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Manuel Bandeira

“Poema de uma quarta feira de cinzas” 

(do livro Carnaval, 1919)
“Entre a turba grosseira e fútil
Um pierrot doloroso passa.
Veste-o uma túnica inconsútil
feita de sonho e de desgraça…
o seu delírio manso agrupa
atrás dele os maus e os basbaques.
Este o indigita, este outro apupa…
indiferente a tais ataques,
Nublaba a vista em pranto inútil,
Dolorosamente ele passa.
veste-o uma túnica inconsútil,
Feita de sonho e de desgraça…”

Allah La O

A cabeleira do Zezé

Taí, eu fiz tudo pra você gostar de mim

Nós, os carecas

MARCHINHAS

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

“O povo toma pileques de ilusão com futebol e carnaval. São estas as suas duas fontes de sonho”. (Carlos Drummond De Andrade)

Acho que foi o diabo quem inventou essa história do “politicamente correto”. No carnaval é que se vê que esta barbaridade está na contramão da alegre confraternização social. Lembrando que é a inversão de valores que domina os temas carnavalescos.

Essa desgraça que se abateu sobre o mundo é a razão do fim das marchinhas políticas, caricaturais, denunciantes e de protesto. Na minha juventude cantei e gravei marchinhas do desabafo popular, começando por “DAQUI NÃO SAIO” de Paquito e Romeu Gentil.

Lembrando a agonia de despejo forçado pela modernização urbana do Rio de Janeiro, cantamos “Daqui ninguém me tira/ Onde é que eu vou morar/ O senhor tem paciência de esperar/ Inda mais com quatro filhos/ Onde é que vou parar? ”

Os protestos da época induziram uma nostalgia pelo governo de Getúlio Vargas e os compositores Haroldo Lobo e Marino Pinto “estouraram” no carnaval de 50 com “RETRATO DO VELHO” fazendo o povo cantar: “Bota o retrato do velho, outra vez/ Bota no mesmo lugar/ O sorriso do velhinho/ Faz a gente trabalhar”.

Eleito Getúlio, o Rio de Janeiro sem autonomia política, sofria problemas estruturais, o que levou Vitor Simon e Fernando Martins a comporem “VAGALUME”, o protesto uníssono dos cariocas: “Rio de Janeiro/ Cidade que nos seduz/ De dia falta água/ De noite falta luz. ” Sobre o mesmo tema, apareceu em 1954 “TOMARA QUE CHOVA”, de Romeu Gentil e Paquito: Tomara que chova/  Três dias sem parar (bis)/ A minha grande mágoa/ É lá em casa não ter água/ E eu preciso me lavar”…

Na minha velha cabeça sempre achei que as marchinhas traduziam o contentamento coletivo do reinado de Momo… E são insuperáveis. Há pelo menos umas 100 que se tornaram clássicas, e hoje mais fortes do que nunca pela bestialidade das proibições.

A mais antiga, e ainda cantada, é a “ABRE ALAS” da inolvidável Chiquinha Gonzaga. E vieram depois com a força da tempestade “LINDA MORENA” (Lamartine Babo), PIERROT APAIXONADO (Noel Rosa E Heitor Dos Prazeres) e “MAMÃE EU QUERO” (Jararaca e Vicente Paiva).

Me perdoem os “politiqueiros corretos” que não passam de uma tomografia computadorizada da imbecilidade reinante entre os que se autodenominam de “vanguarda”. Adoro “O TEU CABELO NÃO NEGA”, de Lamartine Babo; a MULATA É A TAL” (Braguinha-Antônio Almeida) e “NEGA MALUCA” (Fernando Lobo-Evaldo Rui). Procuro e não acho racismo nas letras destas canções.

Tampouco encontro misoginia e preconceitos em “ALLAH-LÁ-Ô” (Haroldo Lobo-Nássara), “AURORA” (Joel e Gaúcho), “NÓS OS CARECAS”, “MARA ESCANDALOSA”, “SASSARICANDO”, “BALZAQUEANA”, (Wilson Batista) e “CABELEIRA DO ZEZÉ”.

Ainda lembrando os protestos, tivemos “PRAÇA ONZE”, “ZÉ MARMITA”, “ACENDE A VELA”, “TOMARA QUE CHOVA”. Mas quando o romantismo aflorava, entoávamos “TAÍ” (Joubert de Carvalho) e “QUEM SABE, SABE” (Jota Sandoval-Carvalhinho).

Sob o domínio da alegria pura, dançávamos com a CHIQUITA BACANA” (Haroldo Lobo e David Nasser), “TOURADAS EM MADRI” e “YES, NÓS TEMOS BANANA” (Braguinha e Alberto Ribeiro). “SACA-ROLHA” (Zé da Zilda, Zilda do Zé e Waldir Machado, “ME DÁ UM DINHEIRO AÍ” (Ivan, Homero e Glauco Ferreira) e “CACHAÇA”(Mirabeau Pinheiro-Lúcio de Castro-Heber Lobato).

Dito isto, vê-se que abomino o “politicamente correto”, que não passa de uma “PIADA DE SALÃO” (Klecius Caldas e Armando) …

 

Lao Zi (VI aC)

Abstração

Quando a beleza é abstraída,

então a feiúra tem sido implícita ;

Quando o bem é abstraído

Então o mal tem sido implícito .

 

Tão vivos e mortos são abstraídos da natureza,

Difíceis e fáceis abstraídos do progresso,

Longos e curtos abstraídos do contraste,

Elevados e baixos abstraídos da profundidade,

Canção e discurso abstraídos da melodia,

Depois e antes abstraídos da sequência.

 

O sábio experimenta sem abstração,

E realiza sem ação;

Ele aceita o fluxo e refluxo das coisas,

nutre-as, mas não as possui,

e vive, mas não habita.

TONS DE CINZA

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

“O ser humano se engrandece no exato grau em que trabalha para o bem-estar do seu semelhante” (Mahatma Gandhi)

O Programa “Estúdio I” da G. News, sempre nos leva a trocar de canal para não ouvir intervenções idiotas dos lulopetistas enrustidos que ali pululam. Outro dia, num intervalo dos inconsequentes ataques a Trump (marca registrada da Globo), trouxeram quase 15 minutos de críticas a João Dória, o prefeito da capital paulista.

Único argumento: “Dória está pintando a cidade de cinza”. As moiçolas vespertinas, posando de “gênias”, engatam a quinta marcha na contramão da opinião pública. Não veem Dória flanando nas pesquisas que lhe deram 44% de ótimo e bom e 33% de regular, somando 77% de aprovação. Contra ele, o cabalístico e malfadado 13% do fanatismo lulopetista.

Contra Dória, que em menos de dois meses trouxe medidas e realizou programas de agrado popular, os opositores gratuitos só têm um argumento, injustificável, idiota mesmo, reclamando que ele está pintando a cidade de cinza.

Dória tem dado um banho nos políticos profissionais como administrador. Empresário bem-sucedido (pelo trabalho, não é nenhum Eike Batista, glória empresarial do PT), organiza São Paulo estabelecendo responsabilidades pela produção e traçando metas exequíveis. Isto vem se refletindo em todo País…

Em 30 dias obteve resultados que a grande maioria de prefeitos não realiza nos quatro anos de mandato. O primeiro balanço mensal da sua gestão dá inveja aos cidadãos e cidadãs bem informados de outros estados. Além disto, Dória presta contas à população diariamente, através das mídias sociais, ou seja, sem propaganda paga.

“…  Mas Dória está pintando a cidade de cinza”. De vários tons de cinza, um para cada realização”.

Vestiu um macacão e foi às praças, com a indispensável ajuda do secretário Gilberto Natalini. Assim, revitalizou o Parque do Ibirapuera, que estava abandonado. No Ibira, recuperou os banheiros públicos e o parquinho a custo zero para a Prefeitura. O seu projeto “Cidade Linda” chegou ao centro da cidade e entregou praças na periferia à população, com replantio de grama, flores e instalação de bancos.

“…  Mas Dória está pintando a cidade de cinza”. De vários tons de cinza, um para cada realização!

A avaliação nas pesquisas do trabalho que Dória vem realizando lhe faz justiça: O Prefeito vestiu uma bata de enfermagem e o Programa Corujão Saúde já realizou mais de 70 mil exames atendidos pelos melhores hospitais particulares.

“…  Mas Dória está pintando a cidade de cinza”. De vários tons de cinza, um para cada realização.

No campo da economia a Prefeitura tem recebido doações das empresas paulistanas para as benfeitorias em diversos bairros e economizou 10 milhões por mês dos cofres municipais cortando o aluguel de carros e vans.

Pelo lado social Dória realizou a façanha de manter as passagens de ônibus a R$ 3,80, enquanto as cidades do entorno subiram para R$ 4,20 ou mais. Imprimiu melhorias nos albergues para o povo da rua com a ajuda de uma rede de hotéis e distribuição de produtos de higiene doados pela Unilever.

“…  Mas Dória está pintando a cidade de cinza”. De vários tons de cinza, um para cada realização.

Os “movimentos tentáculos do PT”, autodenominados “populares”, estão paralisados diante do apoio crescente do povo paulistano ao modo de governar de Dória. A efetivação de parcerias público privadas efetivas, o apoio dado pelo empresariado e o trabalho permanente e ininterrupto do Prefeito e seus auxiliares entusiasmam tanto que voluntários de todas as classes sociais acorrem para colaborar com a limpeza das ruas e das praças.

“…  Mas Dória está pintando a cidade de cinza”. De vários tons de cinza, um para cada realização.

Rainer Maria Rilke

Hora Grave

Quem agora chora em algum lugar do mundo,
Sem razão chora no mundo,
Chora por mim.


Quem agora ri em algum lugar na noite,
Sem razão ri dentro da noite,
Ri-se de mim.

Quem agora caminha em algum lugar no mundo,
Sem razão caminha no mundo,
Vem a mim.

Quem agora morre em algum lugar no mundo,
Sem razão morre no mundo,
Olha para mim.

(Tradução: Paulo Plínio Abreu)

ledo Ivo

ACONTECIMENTO DO SONETO

À doce sombra dos cancioneiros
em plena juventude encontro abrigo.
Estou farto do tempo, e não consigo
cantar solenemente os derradeiros

versos de minha vida, que os primeiros
foram cantados já, mas sem o antigo
acento de pureza ou de perigo
de eternos cantos, nunca passageiros.

Sôbolos rios que cantando vão
a lírica imortal do degredado
que, estando em Babilônia, quer Sião,

irei, levando uma mulher comigo,
e serei, mergulhado no passado,
cada vez mais moderno e mais antigo.