Arquivo do mês: setembro 2007

TOME NOTA:

1O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, rebateu as declarações do presidente Lula, que havia afirmado ao “New York Times” que duvida que haja provas contra o ex-ministro José Dirceu. O procurador afirmou que sua denúncia se baseou em dados concretos e que “o que importa é a avaliação dos julgadores”. Ele criticou o relatório da PF sobre o valerioduto mineiro.

2 – O governo vai enfrentar a reação militar. De acordo com o ministro Nelson Jobim, a sentença judicial determinando a tomada de depoimentos de oficiais ligados à repressão no Araguaia será cumprida.

3 “O fato de a direção da Petrobras ter o respaldo do governo não pode servir de desculpa para escancarar a empresa aos apetites de uma chusma de caciques e cortesãos partidários”. (Editorial da Folha de São Paulo)

4 – O Brasil caiu duas posições, da 70ª para a 72ª, no ranking de corrupção feito pela ONG Transparência Internacional. O país ficou atrás da Colômbia, de Gana e do Senegal e está em 13º lugar na América Latina, à frente da Argentina. No topo do ranking estão a Nova Zelândia, a Dinamarca e a Finlândia, com nota 9,4. A nota obtida pelo Brasil foi 3,5

5 Com enorme esforço, o ministro da Saúde conseguiu R$ 1,2 bilhão para o SUS. Mesmo que em alguns itens signifique bom aumento porcentual, o investimento resulta em pouca coisa.

6 – O Ministério da Educação cruzou dados de exames da OAB e de estudantes universitários e descobriu que pelo menos 37 cursos de Direito se saem muito mal em ambos. Esses cursos formam 3,5 mil alunos por ano, em média. No total, 89 faculdades de Direito serão submetidas a um “processo de supervisão”.

7 O governo jogou todo seu peso político para conseguir a prorrogação da CPMF na Câmara. Conseguiu vencer a estratégia de obstrução adotada pela oposição, mas, para conseguir o apoio do aliado PDMB, terá que distribuir cargos nas empresas do Sistema Eletrobrás.

8 – O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que a nova direção da Anac terá, como sua primeira tarefa, reduzir em cerca de 50% as taxas cobradas no Aeroporto Tom Jobim/Galeão, para estimular o aumento de vôos internacionais. (págs. 1 e 11)

9 O Ministério da Fazenda quer regulamentar este ano as tarifas bancárias, uma das fontes de lucro do setor. Segundo o ministro Guido Mantega, que descartou tabelar preços, a idéia é padronizar nomes de taxas e limitar a quantidade de cobranças. Com isso, os bancos não poderão usar nomenclaturas diferentes, o que dificulta a comparação e a concorrência.

10 – Para conter a revolta em sua base na Câmara, o governo prometeu a aliados que as nomeações sairão em breve. Mesmo assim, precisou adiar para hoje a retomada da votação da CPMF. No Senado, um acordo pôs fim à obstrução da oposição.

11O PR, que vem sendo usado como força auxiliar do Planalto, virou uma geléia ideológica. Ontem, recebeu a adesão de Clodovil. Na véspera, o senador César Borges, ex-aliado de ACM, anunciou que deixará o DEM para entrar no PR, que também conta com Inocêncio Oliveira, que se definiu como um “liberal de centro”.

12 – Otimismo de investidores leva Bolsa de Valores de São Paulo a bater terceiro recorde consecutivo. Pregão fechou em alta de 1,46% e, pela primeira vez, ultrapassou os 59 mil pontos. Ganhos no mês já chegam a 9,29%. No ano, a 34,27%. O dólar caiu 0,70% e encerrou o dia cotado a R$ 1,84.

FRASE DA VEZ_5/27

“Absolvição (de Renan) foi o atestado de óbito do Senado”.

Chico Alencar, deputado federal

Comentário (III)

Caminhão lotado de japoneses

O PSDB e o DEM compuseram-se depressa com o governo. A atitude cívica e ética de sustar a pauta de votações desejada pelo governo, com Renan Calheiros como presidente do Senado por apoio do Planalto e do governismo, exigia mais do que jogo de cena. Os dois partidos ditos de oposição depressa aceitaram, em troca da volta à pauta, o pretexto de discussões para extinção do voto secreto, ao menos nos casos de cassação. Mas o acordo não terá como impedir a protelação das discussões, conveniente a Renan Calheiros.Disse o líder do PSDB, Arthur Virgílio, com sua exaltação habitual, que o acordo com o governismo “é mobilizador, é moralizador, é ético, é bom para a imagem do Senado”. Escapou-lhe dizer que também é pusilânime, é utilitário, é pró-Renan, é mentiroso, logo, é o oposto das boas qualidades citadas.

Jânio de Freitas, jornalista

Informação (3)

Inacreditável, rigorosamente verdadeiro, mas que não entra na pauta de nenhum jornal, rádio ou televisão: a CPI das ONGs. Há 6 meses foi criada essa importantíssima CPI. Seus membros foram indicados, mas não saiu disso. É preciso a primeira reunião para eleger o presidente da CPI, e este, de acordo com o regimento das CPIs, indicar o relator. E então começar a funcionar, trabalhar e “desmatar” o que precisa ser conhecido. No Brasil existem 260 mil ONGs (o nome significa Organização Não Governamental, mas quase todas vivem de recursos e verbas do governo).

O que fazem essas 260 mil ONGs? Trabalham contra o Brasil e a favor dos seus interesses pessoais e particulares. Têm sido denunciadas, não adianta nada. O deputado Paulo Ramos, na Alerj, fez discursos violentíssimos com acusações à ONG Viva Rio, nada aconteceu.
O mais grave e que não pode ficar desconhecido é a denúncia do general Lessa: “Na Amazônia existem 100 mil ONGs”. 100 mil?

Hélio Fernandes, jornalista

FRASE DA VEZ_4/27

“Indalécio Garanhuns, Alceu Cubano, Genuíno Cajueiro, Silvério Rural, Conúbio Menzoloto, todos brasileiros, salteadores, residentes nos endereços A, B, C, D, E, portadores das cédulas de identidade 171, 288, 312, 317 e 333, expedidas pelo IFP, inscritos no CPF/MF sob nº 1, 2, 3, 4, 5, respectivamente, concertam nesta data e local a fundação de uma quadrilha de ladrões, com sede em Brasília, setor X, quadra Y, que funcionará por tempo indeterminado”.

Antonio Sebastião de Lima, articulista da Tribuna da Imprensa

EXEMPLO

Inquérito nas mãos do PT

Foram cinco meses de investigação na Câmara dos Deputados sobre a crise aérea que parou os aeroportos do país. O resultado, porém, ficou aquém da expectativa. Aguardava-se uma responsabilização pelos fatos graves investigados, entre eles os dois maiores desastres aeronáuticos do país. Mas o relatório do deputado Marco Maia (PT-RS) frustra os que esperavam que autoridades responsáveis pela crise fossem identificadas e indiciadas.Parte dessa expectativa foi suscitada pelo próprio relator. Oito dias atrás, ele via elementos para indiciar a ex-diretora Denise Abreu, mas o nome desapareceu da peça final no trecho em que aborda o episódio da “norma falsa” apresentada à Justiça para liberar o aeroporto de Congonhas. (Agência Folha)

Vamos rir?

Quem diabo é Gregolin?

O país discute Taís, a gêmea má, e Paula, a gêmea boa. Reclama que Renan Calheiros não vai cair coisa nenhuma. Quer saber para o que serve a Anac, hoje entregue nas mãos de Milton Zuanazzi, o único diretor que restou. E, enfim, o país torce para a CPMF, já que não vai acabar, pelo menos melhorar. Pois é justamente no meio de tudo isso que o cidadão Altemir Gregolin convoca rede nacional de televisão para conclamar a população a comer mais pescado. Ninguém ouviu falar antes de Gregolin, que vem a ser o ministro da Pesca e conquistou seus três minutos de glória a partir de uma lei. Essa lei franqueia a TV aos governantes para questões de interesse relevante -interesse público, diga-se. Mas eles vão à TV, usando seu melhor penteado e seu sorriso mais sedutor, com o devido cálculo político-eleitoral. O telespectador que interessa não é o público em geral, é o eleitor das bases de cada um.

Eliane Cantanhêde, jornalista

Informação (2)

CPMF: briga pessoal de Lula

Em busca da coalizão da base aliada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou todos os líderes dos 11 partidos que apóiam o governo para um jantar na próxima terça-feira, no Palácio da Alvorada. A idéia é definir uma estratégia que garanta vitória no segundo turno das votações da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que prorroga a cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e DRU (Desvinculação de Receitas da União) até 2011.

O convite foi formalizado nesta quinta-feira pelo líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE), incumbido por Lula de chamar os líderes. Oficialmente, o jantar será uma confraternização.

Renata Giraldi, jornalista (Folha Online)

CPMF: um dos piores tributos do mundo

A ex-mulher forte do FMI Anne Krueger classificou a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), que o governo quer prorrogar por mais quatro anos, como um dos “piores tributos” já inventados. Chamou de “inacreditável” o depósito compulsório de 45% sobre os depósitos à vista. Afirmou que “alguma coisa vai mal” na economia brasileira, que tem carga tributária de quase 35% do PIB, mas não consegue fazer com que o nível do crédito cresça em relação ao PIB – hoje, o crédito está em 36%.

“Há países que não têm recursos para investir. Não é o caso do Brasil. O governo arrecada tributos que representam uma elevada porcentagem do PIB, mas há algo de errado, pois não se sabe para onde vai esse dinheiro. O ideal seria que o governo fizesse um uso melhor dos recursos públicos”, disse.

Para Krueger, o crédito é um indicador importante que precisa ser melhorado no sistema financeiro brasileiro. “Os bancos trabalham com um “spread” [diferença entre juros captados e repassados ao consumidor] imenso. Há uma série de indicadores e práticas do mercado que precisam ser melhorada”, disse, em encontro sobre mercado financeiro em Campos do Jordão, interior de SP. (Agência Folha)

OPINIÃO:
Economia não é minha praia, mas sinto-me obrigado a surfar nas ondas que combatem os impostos escorchantes do Brasil. A opinião de dona Anne Krueger vai influenciar os economistas chapas-brancas, embora em nada contribua para ampliar os argumentos usados pela intelligêntsia da classe média apoiada em ponderáveis setores produtivos do Sul-Sudeste. Com referência à carga tributária com um peso de 35% do PIB, e o comentário de que há alguma coisa errada nisso, a ex-diretora do FMI ganha um ponto pela independência intelectual e, engraçado, como defensora dos interesses da sociedade brasileira que os pelegos manobristas do PT-governo desprezam… MIRANDA

FRASE DA VEZ_4/27

“O problema fundamental é que a CPMF foi destinada pelo menos 50 por cento, para a Saúde, outros tantos para a Previdência Social, como definiu a emenda 21 de 1999, e nada disso vem sendo cumprido”.

Pedro do Coutto, jornalista