argumentos desmoronam a pálida defesa dos “intelectuais orgânicos” ofuscados pelo brilho da fala do guia amado pelo obreirismo uspeano. Neste texto, duas coisas me vieram á memória: o primeiro foi a história de um pai que ensinou o filho karatê, jiu-jitsu, capoeira, o escambau, e quando o filho chegou um dia esmurrado em casa, reclamou: “eu não te ensinei lutas marciais, porque você me chega apanhado?” O menino respondeu: “É… mas o senhor se esqueceu de ensinar que a gente quando não tem razão enfraquece …” A segunda lembrança foram as figuras que cercam genial Chaplin no seu consagrado filme O Grande Ditador; reveja a fita para encontrar uma porção de gente conhecida… MIRANDA SÁ

O homem que sabia de menos

“Se algum gaiato quisesse fazer uma paródia do clássico de Alfred Hitchcock de 1934, refilmado em 1956, The man who knew too much, dificilmente encontraria um personagem melhor do que o presidente Lula – o homem que sabia de menos. E não digam os lulistas que é outro ataque leviano da imprensa cúmplice das “elites golpistas”. É de figurar no Guinness a lista de fatos e situações das quais, nas suas próprias palavras, só teve ciência tarde demais, como declarou na reunião do conselho político do governo, agora para se eximir do apagão aéreo. Os pontos altos, por assim dizer, do alheamento invocado por Lula a fim de se auto-absolver de tudo que possa inculpá-lo, por ação ou aceitação, formam uma seqüência de enrubescer.

Incluem o mensalão; os empréstimos do Banco Rural ao PT via Marcos Valério; o caixa 2 do partido; a violação do sigilo bancário do caseiro que flagrara o então ministro Antonio Palocci numa casa de má fama; o “aloprado” golpe do falso dossiê antitucano no pleito de 2006; as fracassadas traficâncias do irmão Vavá… Sempre pronto a ser indulgente consigo mesmo – e a querer o mesmo tratamento dos brasileiros -, o homem que sabia de menos tentou justificar a sua ignorância do descalabro em curso no serviço de transporte aéreo nacional com um argumento esfarrapado. Disse que em nenhuma das cinco campanhas presidenciais de que participou as questões da aviação comercial foram debatidas. Esqueceu, aliás, que na quinta campanha ele já passara quatro anos no governo e tinha a obrigação de mostrar aos eleitores que conhecia os maiores problemas do País.

(do Editorial do Estadão)

OPINIÃO: O pior é que a moda pegou. “Neste país” nenhum ocupante de primeiro e segundo escalões do PT-governo sabe de nada. Até entre os parlamentares já se ouve discursos com acusações veementes sem discriminar a quê ou a quem. No caso de Lula da Silva não é idiotia, todos sabemos de sua inteligência e acima dela, esperteza; a fórmula mágica é a defesa do Presidente traçada pelo insigne criminalista Thomaz Bastos no estouro do mensalão. E deu certo; até quando ninguém sabe… MIRANDA SÁ

Julgamento de Renan e corporativismo

“O corporativismo, o receio da vingança maligna, o temor da eleição de um senador de oposição, o gosto pela desmoralização, a vocação irresistível pela impunidade, a resistência pura e simples ao acolhimento daquilo que tudo indica ser o sentimento prevalecente na opinião pública? Parece pouco. A indiferença pura e simples ao exposto no relatório de condenação não servirá aos interesses da corporação.

O Parlamento fez isso na absolvição de mensaleiros em plenário e levou um contravapor do Supremo Tribunal Federal, que convalidou todo o trabalho da CPI dos Correios e cresceu aos olhos da multidão. Não interessaria ao Senado se associar à nova baliza posta pelo Judiciário?O medo da reação de Renan Calheiros tampouco parece razão suficiente para inocentá-lo, porque, sem o cargo e o mandato, fica também sem poder de fogo e credibilidade para acusar quem quer que seja.

A escolha do substituto não aflige, visto que a oposição já concorda com a eleição de um “neutro”, como convém ao dia seguinte de decisões traumáticas, conforme já perfeitamente demonstrado no consenso firmado em torno de Itamar Franco logo após o impeachment de Fernando Collor e a aceitação da candidatura governista de Aldo Rebelo na substituição de Severino Cavalcanti na presidência da Câmara”.

Dora Kramer, jornalista

OPINIÃO: Está dito. O calafrio na espinha de Lula da Silva e pânico que assedia o núcleo central do PT-governo é justamente a expectativa de uma reação tresloucada de Renan Calheiros jogando lama no ventilador. Ele sabe demais e, como gente da qualidade dele sempre possúi fichas e dossiês que incriminam personalidades: lembram-se que logo no começo do processo ele insinuou casos de pedofilia, viagens com secretárias, empréstimos bancários e nomeação de amantes? Pois é. Quem se mistura com quarenta participantes de uma organização criminosa deve botar as barbas de molho, porque não está livre de ser incriminado pelo escroque das Alagoas. MIRANDA SÁ