DOS FASCISMOS

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MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

… E o que vem a ser “Fascismo”? Pela História, é a representação política de uma ditadura totalitária mantida por grupos políticos, econômicos e financeiros. Nasceu na Itália (1922) e teve a sua maior expressão na Alemanha como Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães. Também notadamente na Bulgária, Espanha, Finlândia, Hungria, Polônia, Portugal e Romênia.

Na Itália, atuou como imperialista levado pelo ímpeto personalista de Mussolini e, na Alemanha, pelo racismo e o conceito da “raça superior”; na Espanha, Bulgária e Finlândia com caráter militar, na Hungria e Portugal com base mística, religiosa. Nos países em que ocupou o poder houve a disposição comum do autoritarismo, falso patriotismo e anticomunismo.

Chega-me à lembrança a forma de como seus fanáticos seguidores agiram para tomada do poder, a Marcha Sobre Roma e a “Noite dos Cristais”, nome dado ao quebra-quebra promovido pelos nazistas deixando cacos de vidro nas ruas, das vitrines e janelas estilhaçadas de lojas, das sinagogas e casas dos que não aderiram. Antecedeu a “solução final”, o massacre de democratas, eslavos, homossexuais e judeus.

Estabelecidos no poder, os fascistas usaram a máscara de “nacional socialismo” para disputar com anarquistas, comunistas e sociais-democratas nos sindicatos de trabalhadores cujos membros esquerdistas foram presos. A mesma coisa ocorreu com as academias, círculos científicos, culturais e estudantis.

Como governo, os fascistas condenaram a intelectualidade independente, artistas, escritores, teatrólogos e cineastas, que foram perseguidos acusados “de cultura judaica”. Recrutaram estudantes para organizações partidárias financiando-os, e impondo-lhes a ideia de superioridade racial para um futuro hegemônico.

Uma intensa propaganda foi usada divulgando a promessa de uma “ruptura radical com o passado”, mas, na verdade os partidos fascistas por seus líderes, pregavam para as massas um “revolucionarismo verbal”, praticando, na verdade, um conservadorismo enganoso, e se fortaleceram valorizando e fomentando o aparato militar.

As experiências históricas registradas na Alemanha e na Itália são abomináveis, com

os campos de extermínio de ciganos, eslavos, homossexuais e judeus; fizeram fogueiras com livros de “origem semita e marxista” e em defesa da Democracia. Condenaram dessa forma o liberalismo, “burguês-capitalista”.

A princípio, a intelectualidade marxista condenou o fascismo acusando-o de assumir uma ideologia “de direita”, mas foram traídos quando o stalinismo desvirtuou o caminho leninista para o socialismo na URSS, ao estabelecer uma ditadura personalista e policialesca, eliminando os velhos bolcheviques e com o culto à personalidade de Stálin implantando o fascismo vermelho.

É assim capitulado na História do século 20, onde se vê a existência de duas vertentes do fascismo, um de bandeira preta e outro de bandeira vermelha, ambos exportando para o terceiro mundo suas ideologias desfiguradas.

Esta adulteração chegou ao Brasil na década de 30 com a fundação da Ação Integralista Brasileira inspirada no fascismo italiano defendendo a implantação de um regime autoritário; apoiando inicialmente Getúlio Vargas na implantação do “Estado Novo” e a promessa de combater o comunismo e reorganizar o Estado, mas quando Vargas proibiu todos os partidos políticos, inclusive a AIB, revoltou um grupo de integralistas que armado tentou invadir o Palácio Guanabara, então residência oficial do presidente Vargas.

Esta “intentona” fracassou e fortaleceu a ditadura getulista, ocorrendo o mesmo do outro lado, quando os comunistas seguindo as ordens de Moscou criaram a Aliança Nacional Libertadora e promoveram uma revolução em 1935, também fracassada.

Dessa maneira, entre nós os dois fascismos são reais… O vermelho traiu a proposta socialista assumindo um populismo assistencialista e cultuando a personalidade de Lula; os herdeiros do integralismo assumiram uma falsa direita nepotista usando o slogan da AIB, “Deus, Pátria e Família”, para ludibriar autênticos conservadores e evangélicos.

Assim, os dois fascismos se enfrentam eleitoralmente e só eleitoralmente; no fundo defendem as mesmas coisas e seus agentes nos andares de cima do poder se locupletam com a corrupção generalizada…. CHEGA!

 

 

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