No auge de Lula, PT encolhe entre gaúchos
Por Graciliano Rocha e Mário Magalhães, na Folha:
Pouco antes do meio-dia de ontem, no calçadão da “rua da praia” de Porto Alegre, uma jovem estendeu um panfleto ao administrador de empresas aposentado Luis Alonso Teixeira, 64. “É política?”, perguntou ele.
Ao ouvir a resposta negativa, estendeu o braço: “Então eu pego”.
Com a propaganda da loja de cartuchos para impressoras à mão, Teixeira disse que no domingo vai votar nulo para prefeito. Eleitor de Luiz Inácio Lula da Silva em 2006, ele se diz cansado de política.
É o sentimento de parcela expressiva dos porto-alegrenses em relação ao partido que dominou a prefeitura por 16 anos, até a eleição de 2004.
No auge da popularidade nacional do petista Lula, o PT encolhe em um dos bastiões mais politizados do país. Em 2004, quando o presidente somava 35% de aprovação no Brasil às vésperas das eleições, Raul Pont liderou o primeiro turno municipal com 38% dos votos válidos (perderia no segundo para José Fogaça, então PPS).
Hoje, quando Lula ostenta o recorde de 64% de avaliação “ótimo/bom”, a candidata do PT na capital gaúcha, a deputada federal Maria do Rosário, não ultrapassa os 22% das intenções (votos válidos).
Em 2000, o petista Tarso Genro obteve 49% no primeiro turno e venceu na decisão. Em 1996, Raul Pont triunfou na rodada inicial, com 55%. Pela primeira vez em 20 anos, desde a vitória de Olívio Dutra em 1988, o PT pode não ficar entre os dois primeiros -Fogaça (PMDB) lidera, e Manuela D’Ávila (PC do B) está tecnicamente empatada com Rosário.
O PT local era tão forte que a cidade se transformou em sede do Fórum Social Mundial. Hoje o cenário é de decadência: houve um tempo em que faltavam bandeiras vermelhas para tantas mãos que queriam segurá-las; agora é preciso pagar cabos eleitorais à moda antiga.
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