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Ney Matogrosso

Repercussão do artigo “Morte”

MORTE

Miranda Sá (E-mail: [email protected])

“A morte não extingue, transforma; não aniquila, renova; não divorcia, aproxima”. (Rui Barbosa)

Dois grandes luminares da inteligência brasileira, Ruy Barbosa e Machado de Assis nos trazem com seus pensamentos reflexões sobre a morte. Nosso epigrafado abre a perspectiva espiritual de sua continuidade enquanto Machado zomba com a sua repercussão.

Diante da perda de Teori Zawascki, Ruy nos anima pela visão de que com ele nada está aniquilado e renova a esperança de que aquilo que estava fazendo será renovado com mais força; Machado agita a ideia da hipocrisia reinante entre aqueles que o enaltecem agora, como não faziam antes: Escreveu: “Está morto: podemos elogiá-lo à vontade”.

Multiplicam-se os elogios a Teori, morto. Há controvérsias, muitos apontam favorecimentos nas suas decisões. O juiz Sérgio Moro, austero e comedido, não lhe regateou elogio: “Foi um herói”.

É tão difícil o julgamento do Ministro, como a decisão que deveria tomar no caso das delações premiadas da Odebrecht que estudava com os juristas, seus auxiliares. E pela complexidade dos julgamentos, uma coisa é certa: A Lava Jato está perigando.

O ministro do STF, Teori Zavascki, morreu no dia 19 num acidente de avião no litoral do Rio de Janeiro com mais quatro pessoas, em local próximo ao acidente aéreo que nos levou Ulisses Guimarães.

Segundo consta, ele havia decidido interromper as férias para se debruçar no processo da Operação Lava Jato, do qual era relator no STF, como responsável por passos decisivos da megainvestigação relacionados a altas autoridades do País, detentoras de foro privilegiado.

Entre os que deveria julgar estão os ex-presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff, constando da lista os presidentes da República Michel Temer e do Senado, Renan Calheiros, além de dezenas de parlamentares.

A Infraero informou que a aeronave prefixo PR-SOM, modelo Hawker Beechcraft King Air C90, decolou às 13h01 do Campo de Marte, na capital paulista, e a queda ocorreu por volta das 13h45, quando o bimotor estava a 2 km de distância da pista do aeroporto de Paraty.

Não obstante a falta de provas de que o desastre não tenha passado de um acidente causado pelas condições meteorológicas, a reconhecida habilidade do piloto, também falecido, e outras versões pouco consistentes, exige-se uma investigação rigorosa e que haja garantias de que a apuração dos crimes persista com integridade.

O Ministério Público, a Polícia Federal e um órgão de investigação da Aeronáutica apuram as causas do acidente que é temido pelo filho de Teori Zavascki como uma sabotagem. No ano passado chegou a publicar um tuíte afirmando temer que algo acontecesse ao pai.

O que ocorre é que nos meios políticos haviam temores pela decisão de Teori, e tal circunstância levanta suspeitas diante de fatos não esclarecidos, coincidentes e duvidosos. Fala-se em “teoria da conspiração”, mas a personalidade, o caso e as consequências da sua falta criam uma situação para isto.

O ministro Teori Zavascki era relator da Operação Lava Jato no STF. Muitos políticos estão envolvidos na delação premiada da Odebrecht e a sua morte virá prejudicar obrigatoriamente o processo da investigação e até mesmo alterar o seu curso.

O poder republicano está com uma batata quente nas mãos: Temer negaceia em assumir a nomeação do novo ministro e espera que Cármen Lúcia decida sobre quem exercerá o cargo de relator da Lava Jato.

O Brasil (83% dos pesquisados defendem a continuidade das investigações) demanda e espera que não se atrevam a tocar na faxina anticorrupção que o juiz Sérgio Moro, o MPF e a PF realizam com eficiência e independência!

 

 

John Lee Hooker – Boom Boom

https://youtu.be/nUUyFrHERpU

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Rosa Passos

OBSCENIDADE

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

“O crime organizado na América rende 40 bilhões de dólares. É muito dinheiro, principalmente quando se considera que a ORCRIM não tem despesas de escritório”   (Woody Allen)

Seguindo o exemplo dos governantes petistas Lula da Silva e Dilma Rousseff, a corrupção domina a maioria dos estados e municípios brasileiros, e seus agentes, nos três poderes da República, estabeleceram uma “mafiocracia”.

Isto se reflete nos andares de baixo onde o crime organizado em facções regionais se fortaleceu; e, enquanto o poder político aparelhou a máquina administrativa, os bandos criminosos dominaram o sistema presidiário pela condescendência do poder público.

Revoltas pontuais, fugas planejadas e auxiliadas por componentes do sistema prisional, denúncias de agentes públicos honestos, MPs e PF, alertaram o governo formado pelo vice-presidente eleito pelo PT, no exercício da presidência para a situação.

Entretanto, o poder público só acordou quando no Estado do Amazonas explodiu uma rebelião de extrema selvageria com mais de sessenta mortes, pessoas de coração arrancado e corpos decapitados.

Trata-se de uma guerra entre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa rival da Família do Norte (FDN). O massacre se repetiu em Boa Vista, Porto Velho, São Luiz, Natal e João Pessoa.

A disputa por rotas de cocaína e contatos nos países produtores de drogas é o motivo principal para o confronto de que participa também o PCC e outros grupos menores, mas a poderosa mídia aponta apenas superlotação e administração das cadeias.

O Sistema Penitenciário Nacional é um arremedo do que poderia ser. Nos Estados Unidos, a Lei de Controle do Crime Organizado isola os líderes e chefetes. Na Inglaterra, que reconhece a existência de 38 mil traficantes em atividade, também os deixa solitários, assim como no México após a implantação da guerra ao narcotráfico. Aqui não.

Existem atualmente quatro penitenciárias federais – no Paraná, Rio Grande de Norte, em Mato Grosso do Sul e Rondônia – com capacidade para 832 presos, aguardando-se a entrega de mais uma em Brasília; todas têm vagas, mas os chefes das facções não são transferidos para elas.

Entre nós, temos tristes exemplos: No RN, onde o levante é um crime continuado, o governador covardemente “acertou” com o PCC a transferência de presos que não pertencem ao “Comando” deixando-lhe Alcaçuz à sua disposição. Revoltante!

Vergonhosamente, uma verdadeira obscenidade, é a entrega das prisões ao crime organizado. E a isso se deve a atual escalada de violência, comandada pelo PCC, o CC e o FDN. Os poucos agentes penitenciários são despreparados e em grande parte corruptos; as polícias militares, desprovidas de meios para uma reação, acovardam-se, e a Força Nacional, neste setor, não diz a que veio.

Assim surgiu a ideia de jerico de convocar as Forças Armadas, Exército, Marinha e Aeronáutica para assumir o papel de “capitães do mato”.  Estas organizações militares deveriam controlar as fronteiras, reprimindo o tráfico de armas e de drogas, e não guardar prisões.

Infelizmente não há um oficial general para dar um basta nesta idiotice. E assim, o governo central, vacilante e de certa maneira leniente, vai empurrando com a barriga para o problema que já ultrapassa os limites, e chega à imprensa internacional nos envergonhando.

Se as operações criminosas abrem uma guerra, o enfrentamento deve ser bélico. Guerra é guerra e se proporcionar mortos e feridos é apenas uma consequência. Preso revoltado, vandalizando o cárcere, se matando entre si, deve ser punido sem dó nem piedade. Que se dane o “direito dos manos”…

 

Carlos Drummond de Andrade

Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

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Walt Whitman

Escuto a América a Cantar
Escuto a América a cantar, as várias canções que escuto;
O cantar dos mecânicos – cada um com sua canção, como deve ser, forte e contente;
O carpinteiro cantando a sua, enquanto mede a tábua ou viga,
O pedreiro cantando a sua, enquanto se prepara para o trabalho ou termina o trabalho;
O barqueiro cantando o que pertence a ele em seu barco – o assistente cantando no deque do navio a vapor;
O sapateiro cantando sentado em seu banco – o chapeleiro cantando de pé;
O cantar do lenhador – o jovem lavrador, em seu rumo pela manhã, ou no intervalo do almoço, ou ao pôr-do-sol;
O delicioso cantar da mãe – ou da jovem esposa ao trabalho – ou da menina costurando ou lavando – cada uma cantando o que lhe pertence, e a ninguém mais;
O dia, ao que pertence ao dia – De noite, o grupo de jovens, robustos, amigáveis,
Cantando, de bocas abertas, suas fortes melodiosas canções.

Pablo Neruda

O teu riso

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

TRIBUNAIS

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

               “Toda a capacidade dos nossos estadistas se esvai na intriga, na astúcia, na cabala, na vingança,       na  inveja, na condescendência com o abuso, na salvação das aparências, no desleixo do futuro.” 
(Ruy Barbosa)

Apesar da palavra ter uma origem romana (do latim: tribunalis, significando “dos tribunos”), sua origem é mais antiga. Segundo historiadores surgiu entre os judeus no Egito que, sob a orientação de Moisés, criaram um sistema político-religioso de julgamentos.

O Tribunal é um órgão cuja finalidade é exercer fazer justiça resolvendo litígios com eficácia de coisa julgada. São compostos por um ou mais juízes, encarregados de julgar demandas. São designados “cortes” em alguns países e territórios.

Antes da separação dos poderes, existiam órgãos públicos com funções essencialmente administrativas e legislativas, e eram também designados “tribunais”. Atualmente são organismos públicos, pertencentes ao sistema judicial de uma nação. Realça entre eles o Tribunal do Júri que é, teoricamente, a democratização da Justiça.

Existem também tribunais religiosos – como os tribunais eclesiásticos das dioceses católicas, e tribunais privados para apreciar certas atividades econômicas e desportivas.

Miseravelmente ocorreram e ocorrem tribunais de exceção, formados arbitrariamente para julgar casos com ou sem delitos cometidos; historicamente são famosos os Tribunais da Inquisição e de regimes ditatoriais como na Alemanha hitlerista. Tivemos posteriormente o Tribunal de Nuremberg criado para julgar crimes de guerra dos nazistas.

No Brasil, a Constituição Federal de 1988 reza, no seu artigo 5º, inciso XXXVII, que no nosso país não haverá juízo ou tribunal de exceção. Multiplicam-se, porém, a gosto do tradicional bacharelismo uma excessiva multiplicação de tribunais, alguns perfeitamente dispensáveis.

Nestes órgãos, dos tribunais superiores até os tribunais de contas municipais, vê-se um desproporcional gasto do dinheiro público. Aparecem agora na mídia, por exemplo, o dispêndio com viagens dos ministros de tribunais superiores em R$ 3 milhões para pagar voos internacionais de 2013 a 2015.

Baseada na Lei de Acesso à Informação, a reportagem da Folha de São Paulo registra que as passagens de magistrados tiveram custo 12 vezes maior que o trecho na poltrona econômica, e, uma única viagem feita na classe executiva resultou uma despesa de R$ 55 mil (em valores da época).

O ministro do STF Dias Toffoli gastou R$ 149,4 mil apenas com bilhetes aéreos no ano em que presidiu o TSE. É claro que por corporativismo, os órgãos afirmam que todas as viagens foram a serviço e ocorreram dentro das normas previstas.

O contribuinte brasileiro deve denunciar esses favorecimentos como coisa que não ocorre pelo mundo afora. O Papa, presidentes e primeiros ministros dos países desenvolvidos (com exceção dos EUA) usam voos de carreira de empresas aéreas privadas.

O exemplo que vem de fora deveria ser seguido no Brasil. Mesmo no comparecimento de reuniões internacionais de cúpula, as altas autoridades brasileiras precisam obedecer ao princípio de que todos são iguais perante a lei; e assim, suas viagens de lazer seriam pagas pelo próprio bolso.

Uma coisa que parece ter acabado foi a farra desabusada da Era Lulopetista com voos em aviões da FAB, que resultaram na morte de cidadãos carentes de transportes de órgãos para transplantes de urgência.

Acrescente-se â prática errada e injusta das passagens aéreas pelos ocupantes temporários ou vitalícios do poder republicano, algo pior: constata-se que cargos de confiança de aparelhados nos três poderes também se utilizam de passagens de 1ª classe. Um absurdo.