Arquivo do mês: fevereiro 2026
AS CADEIRAS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Na minha infância, lá se vão mais de 80 anos, havia uma brincadeira muito divertida em festas de aniversário, “A Cadeira”. Praticava-se botando cadeiras em círculo em número menor do que os participantes. A um sinal, os meninos circulavam ao redor das cadeiras e como há menos cadeiras do que crianças, uma delas ficava sem lugar para sentar e era eliminada do jogo.
Retirava-se uma cadeira e o folguedo recomeçava pelo mesmo modo anterior, sempre alguém ficando sem sentar e saindo do círculo… A coisa se repetia, com a remoção de uma cadeira e a eliminação de um participante. Quando restavam dois concorrentes e uma cadeira apenas, quem conseguisse sentar seria o vencedor.
Lembrei-me disto achando o divertimento recreativo antigo com uma série televisiva “Game of Thrones” (A Guerra dos Tronos) baseada na saga literária As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin. Assiste-se a disputa de nobres disputando uma cadeira real com intrigas políticas, conspirações, batalhas e alianças.
Embora ficção, parece brincadeira de folguedo infantil, mesmo inspirada em fatos históricos da época em que o rei Luís XIV instalou o absolutismo na França caracterizado numa frase do próprio: “L’ Etat se moi” – “O Estado sou Eu”.
No reinado deste líder da concentração de poder monárquico na Europa a França viveu várias guerras de conquista e, entre elas, as principais foram a Guerra Franco-Holandesa, a Guerra dos Nove Anos e a Guerra da Sucessão Espanhola. Ocorreram ainda os conflitos menores da Guerra de Devolução e Guerra das Reuniões.
Como símbolo do absolutismo reinol, Luís XIV centralizou o governo , enfraqueceu a nobreza, baseou no direito divino o seu poder. Lembrou os primórdios da civilização, quando os povos viviam na dependência dos deuses e os sacerdotes proclamavam os reis, como suprema autoridade religiosa intermediária do divino.
Somente mais tarde, na antiga Grécia, ouviu-se uma discordância sobre isto através do atomista Anaxágoras, registrada por Demócrito, que combateu qualquer autoridade que se arvorasse falar em nome de um deus.
A recaída veio na Idade Média com a Igreja Católica Romana imperialista dominando quase toda a Europa e o papa “representante de Deus na Terra” criava, distribuía e mantinha cadeiras douradas para “missões divinas”.
O papado impunha-se através de dogmas e o poder de excomungar junto aos nobres ambiciosos dos diversos reinos na Alemanha, Itália e Polônia que esperavam uma cadeira vaga….
Revoltas pontuais contra o arbítrio político-religioso e pela volta do antigo cristianismo, culminaram com a reforma luterana abrindo o caminho para Renascença e a volta da cultura humanista da antiga Grécia.
A partir daí a História registrou a revolução francesa entre 1789 e 1799, derrotando o absolutismo feudal e semeando a democracia com os ideais iluministas de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”; e teve como consequência a Guerra da Independência da América com a bandeira das liberdades democráticas.
Os ventos da Democracia também varreram a América Latina libertando-a do colonialismo europeu, mesmo se mantendo presa às oligarquias regionais; na Europa, ao contrário, alguns países continuaram mantendo cadeiras reinóis, sendo o principal deles a monarquia britânica.
Aos poucos, porém, a filosofia humanista foi sendo reconstituída nos séculos 18 e 19 com exceção dos países muçulmanos e do Grande Oriente; pois os reinados europeus adotaram princípios sociais democráticos e a própria Inglaterra imperial adotou um sistema constitucional.
Apesar dessa marcha histórica, o Brasil vive atualmente sob a ameaça aos direitos da cidadania assegurados pela Constituição de 88 que não é seguida pelos togados do STF…. De lá saem absurdas sentenças monocráticas e blindagem de corruptos sob o manto da “defesa da Democracia”.
Os brasileiros estamos submetidos ao poder instituído por gestores sem voto que não cumprem as prerrogativas constitucionais, evocando o alerta de Martin Luther King: “Nunca se esqueça que tudo o que Hitler fez na Alemanha era legal para os juízes daquele país”.
Como exemplo do arbítrio instituído temos o atentado que Alexandre Moraes cometeu contra os auditores fiscais por exercerem suas funções; e, tratando como delinquente o dirigente sindical Kleber Cabral por defender os colegas punidos sem julgamento.
Fica claro assim que o Brasil está sob a tutela de uma ditadura jurisdicional, e isto exige dos autênticos democratas e patriotas quebrarem as tornozeleiras eletrônicas virtuais do totalitarismo imposto pelos ministros togados.
Seria muito melhor que as cadeiras do plenário do STF ficassem vazias do que terem os falsos guardiães da Democracia refastelados nelas, traindo a Constituição, conspurcando a ética e negando a honradez, como viu Gilmar Mendes defender Toffoli envolvido até o pescoço nos crimes do Banco Master.
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DOS FASCISMOS
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
… E o que vem a ser “Fascismo”? Pela História, é a representação política de uma ditadura totalitária mantida por grupos políticos, econômicos e financeiros. Nasceu na Itália (1922) e teve a sua maior expressão na Alemanha como Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães. Também notadamente na Bulgária, Espanha, Finlândia, Hungria, Polônia, Portugal e Romênia.
Na Itália, atuou como imperialista levado pelo ímpeto personalista de Mussolini e, na Alemanha, pelo racismo e o conceito da “raça superior”; na Espanha, Bulgária e Finlândia com caráter militar, na Hungria e Portugal com base mística, religiosa. Nos países em que ocupou o poder houve a disposição comum do autoritarismo, falso patriotismo e anticomunismo.
Chega-me à lembrança a forma de como seus fanáticos seguidores agiram para tomada do poder, a Marcha Sobre Roma e a “Noite dos Cristais”, nome dado ao quebra-quebra promovido pelos nazistas deixando cacos de vidro nas ruas, das vitrines e janelas estilhaçadas de lojas, das sinagogas e casas dos que não aderiram. Antecedeu a “solução final”, o massacre de democratas, eslavos, homossexuais e judeus.
Estabelecidos no poder, os fascistas usaram a máscara de “nacional socialismo” para disputar com anarquistas, comunistas e sociais-democratas nos sindicatos de trabalhadores cujos membros esquerdistas foram presos. A mesma coisa ocorreu com as academias, círculos científicos, culturais e estudantis.
Como governo, os fascistas condenaram a intelectualidade independente, artistas, escritores, teatrólogos e cineastas, que foram perseguidos acusados “de cultura judaica”. Recrutaram estudantes para organizações partidárias financiando-os, e impondo-lhes a ideia de superioridade racial para um futuro hegemônico.
Uma intensa propaganda foi usada divulgando a promessa de uma “ruptura radical com o passado”, mas, na verdade os partidos fascistas por seus líderes, pregavam para as massas um “revolucionarismo verbal”, praticando, na verdade, um conservadorismo enganoso, e se fortaleceram valorizando e fomentando o aparato militar.
As experiências históricas registradas na Alemanha e na Itália são abomináveis, com
os campos de extermínio de ciganos, eslavos, homossexuais e judeus; fizeram fogueiras com livros de “origem semita e marxista” e em defesa da Democracia. Condenaram dessa forma o liberalismo, “burguês-capitalista”.
A princípio, a intelectualidade marxista condenou o fascismo acusando-o de assumir uma ideologia “de direita”, mas foram traídos quando o stalinismo desvirtuou o caminho leninista para o socialismo na URSS, ao estabelecer uma ditadura personalista e policialesca, eliminando os velhos bolcheviques e com o culto à personalidade de Stálin implantando o fascismo vermelho.
É assim capitulado na História do século 20, onde se vê a existência de duas vertentes do fascismo, um de bandeira preta e outro de bandeira vermelha, ambos exportando para o terceiro mundo suas ideologias desfiguradas.
Esta adulteração chegou ao Brasil na década de 30 com a fundação da Ação Integralista Brasileira inspirada no fascismo italiano defendendo a implantação de um regime autoritário; apoiando inicialmente Getúlio Vargas na implantação do “Estado Novo” e a promessa de combater o comunismo e reorganizar o Estado, mas quando Vargas proibiu todos os partidos políticos, inclusive a AIB, revoltou um grupo de integralistas que armado tentou invadir o Palácio Guanabara, então residência oficial do presidente Vargas.
Esta “intentona” fracassou e fortaleceu a ditadura getulista, ocorrendo o mesmo do outro lado, quando os comunistas seguindo as ordens de Moscou criaram a Aliança Nacional Libertadora e promoveram uma revolução em 1935, também fracassada.
Dessa maneira, entre nós os dois fascismos são reais… O vermelho traiu a proposta socialista assumindo um populismo assistencialista e cultuando a personalidade de Lula; os herdeiros do integralismo assumiram uma falsa direita nepotista usando o slogan da AIB, “Deus, Pátria e Família”, para ludibriar autênticos conservadores e evangélicos.
Assim, os dois fascismos se enfrentam eleitoralmente e só eleitoralmente; no fundo defendem as mesmas coisas e seus agentes nos andares de cima do poder se locupletam com a corrupção generalizada…. CHEGA!
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DAS FARSAS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
A farsa e os farsantes têm um capítulo reservado na História da Civilização. Como os brasileiros atravessamos um período recheado de imposturas e trapaças, é preciso ativar todos os sentidos para enfrentar as fraudes que estão registradas na infeliz Era Lulopetista que infelicita o nosso país.
No cenário global, a farsa que ocorre precisa ser completamente apurada como a Polícia Federal tem feito; e aos jornalistas independentes e historiadores sem tornozeleiras eletrônicas do mercenarismo, cabe divulga-la e analisada.
Fraudes políticas assumem várias formas: Desvios de fundos públicos bilionários; pagamento de propinas e subornos; manipulação de eleições e resultados; e uso de instituições públicas, principalmente do campo financeiro, para benefício pessoal ou de grupos privados
Da minha parte recordo o escândalo político que estourou nos Estados Unidos levando um presidente da República a renunciar ao mandato. Foi em 1972, envolvendo agentes da campanha de reeleição de Richard Nixon que comandaram um plano de espionagem política e encobriram o fato. Está capitulado como “Caso Watergate”.
No cenário das finanças temos um caso que o Departamento de Justiça dos EUA descreveu como “o maior caso de cleptocracia até hoje”.
Ocorreu em 2009 na Malásia, com a criação do fundo estatal 1Malaysia Development Berhad para investimentos que redundou num gigantesco caso de corrupção, lavagem de dinheiro e desvio de mais de US$ 4,5 bilhões de um fundo de investimento estatal entre 2009 e 2015.
Hoje, com o caso do Banco Master no Brasil, o Departamento de Justiça dos EUA já não consideraria o desvio e gastos do Malaysia o “maior caso” …. Aqui tivemos o mesmo financiamento para influências políticas, infiltração de advogados na alta Corte de Justiça, promoção de festividades, corromper a mídia e comprar bens valiosos.
Lá como cá chegou-se a bilhões em moeda corrente desviados por meio de empresas offshore e contas pessoais. O Banco Master é um esquema bancário fraudulento com impacto sistêmico nacional, condenado pelo Banco Central e investigado pela Polícia Federal.
O caso já é considerado uma das maiores farsas no Brasil e atravessou as nossas fronteiras tornando-se um escândalo financeiro internacional; entre nós corre paralelo ao assalto feito por entidades sindicais e pelegos lulopetistas no INSS, ainda em apuração por uma CPMI.
Analistas livres das rédeas ideológicas comentam que esta situação criminosa exige uma operação como a que foi executada pela Lava Jato em 2014, cujo impacto pela lavagem de dinheiro e pagamento de propinas manteve um gigantesco esquema de corrupção envolvendo políticos, grandes empreiteiras (como Odebrecht) e contratos públicos incentivados pelo Governo Lula em vários países.
Na atual conjuntura da delinquência entra a banda podre do poder de forma ampla, geral e irrestrita; e os andares de cima não podem continuar sem investigações tipo Lava Jato, condenada e deletada pelos populistas corruptos de “direita” e de “esquerda”, implicados com a corrupção.
Os maus feitos criminosos vagueiam inusitadamente. Veja-se o assalto no INSS e o Banco Master que podem constar da História entre os grandes casos de fraude político-financeira do mundo, pelo impacto econômico e institucional.
Em 18 de novembro de 2025 o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master devido à grave crise de liquidez e violações das normas do Sistema Financeiro Nacional; mas desconhecia o alcance dos envolvidos no esquema.
Passados três meses, um compilado do que foi apreendido em oitivas com executivos do Master e conversas telefônicas comprovadas do presidente Vorcaro, foi levado pelo diretor da PF ao STF, e isto resultou no afastamento de Toffoli num arrumadinho dos colegas para defende-lo acumpliciadamente.
Mal tirado o sofá vermelho do plenário vê-se o envolvimento de Alexandre Moraes nos delitos masterizados e a cumplicidade explícita de 8 togados que defenderam em reunião vazada do STF o indefensável Toffoli que, mesmo suspeito, se impunha na relatoria do processo ….
E em continuidade às fraudes na esfera político-jurídica explode mais um fato (nada surpreendente) de um alcance de R$ 30 milhões no programa da Farmácia Popular encontrado em operação conjunta da Receita Federal, Polícia Federal e CGU.
Assim vigoram as farsas escancaradas na volta de Lula ao poder. São as mesmas práticas que o condenaram pela Lava Jato….
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DO APOCALIPSE
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Como verbete dicionarizado, a palavra Apocalipse etimologicamente, indica o ato de revelar algo que estava coberto, a palavra vem do grego antigo (apokálypsis), que significa literalmente “descoberta” ou “revelação”; deriva de apo– (“fora”, “de afastar”) e kalyptō (“cobrir”), trazendo a ideia de levantar o véu do oculto ou escondido.
Na História Geral, o termo apocalipse não se refere originalmente a uma catástrofe ou ao fim do mundo, entendido como é usado na Bíblia. No contexto religioso Apocalipse tem um sentido de “catástrofe” ou “fim do mundo” encontrado no Novo Testamento, o Livro do Apocalipse, com profecias sobre o juízo final, a vitória de Deus sobre o mal.
No Islamismo existem a crença sobre o Dia do Juízo Final, em que ocorrerão sinais precedendo o fim, com o surgimento de um falso messias (Dajjal) e o retorno de Jesus (Isa), seguido pelo julgamento de todos os humanos conforme suas ações.
Fora do contexto religioso judaico-cristão-islamita, outras tradições religiosas também possuem narrativas apocalípticas e conceito de fim cósmico, diferente na forma e na intenção.
No Budismo o tempo é visto como cíclico e por isto o Apocalipse não é visto como um julgamento final por um Deus, mas fazendo parte de um ciclo da história que o mundo passa com eras virtuosas e eras de conflito; também no Hinduísmo há a mesma visão cíclica do tempo, em que se sucedem a criação e a destruição.
O uso popular corrente de apocalipse sofreu uma ampliação significativa: passou a designar qualquer evento de destruição ou catástrofe, como um desastre natural, guerra devastadora ou mesmo o colapso de uma sociedade, criando uma ruptura total ou transformação radical da realidade.
Esta mudança semântica, historicamente, é moderna, o sentido de fim do mundo ou de evento catastrófico total, ideia que se consolidou a partir de leituras do texto bíblico e de representações dramáticas. Hoje o Apocalipse evoca a ideia de revelação de um fim radical ou de uma crise profunda que transforma tudo.
Em termos culturais, o cinema tem explorado o Apocalipse com ficções que obtiveram grande sucesso de bilheteria. Há filmes que tratam de catástrofes naturais, colapsos sociais, invasões e cenários pós-apocalípticos, seja com zumbis, mudanças climáticas ou desastres cósmicos.
Filmes que se tornaram populares, preenchendo o horário de canais televisivos, incluem clássicos desse gênero como “Mad Max: Estrada da Fúria” – ações num mundo destruído –, o clássico de Francis Ford Coppola, épico da guerra do Vietnam, “Apocalypse Now”, de 1970; e também “O Dia Depois de Amanhã” – uma abordagem de mudanças climáticas extremas –, um dos mais assistidos e comentados.
Este último, de 2004, dirigido por Roland Emmerich, mostra um cenário apocalíptico causado por uma súbita e extrema alteração climática desencadeando tempestades e uma nova era glacial que ameaça toda a vida na Terra. Nele, Jack Hall (Dennis Quaid), após prever a catástrofe como climatologista, luta para salvar seu filho Sam (Jake Gyllenhaal), então preso em Nova York coberta de gelo.
Na Literatura, a temática se destaca abordando distintas visões sobre o colapso da civilização, cada uma com sua própria maneira de abordar medo, esperança e sobrevivência humana frente ao Apocalipse.
A “imaginação apocalíptica” preenche todos os requisitos da literatura fantástica, com destaque no Brasil para o livro “A Batalha do Apocalipse”, obra do jornalista brasileiro Eduardo Spohr, publicado em 2007.
Levado à política mundial e especialmente brasileira, o presente escatológico se prende à mediocridade e a corrupção dos protagonistas, juristas, militares e políticos que ocupam o poder.
Nada se compara ao fim dos tempos com o galopar dos Cavaleiros do Apocalipse que entre eles estão bolsonaristas da falsa direita e lulopetistas da falsa esquerda que, mesmo polarizando eleitoralmente, representam igualmente a falsidade, a mentira e a corrupção. CHEGA!!
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ABRACADABRA
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
Defendo que cada pessoa pode adotar a religião que quiser. Pode adorar o sol, reverenciar o trovão, curvar-se diante da Shiva linga, dos deuses mitológicos, de Buda, imagens de gesso ou o deus único da bíblia judaico-cristã. Para mim. pouco importa. Desde que tenha fé. Isto é o que vale.
Dicionarizado, o verbete “Religião” é um substantivo feminino significando a crença na existência de um deus ou deuses. A palavra vem do latim “religio”, traduzida como “respeito pelo sagrado”; derivou o verbo “religare”, aproveitado por Agostinho de Hipona, doutor da Igreja e depois santo, quando apelou para os católicos voltarem-se para os antigos princípios cristãos.
Religião é um tema que não pode, nem deve ser abordado levianamente; e também não é fácil de argumentar corretamente. Enfrentando a complexidade e a contraversão, aqui estou porque fui provocado nas redes sociais por alguém que me encarou pelas críticas que faço sobre a mistura de religião e política.
Segundo estudiosos, existem mais de 10 mil religiões registradas mundo afora e são formadas conforme descreveu o filósofo e escritor francês, Ernest Renan, dizendo que “basta uma dúzia de frases eloquentes e fogos de artifícios para se fundar uma religião no Oriente”.
Nos Estados Unidos, se dispensam os fogos; bastam as palavras e o carisma do doutrinador, e elas se multiplicam; e, no Brasil, é preciso apenas o apoio de um parlamentar e verbas públicas para abrirem-se as portas de um templo evangélico, doublé de comitê eleitoral.
É muito triste constatarmos tal coisa. Mas é verdade: confira-se o número de pastores evangélicos politiqueiros, alguns deles com mandato parlamentar pregando uma política de ódio pelas redes sociais.
Em contrapartida, ficou registrado no último censo um aumento demográfico dos que se identificam sem nenhuma religião, ateus e agnósticos, mas o seu número não passa de um fração daqueles que creem em magia, exaltando os jogos de búzios, baralho e tarô; os falsos médiuns das fórmulas mágicas para conquista do amor, os leitores das linhas da mão e redatores de horóscopos.
Trapaceiros de todos matizes têm entre o povão tanta confiabilidade quanto os que fazem política em nome da religião. E esta coisa vem de longe…. Na antiga Grécia o médico Quintus Serenus Sammonicus usou o termo “abracadabra” como exorcismo para curar a malária.
A origem desta exclamação, segundo filólogos, vem do aramaico Avraadabra ou do hebraico ebrah k’dabri significando “eu crio enquanto falo”; e se popularizou entre magos, ilusionistas e charlatães.
Vê-se daí que Abracadabra, desde as primeiras sociedades humanas foi usada como exorcismo para curar enfermidades e, no campo da magia, foi destinada como ritual para expulsar demônios, espíritos malignos ou influências demoníacas de uma pessoa, lugar ou objeto.
A magia vem de muito longe de acordo com antropólogos do período pré-histórico, quando rituais, pinturas rupestres e práticas xamânicas buscavam influenciar a natureza, a caça, a fertilidade e a cura.
Na Grécia, pensadores como Pitágoras e Platão dialogaram indiretamente com saberes místicos, com as magiké, isto é, as práticas dos magos persas.
No Renascimento, figuras como Hermes Trismegisto, Paracelso, Cornélio Agrippa e John Dee resgataram a magia como conhecimento simbólico e filosófico. Já na modernidade, estudiosos como Elifas Lévi, Helena Blavatsky e Aleister Crowley reinterpretaram a magia como um caminho espiritual e psicológico.
Na política brasileira os picaretas dos três poderes republicanos dos “andares de cima” associam a magia ao assalto que fazem ao Erário, praticando a ciência oculta da corrupção, que perseguem em nome da Democracia.
Assim, obrigam as pessoas esclarecidas a se opor ao poder ocupado por PHDs do crime político. Os autênticos patriotas expressam em pensamento e voz alta ABRACADABRA a fim de exorcizar a imunda polarização dos populistas corruptos Jair e Lula.
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