Poesia

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ODE A CASSANDRA

 

Vem, amor, vem ver se a rosa

Que ontem, fresca e perfumosa

Se abriu ao sol estival,

Não perdeu o viço ainda

E conserva, rubra e linda,

Cor à de teu rosto igual.

Oh, amor! Vê quão depressa.

Fenecendo, a rosa cessa

De ser bela e ser louça!

Como é madrasta a Natura,

Pois que tal flor jamais dura

Do entardecer à manhã!

Meu conselho é, pois,amor,

Que, enquanto na vida em flor,

Encantos possam sobrar-te:

Colhe, colhe a mocidade,

Pois como à rosa a idade

Da beleza há de privar-te.

 

Pierre de Ronsard

(Trad. de R. Magalhães Jr.)

 

O Poeta

Pierre de Ronsard nasceu em nasceu em 11 de setembro de 1524, em uma família de nobres de Vendômois, perto de Orleans. Foi preparado para seguir a carreira diplomática. Passou toda sua juventude como pajem dos filhos do rei, freqüentou a elite do reino e os literatos.

Por causa da doença (que lhe deixou surdo) passou a se interessar aos estudos e à escrita. Sua personalidade forte permitiu impor-se ao grupo da Plêiade. Após algumas tentativas na poesia erudita, imitando os gregos, volta-se para as coletâneas de amor, onde canta com simplicidade seus sentimentos para Cassandra ou para Maria, jovens mulheres pouco conhecidas.

Para saber mais sobre o poeta, clique aqui

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