Artigo saído n’ O METROPOLITANO

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A moral de uma ex-guerrilheira

MIRANDA SÁ, jornalista (mirandasa@uol.com.br)

Vários teóricos do socialismo escreveram sobre a moral revolucionária porque antigamente quando se falava de socialismo se falava de revolução. Engels escreveu sobre o comportamento da mulher, Lênin falou do amor e Trotsky deixou um manual muito difundido, “A Moral Comunista”.

Filósofos, literatos e sociólogos sob influência marxista entraram também nessa seara, como Ernest Hemingway, George Orwell, John Steinbeck, Jorge Amado e, recentemente, Nestor Kohan, em biografia de Che Guevara.

Assim, falar em moral socialista não é uma contradição entre o materialismo histórico que aponta um registro mutante da concepção de época para época e de lugar para lugar. Esta ótica apenas mostra a incoerência dos que afirmam ser a moral eterna, sem se alterar através dos tempos e de acordo com realidades diferentes.

Evidentemente não é moral também um dogma religioso, como se fosse um sentimento de origem divina e parte o inconsciente de homens e mulheres.

A compreensão da necessidade dos princípios morais para que a sociedade humana funcione em equilíbrio, não pode se basear numa teoria idealista, mas no estabelecimento de limites do que é bom e do que é mau e a disciplina – individual ou coletiva – para não prejudicar o outro.

Ser honesto, falar a verdade, praticar a solidariedade e perseguir as utopias de um mundo melhor e mais justo, identificam-se com os homens e mulheres de boa vontade, acima das ideologias ou pontos de vista filosóficos ou religiosos.

Assim podemos afirmar que a moral não é privilégio de ninguém, mas um acordo social. A moral é a percepção de que todos devem cultuá-la como defesa individual ou comunitária. Isto nos leva a combater os que distorcem a moral comum em proveito próprio.

No momento que atravessamos, conturbado pela disputa política e a continuada explosão de denúncias e malfeitos, ilícitos e prática corrupta, é censurável o duplo pensar dos dirigentes políticos nacionais e as entidades que deveriam representar as bases da sociedade civil.

A conduta política não deve ter como modelo o procedimento dos Collor, Renan, Sarney e Lula da Silva que os acoberta e instrui sua candidata preferencial, a ex-guerrilheira Dilma Rousseff.  Esta, por sua vez, joga no lixo uma história que se não for fraudulenta, descreve uma vida de heroísmo e devoção aos ideais.

Não querer investigar a Petrobras, defender Sarney, aceitar a aliança tácita com o que há de mais podre na política nacional não é, sem dúvida, uma moral de guerrilheiro(a) que luta por um mundo melhor, mas de um(a) carreirista que só vê os fins, atropelando os meios.

Dilma recebe aplausos dos que como ela se iludiram com “o mundo delirante do poder” – no dizer do jornalista Jânio Vidal. Na esteira da degenerescência moral, escorrem a UNE, a CUT, a Força Sindical, as centenas (talvez milhares) de associações e Ongs que recebem o dinheiroi f´pacil da cooptação através de ministérios e empresas estatais. Até parte do coerente e façanhudo MST, entra nessa.

O Brasil está porém acima dos 301 picaretas que dominam a política oficial, que teem a veleidade absurda e ridícula de impor uma moral degenerada. Mas nem o Século 21, nem a realidade brasileira, lhes dão espaço me tempo para isso…

Uma resposta para Artigo saído n’ O METROPOLITANO

  1. jaomarvidal disse:

    Ola Miranda,
    São bem interessantes os seus comentários e artigos. Desde os seus tempos no rádio nas décadas de 70/80. Não leve a mal. Mas, achei interessante tb. a sua foto no twitter. Lembra os retratos dos parlamentares que fizeram a revolução francesa.
    Abraço.