PÁ-DE-CAL

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MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

          “Antônio Palocci jogou definitivamente a pá de cal que faltava no cadáver insepulto de Lula”   (Joice Hasselmann)

Aliada a pesquisas arqueológicas, a antropologia registra que o salto civilizatório do homo sapiens se deveu ao seu trabalho manual e o uso de ferramentas, diferenciando-o dos demais homini, seus contemporâneos.

Junto à faca e seus derivados, a foice e a enxada, encontra-se a pá, empregada para amaciar a terra e cavar buracos, trincheiras e valas. De lá para cá surgiram vários tipos e até “pá de bolo” cortando fatias nas festas…

Dicionarizado, o verbete “Pá” é um substantivo feminino que consiste numa lâmina larga com cabo, para escavar ou remover terra, carvão, neve, lixo, etc. Figurativamente tem diversos significados, de exclamação (saudação em Portugal), complemento, quantidade, vocativo e até entre usuários de drogas, “dar um pá”.

Como nos interessa a “Pá-de-Cal”, encontramos no Dicionário de Termos e Expressões Populares de Tomé Cabral (Edição UFC), como “última medida”; e, recolhido pelo prolífero pesquisador potiguar Gumercindo Saraiva, é “assunto encerrado”.

Como “última medida” vamos chegando às provas de que Lula da Silva & Cia Ilimitada formaram uma quadrilha para assaltar o País e que esta atividade criminosa está perto do fim, após denúncias e prisões de diversos hierarcas petistas, e também Lula condenado e preso.

Assistimos a primeira condenação do Chefe do PT que, segundo os jornalistas Thiago Bronzatto e Felipe Frazão, sofre acusações por “ter praticado 236 vezes os crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e obstrução da Justiça.

Após esta avaliação, surgiu outra bomba: a colaboração premiada do ex-todo-poderoso ministro dos governos petistas, Antônio Palocci, firmada com a Polícia Federal. Agora não sabemos o que sairá da cabeça dos togados 2ª Turma do STF simpáticos aos esquemas de corrupção.

Palocci está preso em Curitiba desde setembro de 2016, condenado a 12 anos, dois meses e 20 dias de prisão, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e só agora conseguiu fazer a delação. O seu testemunho é fundamental, pois participou das decisões mais importantes do PT e do Governo Federal nas últimas duas décadas.

Conforme vazamentos, o ex-ministro revela a atuação de Lula e Dilma nos escândalos da Petrobras, e abre condições para atestar isto por meio de ligações telefônicas com Lula e a posição dos aparelhos celulares no mapa das antenas. Listou datas e horários das entregas de dinheiro a Lula como parte do conteúdo probatório.

Para evitar a rebordosa desta delação do fim-do-mundo, Zé Dirceu mobilizou o que resta de militância no PT e articulou um golpe com os seus infiltrados na Justiça. A trama foi minuciosamente preparada, com prognósticos de resultados da Copa do Mundo e aguardando o plantão do desembargador petista Rogério Favreto no TRF4.

Se esqueceram apenas de combinar como os membros da Justiça Federal e do Ministério Público, que não tiram férias e dormem de olhos abertos; por eles, felizmente, a conspiração foi abortada e mantiveram Lula na cadeia, evitando o caos sócio-político que a soltura dele criaria.

Abortado o conluio criminoso pela decisão do presidente do TRF4, Thompson Flores, os advogados envolvidos apelaram para o STJ e de lá receberam a negação do pedido; a presidente da Corte, ministra Laurita Vaz, afirmou a invalidade e a incompetência nas decisões do desembargador Rogério Favreto.

E tem mais. A ex-corregedora nacional de Justiça e ex-ministra do STJ, Eliana Calmon, disse que Favreto “enxovalhou o Judiciário” e que usou a magistratura para criar um fato político.

Vê-se assim, com otimismo, que ainda há juízes no Brasil, e vale a pena homenagear estes amantes do Direito; e louvar a ação patriótica do juiz Sérgio Moro e da Polícia Federal, que jogaram a última pá-de-cal na cova do narcopopulismo e do defunto insepulto Lula da Silva.

 

 

 

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