Arquivo do mês: setembro 2007
O tiranete de província metido a Napoleão das próprias obsessões
Eis um momento mais do que inspirado do jornalista Reinaldo Azevedo:
Não houvesse outros motivos para cassar o mandato do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), bastaria este: ele ignora as conquistas da civilização. Não houvesse o senador Renan Calheiros quebrado o decoro de forma pertinaz, continuada, reiterada, ainda assim, deveria perder o mandato porque, nas suas mãos, sob pressão, a democracia logo degenera em pancadaria, em regime de exceção, em administração discricionária.
A agressão de que foram vítimas os deputados que tinham uma autorização judicial para assistir à sessão, em especial Raul Jungmann (PPS-PE), expõe o verdadeiro Renan Calheiros:o amigo do lobista; o homem das notas frias; o senador das vacas cujo estrume moral vale ouro; o político das articulações à socapa para ajudar empresa pendurada no Fisco (não sem compensações as mais explícitas). Renan tem de ser cassado porque é um tiranete de outro tempo. É um jagunço de terno. É um coronel de meia-tigela que se esconde atrás de seguranças que usam armas de choque contra deputados da República.
Renan é a degradação do Parlamento, o seu momento mais mesquinho. A lama. Renan é um contínuo dos seus delírios de poder. Não queremos mais ser um povo honrado governado por ladrões. E é por isso que o Senado vota hoje a cassação de quem não sabe honrar a democracia; e, antes de não ter sabido honrar a democracia, não soube honrar o seu mandato, degradado em suas relações espúrias com lobistas; e, antes de não ter sabido honrar o seu mandato, não soube honrar nem a sua família e, homem público que é, com a força do exemplo, desonrou também a família brasileira.
Renan é um tiranete de província metido a Napoleão das próprias obsessões. Vamos ver o resultado da votação. Sejam quantos forem os votos favoráveis a Renan Calheiros, será tarefa indeclinável da democracia descobrir os que com ele se alinharam. Para que sejam cassados — aí pelos eleitores.
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Julgamento de Renan
Noblat, lá de dentro, nos informa sobre a vergonha nacional. Abrimos aspas:
“Secreto, não. Às escondidas!
Do jeito que as coisas estão, a sessão do Senado não pode ser chamada de secreta. É inapropriado. Estou aqui dentro e vejo que é.
Com todas as medidas tomadas até agora para que a sessão não vaze e – última providência – o sistema de som desligado para que ninguém ouça no prédio o conteúdo dos discursos dos senadores, a sessão está sendo feita às escondidas da Nação. É isso.
Secreto, no sentido regimental do termo, é algo que decorosamente mantém seu conteúdo sob sigilo. O estamos fazendo é diferente: estamos sendo obrigados (no caso de uns) ou agradavelmente constrangidos (no caso de outros) a cochichar dentro de um plenário para que o país não possa nos ouvir. Um vexame. Um enorme vexame.
No que depender de mim isso jamais se repetirá. Já estou dando minha contribuição para que não se repita.”
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Que República!!

O Senado tomou uma série de medidas para garantir o sigilo da sessão, como a proibição dos senadores de utilizarem laptops e a recomendação para não fazerem chamadas de seus celulares.
Além disso, os senadores que revelarem detalhes da sessão secreta poderão ser punidos com desde uma simples censura até a suspensão de mandato. A punição está prevista no Código de Ética do Senado.
O presidente em exercício do Senado, Tião Viana (PT-AC), disse que não tem como garantir que os deputados sigam as mesmas regras impostas aos senadores. E que isso colocaria em risco o sigilo da sessão secreta. A quebra desse sigilo dá margem para Renan recorrer ao STF contra uma eventual decisão desfavorável em seu caso.
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Comentário (IV)
Projeção analítica
Na manhã de hoje o presidente do Senado, Renan Calheiros, parecia abatido sem a segurança que manifestou durante 120 dias alegando inocência e afirmando a certeza de sua absolvição no processo de quebra de decoro. O repórter Gerson Camarotti, do Globo, conseguiu captar nos arredores do Plenário, a fisionomia de Renan e seus defensores, registrando o desalento deles.
Estão reunidos no plenário 81 senadores e 13 deputados, participando da sesão secreta decisória do destino de Renan, pois determinará a perda ou manutenção do seu mandato. Vale registrar que os deputados acompanham os trabalhos não têm direito de voto. Somente os 81 senadores selarão o destino do presidente do Congresso.
Rádio do Moreno
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Comentário (III)
Senado, reserva moral
“Há quase 200 anos o Senado, em nome do povo brasileiro, constrói as instituições que fazem o Brasil e sua história confundir-se com a própria história do nosso País.” É assim que o Senado se apresenta na sua página na internet. Daqui alguns minutos, o Senado vai escrever mais uma página na história do Brasil. Daqui alguns minutos, o Senado terá oportunidade de voltar a ser o Senado que se confunde com o Brasil ou simplesmente que se confunde com outra coisa”.
Antonio Ribeiro, jornalista (de Paris)
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BASTIDORES
Falam livremente os senadores
A sessão que ocorre no Senado é secreta, como se sabe. Ou quase. Hoje de manhãzinha, numa conversa com um jornalista que pedia informações sobre a votação, um senador sacou essa: “Se quiser saber mais coisas da votação é só ligar”. “Antes ou depois da votação, senador?”, perguntou o jornalista. “Durante”.
Em conversa reservada Delcídio Amaral (PT/MS) disse que não vai declarar voto, nem antes, nem durante e nem depois da sessão secreta. Mas que iria votar pela cassação de Renan Calheiros.
De Cristovam Buarque (PDT/DF) sobre o porquê do seu voto pela cassação de Renan Calheiros: “Num tribunal, a dúvida conta a favor do réu. E tem que ser assim. Mas em política a dúvida tem que ser a favor do eleitor, ou seja, contra o político”
Lauro Jardim, jornalista (radaronline@abril.com)
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ÚLTIMAS (5)
Confusão refletiu imagem do Senado
Um dos três relatores do processo de quebra de decoro parlamentar contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) lamentou o confronto ocorrido na entrada do plenário da Casa nesta manhã, pouco antes do início da sessão que decidiria o futuro do peemedebista. Para o senador Renato Casagrande (PSB-ES), a confusão entre um grupo de deputados e os seguranças do Senado reflete a situação frágil da instituição neste momento. “O que vivemos aqui é um retrato da imagem que o Senado vive lá fora. E infelizmente é essa a imagem”, disse o parlamentar capixaba.
UolNews
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