ARTIGO

[ 5 ] Comments
Compartilhar

Fraude ideológica lulo-petista aniquilou o MERCOSUL

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

O ilustre pensador brasileiro Edmundo Muniz, recentemente biografado pelo jornalista Sérgio Caldieri, deu uma lição que cai como uma carapuça na fraude ideológica do lulo-petismo, ensinando: “São ‘caranguejos da utopia’ os que incapazes de projetar o futuro, querem restabelecer o que perdeu a razão de existir”.

A exatidão desta colocação deveria nortear as análises sobre o definhamento do MERCOSUL, criado com sadias intenções de estabelecer um mercado comum no Cone Sul da América.

Por temer o progresso, os ‘caranguejos da utopia’ que assumiram o poder no Brasil e na Argentina barraram, com politização retrógrada, a integração comercial pretendida pelos fundadores do MERCOSUL. Enquanto isso, os países libertos do contrabando ideológico ‘bolivariano’, formaram a Aliança do Pacífico abrindo perspectivas auspiciosas.

O Brasil dos pelegos lulo-petistas, amarrado a conceitos ultrapassados, dança do concerto mundial, jogando confetes aqui e acolá. Fantasia a reativação da Rodada Doha, paralisada há vários anos, e se ilude perseguindo uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU… Os carreiristas procuram ‘aparelhos’ em vez de trabalho.

Inversamente aos objetivos do PT-governo, concretiza-se a iniciativa dos governantes mexicanos, colombianos, peruanos e chilenos, buscando num ajuste com enormes possibilidades de ramificação. Sem medo de fazer contratos com os países do Primeiro Mundo, escapam da estreiteza das relações exclusivas Sul-Sul e miram o futuro.

É tão promissor o futuro da Aliança do Pacífico, que oito países já mantêm o status de observadores, Austrália, Canadá, Costa Rica, Guatemala, Japão, Panamá, Nova Zelândia e Uruguai; e, no mês passado, em Cali, Colômbia, foram admitidos sete novos membros observadores – El Salvador, Equador, França, Honduras, Paraguai, Portugal e República Dominicana.

Assim, ativa-se com o México e os países andinos uma estratégia oposta à do MERCOSUL. Pensam em ocupar espaços como os emergentes África do Sul, China, Índia e Rússia, que os produtores brasileiros perdem.

A História recente da América Latina registra que nos últimos dez anos o Brasil cristalizou-se como a mulher de Loth, por só olhar para trás, preso a uma ideologia superada, impostora. Comete um erro geopolítico imperdoável. Falta aos governantes petistas perspicácia no conceito de livre comércio e sobram-lhes os obstáculos das suas limitações culturais e ambições políticas.

Neste quadro, vemos o raquitismo econômico brasileiro pelo desequilíbrio entre importações e exportações de bens, com um déficit acumulado em maio de US$ 4,6 bilhões; e, para tapar esse buraco, precisa-se de um superávit mensal de US$ 2,7 bilhões até dezembro, para cumprir a projeção do Banco Central.

Do outro lado, os quatro países da Aliança do Pacífico crescem mais que o Brasil, têm inflação menor, e multiplicam acordos comerciais com países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Como se vê, há uma diferença enorme entre os membros do MERCOSUL e os da Aliança, uma oposição do que está estagnado e do que se sobressai. Vê-se que as lideranças empresariais dos países da Aliança apóiam vigorosamente a política empreendida pelos seus governos, enquanto é visível o abatimento do setor privado brasileiro, desesperançado com o MERCOSUL.

É chegado o momento limite para nacionalizar as relações internacionais do Brasil, desviadas pelas distorções ideológicas do Itamaraty “do B”, que arrastam pelo focinho os búfalos que carregam as decisões econômicas do PT-governo.

 

5 respostas para ARTIGO

  1. Excelente texto. Gostei de: “A História recente da América Latina registra que nos últimos dez anos o Brasil cristalizou-se como a mulher de Loth, por só olhar para trás, preso a uma ideologia superada, impostora.

  2. Marcos Pontes disse:

    Lá no governo FHC eu já adivinhava: por que fazer uma feirinha de Caruaru quando o mundo todo está se reunindo numa Fiesp? Por que viramos as costas para o Hemisfério Norte – bem antes da crise de lá – para fazermos sociedade com meia dúzia de meias-repúblicas que nada produzem de útil e de interessante para o mercado mundial? Não quisemos nos associar ao México e aos EE.UU., preferimos os vizinhos futuros bolivarianos, cheios de incertezas políticas, infraestrutura sofrível, consumidores paupérrimos. Preferimos exportar matéria prima e importar manufaturados, vide o exemplo do minério de ferro que mandamos para a China – outro sócio que não adula parceiros, impõe-se – e compramos trilhos porosos para a Ferrovia de Carajás. Esse mercadinho mais ideológico do que comercial estava fadado ao insucesso e esse insucesso cresce exponencialmente.

  3. @Razao17 disse:

    Belo artigo Miranda ! Parabéns. Realmente, é isso mesmo que está acontecendo –> ” Vê-se que as lideranças empresariais dos países da Aliança apóiam vigorosamente a política empreendida pelos seus governos, enquanto é visível o abatimento do setor privado brasileiro, desesperançado com o MERCOSUL.”

  4. Cihgral disse:

    Enquanto isto, distrai-se o povo com “Comissão da Verdade”, Feliciano/Willys, seleção, e Maracanã…

  5. Antônio Baía disse:

    Qual o papel da “oposição” no Brasil, tudo o que se vê se discussões de pecuinhas, esquecendo os congressistas que foram eleitos para enxergar aquilo que nós, eleitores, não estamos vendo.