Excerto
Liberdade de imprensa constrangida
A Petrobrás, uma empresa de referência, está sob fogo cruzado. Noticiário de supostos desvios de verbas em contratos superfaturados e de generosa transferência de recursos às ONGs ligadas ao petismo rendeu chamadas de capa e deu manchetes de jornal. Nada de mais. Trata-se de fato comum em qualquer democracia. E ninguém rasga as vestes. Compete à imprensa investigar eventuais irregularidades e iluminá-las com os holofotes da informação. E cabe à empresa, em respeito aos seus acionistas e à sociedade, prestar os esclarecimentos oportunos. Sempre foi assim. E sempre será. O relacionamento entre mídia e poder implica um certo grau de tensão. Felizmente. O próprio presidente da República, embora manifeste algum desconforto pontual com o trabalho da imprensa, jamais questionou a importância do jornalismo e de seu papel investigativo.
Por isso, surpreende, e muito, recente inovação da Petrobrás na sua interface com os meios de comunicação. A estatal, rompendo o clássico protocolo de relacionamento com a mídia, inaugurou um blog para apresentar “fatos e dados recentes da Petrobrás e o posicionamento da empresa sobre questões relativas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)”. No ar desde o último dia 2, o blog vem sendo alimentado diariamente com reportagens jornalísticas sobre a companhia e as respostas enviadas pela empresa aos veículos de comunicação.
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