Ex-diretora da Anac diz que provará ter falado a verdade sobre venda da Varig
A ex-diretora da Anac (Agência Nacional da Aviação Civil) Denise Abreu começou por volta das 10h40 sua explanação à Comissão de Infra-Estrutura do Senado a respeito das denúncias que fez sobre o favorecimento, por parte do governo, à venda da Varig e da VarigLog ao fundo americano Matlin Patterson e aos três sócios brasileiros.
Abreu chegou à comissão com uma mala cheia de documentos, motivo pelo qual pediu segurança reforçada ao Senado. Na entrada, afirmou: “eu trouxe todos os documentos para comprovar que eu disse a verdade”.
Ela iniciou o seu discurso no Senado evocando a Bíblia, mais especificamente os versículos 16 e 17 do Capítulo 3 de Eclesiastes. (“Vi mais debaixo do sol que no lugar do juízo havia impiedade, e no lugar da justiça havia iniqüidade / Eu disse no meu coração: Deus julgará o justo e o ímpio; porque há um tempo para todo o propósito e para toda a obra”).
Sobre sua situação na Anac, disse que renunciou ao cargo de diretora porque percebeu que a agência não tinha nenhuma estrutura nem independência para controlar o setor aéreo.
O depoimento de Denise Abreu é considerado o principal nesta quarta-feira. Além dela, outras 11 pessoas serão ouvidas. Hoje devem falar o ex-procurador-geral da Anac João Ilídio de Lima Filho, o juiz da 1ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, Luiz Roberto Ayoub, o procurador Manuel Felipe Brandão e os ex-diretores da Anac Leur Lomanto e Jorge Veloso.
Na próxima semana, os convidados são o advogado Roberto Teixeira e os três sócios brasileiros, que compraram as empresas, Marco Antonio Audi, Luiz Eduardo Gallo e Marcos Haftel.
As acusações da ex-diretora já foram rebatidas pela ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e várias autoridades federais. Segundo os governistas, as acusações são improcedentes.
Em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, Abreu afirmou que Dilma a desestimulou a pedir documentos que comprovassem a capacidade financeira dos três sócios para comprar a empresa, já que a lei proíbe estrangeiros de possuir mais de 20% do capital das companhias aéreas.
Fonte: Uol News
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