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CONFISSÃO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Psicanálise é confissão sem absolvição” (G. K. Chesterton)

Não estou procurando a absolvição de pecados à maneira obscurantista das igrejas Católica e Luterana, conservadoras, nem ao menos revelar culpas; quero manifestar para os colegas do Twitter o orgulho de considerar-me, como jornalista, herdeiro da escrita milenar dos cuneiformes, dos geoglifos, dos hieróglifos e dos ideogramas rupestres.

Trabalhei em jornal desde criança; primeiro incentivado por minha mãe em boletins caligráficos e depois com a máquina de escrever, uma série de mimeógrafos, xerox, e mais tarde, com impressoras tipográficas, rotativas offset e diagramação computadorizada.

Assim sinto-me com moral para comparar o jornalista vocacionado como um liquidificador liquefazendo a informação, o pensamento analítico dos fatos e a crítica construtiva a quem de direito…. Não se limita à perfeição do texto e a elaboração de frases.

Faço-o agora expondo meu comportamento como participante do Twitter e articulista nas redes sociais divulgando opinião política. É meu desejo não fazer segredo (eu, que combato os indesejáveis e suspeitos “sigilos” governamentais) na necessidade que sinto de revelar a minha posição nas próximas eleições.

A palavra “Confissão” é um substantivo feminino vinda curiosamente do latim eclesiástico “confissĭo,ōnis” significando reconhecimento de seus pecados’; no latim clássico significava ‘declaração, reconhecimento’.

Pergunto-me a quem interessará a minha confissão. Espero que sejam aqueles que me honram com a leitura dos meus textos, uma fração selecionada pela personalidade revelada nas mensagens virtuais, independente da opção filosófica, política ou religiosa.  Um público que pensa, sabe pensar e quer pensar.

Como respeito a psicologia de agrupamentos sei de antemão que aqueles que me seguem conhecem a minha posição ante o Governo Bolsonaro, cujo titular recebeu meu voto e me traiu, mostrando-se tão ou quanto corrupto como o adversário que enfrentamos à época.

Também ao se posicionar como inimigo da Lava Jato Bolsonaro aliou-se  aos picaretas do Congresso em nome de uma tal governabilidade, o mesmo argumento dos governos lulopetistas corruptos.

Por isto, a partir da saída de Sérgio Moro do Ministério, assumi o combate, o bom combate ao presidente Jair Bolsonaro e sua execrável patota familiar intolerante e agressiva contra os não seguidores.

Intolerável também a milícia política fanática do cercadinho que os aplaude. Os estúpidos, fazendo-o de graça, e os malandros mercenariamente; os civis como bois de piranha e os militares mamando silenciosamente o duplo salário que recebem.

Do outro lado, lembro a desvairada corrupção dos governos Lula e Dilma, que só o fanatismo cego e uma ideologia distorcida negam, mas os brasileiros honestos não esquecem e não se dispõem a votar pelo retorno dos gafanhotos que o candidato do Partido dos Trabalhadores traria, se eleito.

Analisando desta maneira, venho defendendo uma Terceira Via, que ocorreria com Sérgio Moro, se ele não tivesse sido infantil duas vezes, assumindo um Ministério e depois caído na esparrela de um partido controlado por picaretas.

Pelo exposto, confesso que votarei na chapa das senadoras Simone Tebet e Mara Gabrilli, levado nas asas da esperança que elas trazem como mulheres e pelo comportamento parlamentar delas. Esta é a confis são que faço cordialmente aos leitores dos meus artigos.

VIVÊNCIA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Eu vou no passo do compasso desta vida/ A hora que se passa nunca mais é revivida” (Jorge de Altino)

Entre as coisas boas que idade avançada traz é a acumulação de conhecimentos que nenhum aprendizado familiar, escolar ou mesmo a impregnação da cultura popular é capaz de cobrir. É a chamada “Vivência”, um substantivo feminino que significa a manifestação da vida inteligente do ser humano.

A etimologia da palavra é latina, viventĭa, um acusativo neutro plural de vivens,ēntis, particípio presente do verbo vivĕre: ‘viver, estar em vida’.

Na rica sinonímia de “Vivência” temos “experiência” na linguagem coloquial referida também nos métodos científicos de pesquisa; e, na Filosofia, considera-se todos conhecimentos obtidos por meio dos sentidos.

O poeta e pensador agora pouco divulgado, Fernando Pessoa, exprimiu que “pensar é viver, e sentir não é mais que o alimento de pensar”. Eis a definição do processo de agregar e armazenar na memória o que os sentidos percebem, distinguem e consideram valioso.

Alcançando cerca de 90 anos sempre atento à habitual rotina de observar a natureza, o comportamento das pessoas e as informações trazidas pelos meios de comunicação, penso, procedo e me expresso conforme regras estabelecidas pelo método dialético de avaliar o que vejo e escuto.

Por isto escrevi outro dia, numa referência aos magníficos contos da “Mil e Uma Noites”, ( هزار و یک شب;  em persa), citando que foi a esperta Sherazade a criadora das novelas televisivas e séries cinematográficas; e mais, foi imitada pelo famoso cineasta Alfred Hitchcock com a criação do “suspense”.

A História das Mil e Uma Noites, traduzida em todas as línguas vivas e mortas, começa com o enredo sobre Shahriar, rei da Pérsia da dinastia dos Sassânidas, que traído pela esposa, após matá-la, passou a considerar que nenhuma mulher do mundo é digna de confiança.

Adquiriu assim o hábito de matar todas as cônjuges no dia seguinte à primeira noite do casório; e o fez com várias mulheres que desposou. Quando voltasse da guerra que movia contra um país vizinho, a próxima seria Sherazade.

Inteligente e estudiosa, a futura rainha por 24 horas combinou com a irmã Dinazade um plano para escapar da morte. Pediu ao esposo que deixasse a sua irmã dormir num quarto ao lado deles; Dinazade teve a tarefa de acordá-la antes do amanhecer e pedir-lhe para contar a última história que vinha narrando para ela.

Curioso, o rei Shahriar resolveu ouvir também a narrativa que a esposa desenvolveu; um capítulo cheio de excitações e incertezas de um romance entre jovens apaixonados perseguidos por inimigos. Sherazade, porém, deixou a trama interminável.  Assim, para conhecer o final da história, o Rei poupou-lhe a vida. Vieram a seguir novas aventuras, como o “Ladrão de Bagdad”, “Ali Babá e os 40 Ladrões”, a “Lamparina Mágica”, o “O Gênio da Garrafa”, enfim, mil e um contos que pagaram a sobrevivência de Sherazade e um reinado longo e feliz.

O número “Mil” inspirou uma sábia advertência de Confúcio, exprimindo que “Mil dias não bastam para aprender o bem; mas para aprender o mal, uma hora é demais”. É uma verdade incontestável, ocorrendo diariamente no noticiário político mundial e, especialmente, na revoltante corrupção institucionalizada no Brasil na Era Lula que volta mais forte do que nunca no governo do capitão Bolsonaro.

Ambos corruptos infelizmente polarizam as atenções eleitorais da população ignorante e supersticiosa, sem saber que está crucificada metaforicamente como Cristo, entre dois ladrões. Bolsonaro e Lula exploram o fraudulento discurso ideológico de representantes “da direita” e “da esquerda”, quando na realidade não passam de populistas ambiciosos e desonestos.

Craque da MPB, Renato Russo filosofou que “O céu já foi azul, mas agora é cinza/ E o que era verde aqui já não existe mais…” Na minha vivência, creio mais do que nunca na volta das cores que alegravam o País, aparecendo alguém que, numa 3ª Via eleitoral, derrote o esquema criminoso da polarização!

DEFINIÇÃO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“És a areia que o vento não leva, o indefinível que teimamos em definir” (Anônimo)

A História do Brasil registra (pena que muitos não estudem esta matéria) que o oficialato militar responsável pela Proclamação da República, definiu o futuro do país sob inspiração positivista com a doutrina: “O Amor por Base, a Ordem por princípio e o Progresso por fim”.

Esta definição vem gravada na Bandeira Nacional, mas é desdenhada pelos arrivistas que assumiram o poder republicano, em vez do amor, pregam o ódio; subvertem a ordem pelo caos; e, trocam o progresso pelo obscurantismo de grupos religiosos politiqueiros.

A palavra “Definição” vem dicionarizada como substantivo feminino de etimologia latina “definitione”, que significa expor com clareza e precisão. Trata-se de um conceito para representar algo concreto na expressão do pensamento; e o interessante é que aparece muitas vezes com uma simplicidade chocante.

Lembro que ouvi em Campina Grande, muitos anos atrás, o grande poeta Raimundo Asfora contar a definição de um menino sobre a água mineral com gás dizendo: – “É uma água cheia de furinhos com gosto de pé dormente”.

Assim constatamos que as crianças dominam com graça e precisão as definições. O raciocínio infantil é impecável, a ver como conseguem antropomorfizar objetos, animais ou até plantas, conversando com eles. Ao tropeçar numa pedra, protestam – “Oh, pedra filha da puta! ”….

Lembro de um sobrinho criado na casa dos avós, que falou para minha mãe na hora da ceia: – “Você diz que esta sopa de legumes é boa só porque vovô gosta dela”; e temos o registro que os norte-americanos fascinados por pesquisas e estatísticas tiveram a informação de que 93% dos filhos garantem que sua mãe é mais bonita do que as outras mães….

Um dos meus filhos escreveu numa redação que a palavra Segredo, “é uma coisa que se diz em voz baixa perto no ouvido de alguém recomendando para que não conte para ninguém”.

Como agora vivemos a Era dos Segredos instituída pelo capitão Bolsonaro, os órgãos governamentais decretam sigilo de 100 anos para casos bestas como um diagnóstico médico do Presidente, e para a “punição” de um general da ativa que quebrou a hierarquia do Exército subindo num palanque político.

Embora sem qualquer explicação, a cidadania fica privada de informações necessárias à sua definição política, principalmente nas vésperas de pisarmos na passarela eleitoral; é um absurdo que nos leva a crer que o silêncio chapa branca é para esconder a verdade.

Com sua reconhecida lucidez, o chanceler Otto von Bismarck – o estadista mais importante da Alemanha do século XIX -, nos legou um pensamento que nos leva a refletir: “As pessoas nunca mentem tanto quanto depois de uma caçada, durante uma guerra e antes de uma eleição”.

Então temos que exigir dos candidatos (todos e principalmente os que representam a farsa da polarização) uma verdade bem-conceituada, em vez das mentiras como as de Lula vociferando contra a corrupção e de Bolsonaro defendendo risonho as liberdades democráticas….

Os tolos e fanáticos aceitam as mentiras dos políticos cultuados por eles; mas a nacionalidade não deve antropomorfizar a pedra posta no caminho do nosso futuro! Não vai xingá-la como a criança, mas removê-la através de uma 3ª Via, por que os velhos políticos devem ser trocados como as fraldas, pelo mesmo motivo. Eis uma definição de Eça de Queiroz….

 

 

MINISTÉRIOS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

          “O Estado é como o corpo humano. Nem todas as funções que desempenha são nobres”  (Anatole France)

Corre nos meios diplomáticos bolivianos uma piada sobre um embaixador brasileiro indicado fora dos quadros do Itamaraty, (como Bolsonaro quis fazer com seu filho Eduardo); o cara, ignorando o trato cerimonioso e respeitoso que deve prevalecer nos encontros internacionais falava pelos cotovelos….

Então perguntou ao colega da Bolívia o porquê do seu país, sem litoral oceânico, tinha um Ministério da Marinha. A resposta foi direta: – “Da mesma forma como o Brasil tem um Ministério da Justiça. ”

Na verdade, em termos governamentais, a atribuição de cada ministro é administrar os negócios do Estado; se não tem mar, tem rios, lagoas e interesses em transações comerciais via marítima; se não tem Justiça, atua atendendo interesses políticos e ideológicos do governante.

Desgraçadamente, os ministérios deveriam elaborar normas, acompanhar e fiscalizar os recursos públicos na aplicação dos programas federais; entretanto só os vemos usando prioritariamente táticas e estratégias para reeleição do Presidente. Sob o Governo Bolsonaro, é este o quadro que temos.

O conceito de Ministério, porém, é mais amplo. Nos dicionários define-se a palavra Ministério como um substantivo masculino com etimologia latina “ministerĭum,ĭi” significando ofício, mister, trabalho, etc. e na linguagem usual execução de uma tarefa, de uma obra; atividade; e ocupação exercida por alguém; cargo, função, profissão.

Nas antigas Grécia e Roma ministério era uma função servil, daquele que está ao serviço dos outros, e no contexto religioso era prestar serviço aos altares dos deuses, a ministra era a escrava, a criada ou a sacerdotisa.

Isto foi herdado pelos meios evangélicos, onde é comum usar-se o termo “ministério” referindo-se a determinado segmento da igreja ou de grupos que compartilham da mesma crença.

Talvez por isto alguns pastores confundiram o ministério da cura de almas com o Ministério da Educação, locupletando-o com um gabinete paralelo para extorquir prefeitos sedentos de verbas públicas, praticando assim o conto do vigário ou do pastor… rsrsrsrs.

Antes, grupos bolsonaristas organizados atacaram o Ministério da Saúde principalmente no caso da compra da inexistente vacina Covaxin em troca de “comissionamentos”, ocupando cargos ministeriais de ação social….

Considera-se agora, com a ocupação de ministérios em Brasília por milhares de militares reservistas, uma outra anedota correndo entre os antigos servidores. Diz-se que os militares ocupantes de cargos comissionados são aqueles que chegando sempre atrasados, se encontram com os que saem adiantado no horário.

Com a execução das tarefas governamentais os mercadores do templo propõem a formação de um Ministério de Louvor ou, no mínimo, Ministério de Oração como quer o capitão Bolsonaro na abertura das sessões do STF…. Por outro lado, os colegas fardados, mais de oito mil com salário dobrado, querem um Ministério da Continência para receber cumprimentos do eleitorado….

Uns e outros estão visivelmente fora do compasso e do esquadro que desenham o Estado de Direito, e é por isso que uns estão recolhendo dízimos e outros em marcha batida para o golpe. Querem manter as mamatas.

Lembrando que como o corpo humano nem todas as funções que o Estado realiza são nobres, o genial Eça de Queiroz escreveu: “Os políticos e as fraldas devem ser trocados frequentemente pela mesma razão”. Lembrem-se disto ao votar; pense na 3ª Via!

 

 

ALFABETIZAÇÃO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Veja que neste dia eu o estabeleço sobre as nações e sobre os reinos para arrancar e derrubar, para destruir e demolir e também para construir e plantar” (Jeremias, 1.4-10)

Trata-se de uma contestação, por lembrar-me do tempo em que os governos militares combatiam a burocracia como um mal na administração pública. Inesquecível também é que os generais antigos estudavam e eram respeitados pela formação intelectual.

Havia a Escola Superior de Guerra para formação de oficiais superiores que realizava programas aprofundados sobre a economia mundial e estudos abrangentes da Geopolítica, realizando pesquisas sobre a segurança nacional.

Conhecido pela sigla ESG, este instituto cultural militar foi fundado em 1949 e estendia seus cursos a civis de várias categorias profissionais. Já não se fala mais nele, graças à mediocridade triunfante no País, que hoje só conhece os “Programas ESG” que trazem soluções para a Governança e Gestão Corporativa para empresas….

Assim, a História mostra um período de decadência no visível deperecimento que reflete a Era da Mediocridade nascida dos semialfabetizados pelego Lula, a confusa Dilma Rousseff e do inculto Bolsonaro….

Como uma lanterna carregada nas costas, alegra-nos ver também que a História mostra experiências positivas de combate à burocracia e a formação intelectual dos militares. Nos traz um capítulo sobre o bom senso do general italiano Luís Cardona ao inspecionar um regimento na frente de combate.

Conta que Cardona se deparou com um soldado que ostentava quatro medalhas no peito por valor nas batalhas; então chamou o comandante e perguntou: – “Por que este soldado ainda não foi promovido? ”. O oficial respondeu: – “Excelência, ele não recebeu as divisas porque não sabe ler, nem escrever…”

O General-Guia das tropas italianas foi curto e grosso: – “Quem lhe pede que leia e escreva? Seu merecimento está em tomar trincheiras…”. E promoveu o soldado a sargento.

No Brasil atual dos generais à paisana ocupando cargos no Governo Bolsonaro, saem promoções para os colegas analfabetos limitados a dar ordem unida; o prêmio é pela invasão das trincheiras da Democracia a fim de defender o desmatamento da Amazônia e a dispersão dos índios….

Passaram-se também várias eleições desde a redemocratização, mas as queixas contra o processo eleitoral de inspiração “trumpista” só apareceram através dos generais de pijama, subalternos ao Capitão expurgado por desobediência e subversão. Para nossa alegria, a maioria silenciosa nos quarteis não aceita esta insanidade.

Os generais que formaram o time da Escola Superior de Guerra se remexem nos túmulos, preocupando-se com os destinos do País e da Nação, e não cultuando a personalidade inexpressiva do capitão Bolsonaro, afastado do Exército por insubordinação.

Esta influência positiva ficou clara na negação dos comandantes das tropas do Exército, da Marinha e da Aeronáutica ignorando o convite para o “brienfing” do capitão Bolsonaro que nos envergonhou diante de embaixadores estrangeiros.

Nossos parabéns à oficialidade dos quarteis que herdeira da histórica ESG se mantém defensora da Pátria e da Democracia. Está representada na desatenção dos seus comandantes, general Marco Antônio Freire Gomes, almirante-de-esquadra, Almir Garnier Santos e tenente-brigadeiro-do-ar Carlos de Almeida Baptista Junior.

Os militares da tropa conhecem as pesquisas de opinião pública e como pensa o povo através dos seus próximos. Sabem que o povo não cai na fantasia das “Jeremiadas” pregadas no culto pelos pastores bolsonaristas….

Brasileiros não creem que o conformismo seja recompensado pela graça dos céus, e não se calam com a perda do seu poder aquisitivo, que desconfiam dos governantes golpistas e que sentem a falta da alegria que a esperança no futuro trazia.

A alfabetização para reconduzir o Brasil aos trilhos da Ordem e do Progresso é o “fora Bolsonaro”, sem pensar em substituí-lo pelo pelego corrupto Lula da Silva, mas por um nome que surja como 3ª Via para nos salvar!

MATEMÁTICA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“A matemática é o alfabeto com o qual Deus escreveu o universo.”(Galileu Galilei)

Numa crônica antiga, dos anos de 1950, o magistral jornalista ítalo-argentino Pittigrilli foi ao Velho Testamento para comentar um salmo de Davi em que o rei israelita, decantado pelos judeus ortodoxos, confessa ignorância sobre “sefphoroth” palavra hebraica que significa números.

As primeiras gramáticas da civilização ocidental usavam as letras do alfabeto como caracteres numéricos; fizeram-no os fenícios, os gregos e os romanos, assim também os hebreus. E parece que Davi (como poeta) se preocupava mais com o lado literal….

A Bíblia, para milhões de pessoas espalhadas pelo mundo, só traz verdades; então, pela liberdade de traduzir “sefphoroth”, significando matemática, a serventia dos números atende o mercado de compra e venda, então aprendemos que não é de hoje que há governantes incultos em relações numerais e, consequentemente, broncos em economia.

Muitos deles se apoiam em economistas consagrados. Tivemos na presidência da República o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, que não entende bulhufas de Economia, mas se projetou como “pai” do Plano Real, elaborado por uma equipe de notáveis.

Outro presidente, Lula da Silva, condenado em três instâncias por corrupção e lavagem de dinheiro teve como ministro da Fazenda um cara sério, Antônio Palocci, que segurou a barra na condução da Economia, mas discordou da Medida Provisória assinada por Lula a pedido do lobista da indústria automobilista, Mauro Marcondes Machado, em troca de propina a Luís Cláudio Lula da Silva, seu filho caçula.

Está sendo alardeada a relação entre Lula e o PCCC, que o doleiro Marcos Valério tenta provar (e cai no ensurdecedor silêncio da mídia). As transações constam da delação premiada de Palocci, arquivada no STF, dizendo que o “PT usou o PCC para lavar dinheiro com empresas no Ceará”. Até hoje estas empresas estão em sigilo….

Mal-entendido também em “sefphoroth”, embora usando e abusando na citação de passagens bíblicas para se fingir de crente, o capitão Bolsonaro, sentado atualmente na cadeira presidencial sabe muito bem amealhar dinheiro alheio com rachadinhas e verbas públicas para comprar picaretas no Congresso.

Estes exemplos por estarem enquadrados na Matemática, são científicos… Pois não: a “Ciência dos Números”, como definiu um Prêmio Nobel, tornou-se fundamental na vida humana. Não se limita somente às conhecidas operações de cálculo ou contábeis; vai às Integrais e chegou à Inteligência Artificial.

Segundo os dicionários, o substantivo feminino Matemática, ciência que relaciona as práticas do cotidiano e da natureza ao raciocínio humano e à lógica numérica, tem uma origem antiquíssima. Sua raiz é indo-europeia “mendh-“ (aprender); chegou ao grego como “mathēmatiká” (postulando conhecimento); e, ao latim como “mathematĭca” (também contemplando o aprender).

Em seus métodos de estudo e pesquisa, a Matemática abrange objetos abstratos (números, figuras, funções) formulando hipóteses ilimitadas mantendo relação entre o número um e o infinito. Mas jamais encerra a Mentira.

O genial Pitágoras definiu que “todas as coisas são números”, e está nos números a expressão da Verdade. Daí a confiança que temos de que a eleição até agora polarizada entre os políticos populistas pouco confiáveis “de direita” e “de esquerda”, ainda não está definida.

“Eles” têm 30% cada um (aproximadamente), sem contar com a margem de erro. Por isto, vendo a inegável apatia popular sobre a eleição, e os 40% indefinidos, quem sabe se não surge um nome capaz de derrotar um deles no 1º turno e, quem sabe também, o outro no 2º turno?

 

O PREÇO

MIRANDA SÁ: (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Venderam tudo de vez/ por diminuto dinheiro/ por que o retalhador/ botou preço e atacou/ depois de justo, pagou…” (José Pacheco, cordelista cearense)

Com as suas gírias e os seus poetas a cultura popular nos traz inúmeras referências à palavra Preço. Lembro que ouvi no Brejo Paraibano a expressão recolhida de uma resposta a ataque verbal sofrido por um feirante que contando a história. disse que “vendeu pelo mesmo preço” a ofensa recebida.

No dia-a-dia, quando encontramos no mercado uma pechincha dizemos que está “a preço de banana”; e, quanto está alto, criticamos: “carregou no preço”. Dicionarizado, o verbete Preço é um substantivo masculino de etimologia latina “pretium. ii”, mérito. Entre nós e a contabilidade comercial, Preço significa o valor dado a um produto ou a um serviço a relação previamente combinada de trocar um bem por outro ou por dinheiro corrente.

Pela espumante química da memória, lembro várias particularidades encontradas na máquina distribuidora de casos e perfis da História da Humanidade. Algumas delas, no Velho Testamento, nos parecem extravagantes para estranhos pagamentos e sobre figuras que aprendemos a respeitar pela seriedade e sisudez.

As narrativas antigas falam de situações jurídicas. Registra-se ressaltando a justiça salomônica, as sentenças imparciais do rei São Luiz julgando processos sob um carvalho, e a Inquisição ajuizando criminosa e fraudulentamente em processos que devem ser condenados pelos que se dizem cristãos.

Inegavelmente há magistrados que atropelam as leis escritas ou o preceito que o professor Hermes Lima chamava “o direito de fraldas” – o costume -, uma prescrição que encerra as práticas e os usos comuns dos povos pelo mundo afora.

Constata-se que no Brasil, por exemplo, temos normas constitucionais que só existem impressas nos livros ou citadas nos discursos demagógicos dos políticos populistas; uma delas ilustra a nossa imaginação como uma bruxa maltrapilha e moribunda: – “A Lei é igual para todos”.

Esta igualdade legal se enquadra no magistral pensamento de Dale Carnegie que escreveu: “Um homem é presumido culpado até que prove ser influente…”. O Pensador referiu-se aos Estados Unidos, mas se ajusta como um boné verde-amarelo na cabeça dos bolsonaristas que se assumiam como inimigos da corrupção, e hoje a defendem.

Alvo dos corrompidos, corruptos e corruptores, dos quadrilheiros seus cúmplices, temos o exemplo do ex-juiz Sérgio Moro cuja coragem e patriotismo levou o ex-presidente Lula da Silva para a cadeia por corrupção e lavagem de dinheiro. Esta sentença foi aprovada em três instâncias jurídicas, mas suspeitosamente anulada pelo STF.

Certo ou errado, com apoios ou não, por ingenuidade ou deslumbramento, Moro transferiu seu domicílio eleitoral para o Estado de São Paulo e foi lançado a deputado federal pelo confuso partido União Brasil de preço inflacionado no balcão de negócios sujos.

Foi julgado sem o direito de concorrer sem as mesmas condições que contam símiles de outros estados e comprovadamente sem residência em São Paulo, como Tarcísio Freitas e Marina Silva que tiveram suas candidaturas aprovadas.

Não sei qual o preço pago a esta “justiça” (com minúsculas) que temos; na política não dá para esquecer o preço pago pelo boquirroto ditador Hugo Chávez que, falando besteira numa reunião da Cúpula das Américas, ouviu do rei Juan Carlos, de Espanha – “Por que não te calas? ”.

Silenciar sobre a visível perseguição a Moro não deveria ser de pessoas honestas, de qualquer ideologia ou do partido que for; mas calou muita gente que se expõe como ilibada…. Vendidos? É difícil, quase impossível provar, mas na minha opinião, sim.

O riquíssimo Dicionário de Termos e Expressões Populares de Tomé Cabral, editado pela Universidade Federal do Ceará além dos vários exemplos de Preço, fala de “Preço Alterado”, de valor aumentado ou elevado, lembrando-me o Barão de Itararé que escreveu: “Um homem que se vende recebe mais do que aquilo que vale”.

 

 

 

PARECE ROTEIRO DE FILME PORNÔ

 

RT @77_frota

“O Palácio esta assim, Presidente da Caixa assediando as funcionárias, o Vice da Caixa oferecendo vinho e convidando para uma sala particular as funcionárias, o Maquiador da Primeira dama falando que gosta de suruba,Pastor pedindo propina em barra de ouro . Governo Bolsonaro .

ESTÚPIDOS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“O segredo do demagogo é se fazer passar por tão estúpido quanto sua plateia, para que esta imagine ser tão esperta quanto ele. ” (Karl Kraus)

Em terras brasílicas a palavra “estúpido” estava internada na UTI da Linguagem Coloquial até chegar às livrarias o “Stupid White Men” do escritor e cineasta Michael Moore…. E voltou eloquente nas análises políticas expressando a opinião de muitos sobre os políticos profissionais que desgraçam nosso País.

A estupidez, porém, não é como jaboticaba que germina apenas no litoral atlântico da América do Sul; tem expressão mundo afora. Quando eu era repórter, faz muito tempo, comprovei este besteirol na cabeça coroada do Ranieri III, príncipe de Mônaco.

Apaixonando-se pela artista Grace Kelly – que somava beleza com graciosidade inata -, o príncipe Ranieri casou-se com ela sentando-a ao seu lado no trono. Mostrou-se então como era diante da copiosa correspondência que Grace recebia. Estupidamente determinou aos Correios que recusassem qualquer carta para a esposa sem o sobescrito: – “À sua Alteza Sereníssima Princesa Gracia Patrícia de Mônaco”.

Com este despautério mostrou que amou a estrela de Hollywood, Grace, filha de um pedreiro, e ficou casado com outra, mostrando sua estupidez monárquica.

Vem também do cinema a estupidez distribuída por Hollywood pelo mundo afora. Os filmes mostram taitianas esguias e graciosas quando na verdade o padrão de beleza do Taiti, e de todas as ilhas da Polinésia as mulheres são baixinhas e robustas….

Chegaram agora, com a desgraçada pandemia do novo coronavírus, os auto-assumidos “conservadores”, negativistas da Ciência. Esquecem (ou talvez nunca tenham estudado), que seus ancestrais neendertais morriam de disenteria, sarampo e tifo antes da descoberta científica dos bacilos e das vacinas….

Estes estúpidos obscurantistas fazem isto em nome da “religião”, enquadrando-se, sem dúvida, num dos sermões de Martim Luther King que disse: – “A religião mal-entendida é uma febre que pode terminar em delírio”.

É este delírio que faz pregadores de denominações evangélicas se meterem em política e certamente nos atalhos tortuosos da corrupção, como ocorreu com os pastores bolsonaristas negociando verbas públicas do Ministério da Educação achacando prefeitos.

O grande Voltaire, contestador de dogmas e dos falsos religiosos, dedicou-lhes o diagnóstico: – “O fanatismo é uma doença da mente, que se transmite da mesma forma que a varíola”.

Trata-se de uma verdade indiscutível que se amplia quando o fanático faz um pirão cerebral com o caldo da religião com a farinha da política. Uns e outros, mantêm o culto de personalidades que foi abolido até pelo Partido Comunista stalinista da URSS….

O fanatismo “político-religioso” gangrena o cérebro estimulando a estupidez que leva muitas pessoas negarem a passagem corrupta de Lula da Silva pela presidência da República, do mesmo jeito como outros semelhantes desacreditam das denúncias no “Pastoril” da Educação.

Assim, a estupidez continua a grassar epidemicamente; e o mais triste é vermos pessoas com formação acadêmica (pelo menos exibindo diplomas) assumindo contaminadas esta posição com pedantismo, tornando-se aquilo que Unamuno sugeriu, dizendo que “o pedante é um estúpido adulterado pelo estudo…”

No Governo Federal a estupidez político-militar conviveu com um gabinete paralelo armado no Ministério da Educação estimulando o Pastoril do Suborno que revelou os “mercadores bolsonaristas do templo”.

Agora tivemos o exemplo mais do que perfeito do “conservadorismo direitista” com os assédios de Pedro Guimarães na Caixa Econômica. Íntimo do capitão Bolsonaro, é um contumaz assediador sexual e moral; era agressivo com os funcionários e violento com a imprensa.

Diante deste quadro, é decepcionante constatar o silêncio cúmplice dos dois estúpidos “de direita” e “de esquerda” que disputam a presidência da República pensando que o eleitorado não os conhece.

Estão errados. A cidadania honesta e patriota, inimiga da corrupção e da misoginia adere à ideia de uma 3ª via, esperando um candidato que rompa com a estúpida polarização e conquiste um lugar no 2º turno para derrotar com certeza o concorrente populista que sobrar….

 

 

 

REVISÃO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Precisamos promover a coragem onde há medo, promover o acordo onde existe conflito, incentivar a esperança onde há desespero” (Nelson Mandela)

Curiosamente nascido na Índia colonial inglesa em 1903, George Orwell é considerado um dos maiores escritores europeus do século XX, e segundo a crítica, o melhor cronista da cultura inglesa.

É difícil escolher o mais importante dos seus livros, considerando como clássicos, “Dias na Birmânia”, “Moinhos de Vento”, “A Filha do Reverendo” e os mais populares entre eles, “A Revolução dos Bichos” e “1984”.

Não é por acaso que os dois últimos se tornaram best sellers mundiais. Tratam-se de discursos anti-totalitários tão contundentes que foram considerados responsáveis intelectuais pela desconstrução biográfica de Stálin e o desmoronamento do estado policial que dominava a União Soviética.

O “1984” é uma novela que tem como cenário um império ditatorial sempre em guerra contra outros países usando a propaganda de exaltação patriótica para controlar os cidadãos em cada gesto, cada fala, e, por artifício tecnológico, vigiando-o em qualquer lugar onde se encontre.

O pior é a concentração do poder nas mãos de um ditador cuja administração partidária repressiva mantém um “Ministério da Verdade” com objetivo de criar uma realidade paralela, pela revisão histórica, censura literária e jornalística, falsificação de documentos e fraudes relacionadas com o passado antes do partido tomar o poder.

Através de um mecanismo criptográfico, o Ministério da Verdade mantém uma “novilíngua”, certa terminologia partidária e governamental que distorce o significado semântico do noticiário sobre a guerra, reverte informações estatísticas da economia e produz pesquisas de opinião enganosas para o grande público.

Enfim, fazendo-se uma síntese curta e grossa, resume-se: a função do Ministério da Verdade é mentir produzindo oficialmente o que chamamos de fake news.

Com esse conhecimento, vemos que não é só na ficção orweliana que assistimos tais práticas revisionistas; a História da Civilização está cheia de capítulos sórdidos de adulterações dos fatos e de perfis pessoais.

Garimpando alguns exemplos, temos a imolação do Grão-Mestre dos Templários, Jacques De Molay, acusado por falsas testemunhas junto com seus companheiros, de invocar o demônio e realizar “missas negras”. Esconderam as lutas travadas por eles para libertar os lugares santos da Palestina e a divulgação mundial da cruz como símbolo do cristianismo.

Os ardis foram tramados e executados somente para satisfazer a ambição do rei Felipe de França e a insanidade obscena do papa Clemente 5º. Observe-se que esta fraude se estendeu por centenas de anos pela perseguição à Maçonaria, obrigando os seus seguidores atuarem na clandestinidade.

Não causa perplexidade encontrarmos ainda hoje defensores de Adolf Hitler cuja loucura levou à morte cerca de 75 milhões de pessoas somente pelo fato de serem ciganos, eslavos, homossexuais e judeus. Para os neonazistas, o mundo seria feliz sob o domínio dos brutais e agressivos agentes das SS, defendendo por isto ditaduras e torturas.

Sobre revisões típicas do Ministério da Verdade, chega-nos às mãos cópias xerocadas de atividades sócio-políticas no Brasil que parecem extraídas do livro de Orwell. Vê-se apagarem a passagem corrompida, corrupta e corruptora de Lula da Silva e do seu partido, o PT, no governo federal.

Engenhosos embustes para suprimir o passado saem das oficinas dos poderes republicanos e em especial no Executivo, funcionando nos porões do Palácio do Planalto em obediência à distorcida e subversiva ideologia do capitão Bolsonaro. Vê-se agora o diversionismo manobrado para defenderem a corrupção do pastoril no Ministério da Educação.

Com um pouco de bom senso e critério, enxerga-se o assalto ao Erário na mais perfeita ação corrupta e corruptora dos tempos lulopetistas; e fica claro o envolvimento do ex-ministro pastor Milton Ribeiro, confessor da Primeira Dama.

Não se exige sequer uma ativa vigilância para se ver o Brasil espremido entre a nojenta polarização dos extremismos populistas “de direita” e “de esquerda”, defendidos por comissários civis e fardados falseando a História e alterando as biografias.

E no mundo fantástico do revisionismo polarizado, salvam-se o Pelegão condenado por corrupção e lavagem de dinheiro e o Capitão afastado do Exército por indisciplina, insanidade mental e subversão.

Sem revisões, acredito no surgimento de um fato novo que intervenha nas eleições e facilite o surgimento de um nome que represente a 3ª Via.