Arquivo do mês: setembro 2007

FRASE DA VEZ_6/10

“O triste espetáculo Calheiros só retrata o atraso das elites políticas e quantos prejuízos causam à vida da Nação. E agora, se não for cassado, o Parlamento seguramente precisará de um controle externo, pois até as pedras gritarão contra esse escárnio”.

Carlos Henrique Abrão (abraoc@uol.com.br)

Informação (2)

O futuro político de Renan Calheiros (PMDB-AL) está nas mãos do senador José Sarney (PMDB-AP) e da líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), ambos com poder de manobrar suas bancadas a favor ou contra o presidente do Senado. Aos dois partidos deverá ser atribuído o resultado da sessão de julgamento do mandato de Renan, marcada para quarta-feira, às 11 horas. Sarney, além do PMDB, tem influência sobre senadores do DEM, PP e PTB. Ideli é o eco do Planalto na Casa.

Os dois são chamados nos bastidores de “os donos de Renan”, numa alusão ao livro O Dono do Mar, de autoria do ex-presidente da República. Na outra ponta do cenário político, a líder petista Ideli Salvatti tem sido, desde a primeira hora, uma obstinada defensora de Renan. Ela nega ser dona do mandato dele e de, ao contrário do que ocorre na votação de matérias estratégicas, ter influência sobre a decisão da bancada.

Rosa Costa e Ana Paula Scinocca, jornalistas (de Brasília)

Renan ganha, Senado perde

Mesmo que seja absolvido pelos colegas na votação da quarta-feira, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não terá grandes motivos para festejar: outros dois processos o esperam no Conselho de Ética da Casa, e um terceiro foi apresentado pelo PSOL à Mesa diretora. Eles prometem tirar-lhe o sossego e deixá-lo nas mãos de senadores adversários por mais um bom tempo. O longo teste de sobrevivência política que o espera é fruto de uma enxurrada de denúncias que, entre maio e a semana passada, atiraram Renan no pior momento de seus 30 anos de carreira – um inferno astral do qual ele jamais suspeitaria nos anos 70, quando era um animado líder estudantil em Maceió, ou nos 90, quando foi por algum tempo ministro da Justiça do governo Fernando Henrique.

Em resumo, se escapar na quarta-feira Renan entra na mira de outras três operações suspeitas. A primeira é a venda, muito acima do preço, de uma pequena fábrica de bebidas. A segunda, a compra não declarada de um jornal e duas emissoras de rádio. E a última, que pode ou não chegar ao conselho, o implica como suposto recebedor de propinas para ajudar o banco BMG a operar o crédito consignado sozinho, antes dos concorrentes.

Gabriel Manzano Filho, jornalista

OPINIÃO: A imensa carga de indícios e de provas materiais e testemunhais, não permite que alguém – principalmente um senador da República – ainda esteja em dúvidas quanto ao voto de quarta-feira. Ou está preso no garajau de chantagens de Renan ou manietado aos interesses do poder ou é pessoa de inteligência curta. Escreve bem o colega Manzano: se o presidente do Senado escapar pela covardia cúmplice dos colegas, o Senado deve fechar suas portas porque não tem mais razão de ser senão para julgar os ilícitos do seu presidente. MIRANDA SÁ

Ao Debate (5):

Falta de decoro

“Impressionante a forma descarada e irresponsável como alguns senadores tentam negociar, com o governo, votos a favor da CPMF em troca da absolvição de Renan. E sobra grande dose de cinismo, pois demonstram ignorar o caso do mensalão e nem se preocupam em melhorar a imagem do Senado. Isso tudo demonstra claramente falta de decoro parlamentar e o PSOL bem que poderia entrar com ação nesse sentido”.

José Carlos Costa (policaio@gmail.com)

FRASE DA VEZ_5/10

“Esquizofrenia: chega a ser cômico ver Ideli Salvatti (PT-SC) de advogada de Renan, Lula & Cia., louvando a CPMF”.

Helena Valente (helenacv@uol.com.br)

Comentário (V)

Heresia não surpreendente

Renan Calheiros vive os “últimos dias (48 horas) de Pompéia”. Nessas 48 horas terá que consolidar a maioria que garante ter, obter ou manter os 41 votos necessários para escapar da cassação já determinada pelo Conselho de Ética e referendada pela Comissão de Constituição e Justiça. O movimento da “casa oficial” foi ininterrupto, e no momento em que escrevo, domingo, ninguém sai.

Durante todos esses meses de desgaste das Instituições, Renan agredia a Ética, dizia: “Não saio de jeito algum”. Agora resolveu juntar a Ética e o vernáculo e hostilizar os dois, ao mesmo tempo. Garante: “Não saio absolutamente”. “Não saio é uma tolice, se o plenário confirmar as outras duas votações, já estará “saído”, sem ato formal. Juntar esse absolutamente, heresia não surpreendente.

(Agência Estado)

Constrangedora solidariedade aos réus

Recentemente, num tom exaltado de palanqueiro, o presidente da República pregou solidariedade do seu partido aos réus do escândalo do mensalão. Com um discurso feito para empolgar a platéia do 3º Congresso do PT, Lula passou a mão na cabeça dos petistas processados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção ativa e formação de quadrilha. Lula disse que o PT não tem do que se envergonhar e pediu a união do partido para enfrentar uma onda de “preconceitos” e até “ódio” de classe.

Autoproclamado o brasileiro “mais ético” entre todos os cidadãos brasileiros, o presidente Lula exaltou a ética do partido e a defesa dos companheiros: “Ninguém neste país tem mais autoridade moral e ética do que nosso partido.” E, num arrebatamento de humildade coletiva, completou: “Admitimos que tem gente igual a nós, mas não admitimos que tenha melhor.” Impressionante! Com seu comício partidário, chocante, mas estudado, o presidente da República acabou dando uma bofetada no STF.

Carlos Alberto Di Franco, diretor do Master em Jornalismo, professor de Ética e doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra (difranco@ceu.org.br)

RESENHA DA IMPRENSA_10.set.07

-§- O presidente do Senado, Renan Calheiros, telefonou para todos os senadores no feriado, em uma intensa campanha para derrubar o relatório que pede a cassação do seu mandato. A justificativa da abordagem foi o envio de uma defesa, batizada por ele de “Memorial Renan Calheiros”.

-§- O que mais preocupa Renan é a acusação de ter sido dono oculto de rádios de Alagoas avaliadas em R$ 2,5 milhões. O usineiro João Lyra, ex-sócio do senador e hoje seu adversário, enviou ao Congresso 16 documentos com o objetivo de provar que Renan usou uma rede de laranjas para que seu nome não aparecesse. O repórter Expedito Filho teve acesso à papelada e relata: senadores e técnicos que analisaram o dossiê preparado por Lyra ficaram impressionados com as evidências ali contidas.

-§- Pesquisa Datafolha para a SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia) mostra que quase metade dos brasileiros (49%) não pratica atividade física, relata Cláudia Collucci. O sedentarismo é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, que matam 300 mil por ano no Brasil. Segundo o levantamento, feito com 2.012 pessoas dos 18 aos 70 anos, o índice de sedentarismo sobe conforme a pessoa envelhece: é de 39% na faixa de 18 a 24 anos e aumenta para 57% entre os idosos de 60 a 70 anos.

-§- Os países em desenvolvimento serão a alavanca do crescimento da economia mundial, estimado em 3,4%, informou o relatório anual da Unctad divulgado ontem. A instituição das Nações Unidas prevê que este ano a América Latina cresça cerca de 5%, a África, 6%, e a parte ocidental da Ásia, também cerca de 5%.

-§- A perspectiva de o Brasil acolher a Copa de 2014 desperta uma disputa acirrada entre as 18 cidades interessadas em receber as seleções que vão disputar o Mundial. Correm para atrair investimentos do governo federal e da iniciativa privada. Querem aumentar o cacife no jogo por votos dos dirigentes da FIFA.

Ao Debate (5):

“Ninguém neste país tem mais autoridade moral, ética e política do que o PT”, proclamou Lulla em entrevista à imprensa. Impressionante! É triste ter de digerir mais esta. De 1989 a 2002, sempre votei no PT/Lulla, mas confesso que o ceticismo quanto à política brasileira se apoderou deste humilde ser, e grande é a minha decepção com as promessas enganosas e não cumpridas da campanha de 2002, com os fatos ilícitos que todos conhecem (corrupção, falcatruas, engodos gerais, cuecas, trens da alegria, etc.). Tudo obra de um governo fundamentado na mentira, locupletado no poder, fazendo de tudo para a sua perpetuação. Conseqüentemente, empurrando tudo com a barriga e conseguindo enganar com quimeras/esmolas grande faixa de nossa população. Também “cansei”. O lodaçal impera”.

Damião Peres Florido (damiaoflorido@yahoo.com.br)

Ao Debate (4):

Sobre o “Segundo Emprego”

“O programa do Primeiro Emprego fracassou e o governo fez bem em reconhecer. Nem tudo pode dar certo, num universo de carências e dificuldades. Foi anunciado um sucedâneo para o projeto antigo, mas começou mal. Porque a ênfase foi dada à capacitação, à necessidade de quatro milhões e cem mil jovens entre 15 e 29 anos de idade receber noções de cidadania. Ora, do que eles carecem mesmo é de emprego.
Pode até ser correta a afirmação de que os jovens necessitam de educação para concorrer no mercado de trabalho, mas adiantará muito pouco capacitá-los e fazê-los competir se o resultado da competição, no caso, o emprego, estiver fora de seu alcance”.

Carlos Chagas, jornalista