DO APOCALIPSE
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Como verbete dicionarizado, a palavra Apocalipse etimologicamente, indica o ato de revelar algo que estava coberto, a palavra vem do grego antigo (apokálypsis), que significa literalmente “descoberta” ou “revelação”; deriva de apo– (“fora”, “de afastar”) e kalyptō (“cobrir”), trazendo a ideia de levantar o véu do oculto ou escondido.
Na História Geral, o termo apocalipse não se refere originalmente a uma catástrofe ou ao fim do mundo, entendido como é usado na Bíblia. No contexto religioso Apocalipse tem um sentido de “catástrofe” ou “fim do mundo” encontrado no Novo Testamento, o Livro do Apocalipse, com profecias sobre o juízo final, a vitória de Deus sobre o mal.
No Islamismo existem a crença sobre o Dia do Juízo Final, em que ocorrerão sinais precedendo o fim, com o surgimento de um falso messias (Dajjal) e o retorno de Jesus (Isa), seguido pelo julgamento de todos os humanos conforme suas ações.
Fora do contexto religioso judaico-cristão-islamita, outras tradições religiosas também possuem narrativas apocalípticas e conceito de fim cósmico, diferente na forma e na intenção.
No Budismo o tempo é visto como cíclico e por isto o Apocalipse não é visto como um julgamento final por um Deus, mas fazendo parte de um ciclo da história que o mundo passa com eras virtuosas e eras de conflito; também no Hinduísmo há a mesma visão cíclica do tempo, em que se sucedem a criação e a destruição.
O uso popular corrente de apocalipse sofreu uma ampliação significativa: passou a designar qualquer evento de destruição ou catástrofe, como um desastre natural, guerra devastadora ou mesmo o colapso de uma sociedade, criando uma ruptura total ou transformação radical da realidade.
Esta mudança semântica, historicamente, é moderna, o sentido de fim do mundo ou de evento catastrófico total, ideia que se consolidou a partir de leituras do texto bíblico e de representações dramáticas. Hoje o Apocalipse evoca a ideia de revelação de um fim radical ou de uma crise profunda que transforma tudo.
Em termos culturais, o cinema tem explorado o Apocalipse com ficções que obtiveram grande sucesso de bilheteria. Há filmes que tratam de catástrofes naturais, colapsos sociais, invasões e cenários pós-apocalípticos, seja com zumbis, mudanças climáticas ou desastres cósmicos.
Filmes que se tornaram populares, preenchendo o horário de canais televisivos, incluem clássicos desse gênero como “Mad Max: Estrada da Fúria” – ações num mundo destruído –, o clássico de Francis Ford Coppola, épico da guerra do Vietnam, “Apocalypse Now”, de 1970; e também “O Dia Depois de Amanhã” – uma abordagem de mudanças climáticas extremas –, um dos mais assistidos e comentados.
Este último, de 2004, dirigido por Roland Emmerich, mostra um cenário apocalíptico causado por uma súbita e extrema alteração climática desencadeando tempestades e uma nova era glacial que ameaça toda a vida na Terra. Nele, Jack Hall (Dennis Quaid), após prever a catástrofe como climatologista, luta para salvar seu filho Sam (Jake Gyllenhaal), então preso em Nova York coberta de gelo.
Na Literatura, a temática se destaca abordando distintas visões sobre o colapso da civilização, cada uma com sua própria maneira de abordar medo, esperança e sobrevivência humana frente ao Apocalipse.
A “imaginação apocalíptica” preenche todos os requisitos da literatura fantástica, com destaque no Brasil para o livro “A Batalha do Apocalipse”, obra do jornalista brasileiro Eduardo Spohr, publicado em 2007.
Levado à política mundial e especialmente brasileira, o presente escatológico se prende à mediocridade e a corrupção dos protagonistas, juristas, militares e políticos que ocupam o poder.
Nada se compara ao fim dos tempos com o galopar dos Cavaleiros do Apocalipse que entre eles estão bolsonaristas da falsa direita e lulopetistas da falsa esquerda que, mesmo polarizando eleitoralmente, representam igualmente a falsidade, a mentira e a corrupção. CHEGA!!
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